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Sonho.

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Fotografia: Via Pinterest
Sonho ver-te acordar. E estar ao teu lado e ver-te adormecer. Abracar-te e aninhar-me em ti.
Sonho com o teu calor dos teus lábios nos meus e assim despertar. Despertar no teu sabor e amar o teu corpo logo pela manha.
Sonho passear pela casa com o nosso cheiro em mim e preparar o nosso pequeno almoço.
Sonho connosco sentados na cama desajeitados e desalinhados e a comer em silencio. Num silencio cheio de barulho e sabores.
Sonho tanto. E por te sonhar tanto… desespero por apenas te viver em sonhos.

A Vizinha

É assim que me trazes de volta a ti

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Fotografia: Via Pinterest

Veloz é o voo da minha mente rumo ao melhor destino de sempre: o meu mundo ilimitado feito de tudo o que eu quiser, a cheirar ao meu aroma favorito e habitado pelas pessoas que mais amo!

As viagens são frequentes e até já viajo no piloto automático, o regresso é que é sempre mais complicado e muitas das vezes abruptamente forçado…mas TU trazes-me à terra numa aterragem incrivelmente suave com esse teu jeito tão certo sem ter precisado dizer seja o que for.
Sabes-me.
Ao teu lado, as insuportáveis perguntas não tem voz:
– Estás aí? – Em que é que estás a pensar? -Estás bem?- o que é que tens?
Nem os teus olhos me fixam como se fosse uma evadida de um sanatório…
Tu olhas e vês-me.
Ouves e escutas-me.
Observas e descobres-me.
Sabes quando ao teu lado deixo o corpo e voo para terras distantes e fantasias que coram e que deste modo automático, me perco, por tudo e por nada.
Sem caricia ou movimento, tocas-me num toque que pousa. A palma da tua mão ferve, não na minha pele, mas abaixo, e tal chama que inflama com o gás, assim sou eu. O gás.
É assim que me trazes de volta a ti. Sem som, sem barulho ou perguntas que me fazem sentir envergonhada por ser assim deste jeito…
Sorrio, aconchego-me mais a ti, encho-te de beijos e beijinhos e fico-me perguntando se estou no meu mundo, ou ali, naquele instante, nos braços dele…

Pertenço ao silêncio

 

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O silêncio não me tem trazido todas as respostas para o mundo de contradições que em mim habita, mas, tem-me ensinado a viver de um modo que me faz feliz.
O silêncio ensinou-me a apreciar, aceitar e a abraçar sentimentos outrora vividos, outrora desprezados e desvalorizados, outrora sentidos na superfície da pele, talvez porque naquele instante estava cega pelo barulho que me sufocava sem dar conta.
O silêncio ensinou-me a sentir o presente, a sorrir para aquele rosto amigo, a unifica-me através do toque, a entregar-me naquele olhar, a escutar o que o meu corpo pede e o meu coração deseja. Hoje sorrio para o sorriso que me ilumina e aceno para quem nada me diz. Hoje continuo fiel à minha rebelião e às minhas vontades, mas com a diferença de as sentir antes, durante e depois.
O silêncio despertou em mim esta vontade louca de dar voz às palavras através da caneta e brincar com o turbilhão de emoções contraditórias que me assolam, ou no papel ou na mente, passou a ser um dos meus passatempos favoritos e foi na companhia deste silêncio revelador que alinhar pensamentos, fundir sentimentos, experiências, criatividade e segredos que as palavras conquistaram lugar também no meu Reino.
Reino que transborda de sonhos sensações e contradições. E aqui, ter talento ou não, é irrelevante.
Relevante sim, é sentir-me detentora de um Império.
O meu.
Onde pertenço.
No meu Reino,
No meu silêncio, rodeada de palavras vindas do passado, sentidas hoje e viagens no tempo até ao futuro, que é tudo aquilo que me apetecer que seja.

 

A Vizinha

Fotografia: Via Pinterest

O que é que fizeste?

Artista: Mark Horst
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Que silêncio insuportável é este, que antes era reconfortante e agora deixa-me inquieta?
Que silêncio é este que tem o teu nome a rugir no meu peito?
Peço-lhe para parar mas ainda grita mais alto.
Preciso de barulho, vou procurar ruído e abafar o teu nome dentro de mim…