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Conto – Parte 1

Começou com uma mensagem provocadora, conversas banais. Estando ele tão longe dela eram as mensagens que lhe restavam. Ela bem tentava ignorar o “bip” do telemóvel quando entrava uma mensagem. Mas ela não resistia em ver se tinha sido ele ou não. Assim que via, ter sido dele ela lutava consigo mesma para não abrir e ler o que ele escreveu. Essa “luta” não demorava muito. Ganhava sempre a tentação. Era um vai e vêm de mensagens quentes. Arrepios e as cuecinhas molhadas era uma reação constante lendo as palavras escritas por ele – Aquele homem tão seguro de si mesmo, tão mais velho que ela. Tão bom que já a tinha na palma da mão. – Passavam os dias a conversar sobre tudo um pouco.

Um dia ela ouve o som do seu telemóvel à tocar, sem ver quem era ela atendeu. Uma voz masculina, bonita – que lhe causou um arrepio imediato entre as pernas – cumprimenta-à. Era ele. Ela nunca tinha ouvido aquela voz tão sensual. Sem saber o que dizer ou fazer ela simplesmente sorriu. Passados alguns segundos ele pergunta se ela esta lá. Apercebendo que ainda não tinha dito nada ela cumprimenta-o. “O que estas a fazer neste preciso momento” pergunta ele. A resposta dela é quase imediata: “A vestir-me.” Ela ouve um curto gemido. “Muito bem. Despacha-te e sai para fora. Hoje não vais dormir em casa.” O mundo a volta para. Será que ouvi bem? – pensa ela. Como se ele lhe tivesse ouvido os pensamentos ele responde: “Sim ouviste bem. Estou a tua porta. Despacha-te.” Ele desliga. Incrédula ela fica olhando para o seu telemóvel. Passados alguns minutos ela começa a vestir o resto da roupa e olha-se no espelho. Calças rasgadas e um T-Shirt de andar em casa. Eu não posso sair assim – pensa ela. Estando calor na rua ela despe a roupa novamente e veste um vestido lindo que nunca usou por vergonha. É um vestido que lhe destaca as curvas sensuais. É provocador e encantador. Ficando a ver o seu reflexo no espelho ela começa a pensar se ele realmente estará à espera ou não. Passa um batom vermelho nos seus lábios carnudos e cheios. Puxando o elástico que lhe prendia o cabelo começa a cair o seu cabelo ondulado sobre seu rosto e costas. Ajeita um bocado o cabelo para trás. E sai do quarto com a sua bolsa. Calça umas belas sandálias e sai porta fora. Lá esta ele. Aquele homem tão seguro de si mesmo, tão mais velho que ela. O homem mais bonito que ela alguma vez viu. Sentindo suas pernas a tremer e suas cuecas a molhar ela segue em frente e para quando estão cara à cara. Tocando no rosto dela e puxando-a contra si ele beija os lábios dela que a tanto desejava. Com uma mão na sinta dela ele puxa-a ainda mais contra ele. Ele quer que ela sinta à tesão dele. À tesão que ela lhe causou no momento em que a viu. “Foda-se és tão bela.” Diz ele enquanto a beija. “Quero-te possuir aqui mesmo.”

…. continua..

Peregrinus #69Letras

Amar é fácil

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Começo por dizer que quem disse que amar-te era difícil, está enganado, amar é sempre fácil não seja uma expressão utilizada tantas vezes. Sabes o que é dificil? É ter a tua pele contra a minha num caloroso sexo e o suor correr no entremédio, dificil é ver-te levantar da cama nua e reluzente na primeira luz do dia, virar-me a cara com um sorriso provocador de quem quer ser agarrada e arrastada de volta para nossos lençóis. Dificil é ouvir-te dizer que estas a engordar quando não me importo de te pegar ao colo e comprovar-te que estas igual, não leves a mal se acho que o mais belo não é dizer que te amo, mas prefiro dizer que me completas e me fazes sentir cheio, cheio de vontade de te viver em mim. Posto isto, não é fácil sentir tudo o que sinto sem poder te dizer o banal “amo-te”, mas aquilo que posso e digo é que tu és a personificação do meu pequeno coração.

Ricco

Sou uma pessoa e não posso sentir?

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A alma parte, o coração deixa de bater e o corpo esfria, e o teu coração fica vazio.
E tu, és obrigada a partir também, seguir em frente ‘dizem’. Mas seguir para onde?
De repente, tu tens de fingir que não é nada contigo e a encarar a morte de quem sempre ocupou o teu peito como algo banal. Natural! Porque a vida continua ‘dizem’ eles. Continua para onde?
De repente, chorar, pensar nele, não faz sentido, não o deves fazer, porque sofres, ‘dizem’…
O quê? Não posso chorar a partida do meu amor?
Não posso falar dele? Não posso reviver o passado, umas, duas, infinitas vezes porque me faz mal e tenho de seguir em frente?

Espera!
Sou uma pessoa e não posso sentir?

Não posso chorar, espernear, desesperar, sonhar, questionar e gritar a dor que tenho dentro do peito? Dor que se vê no olhar e na ausência do sorriso?
Um dia… ele já não vai estar em mim… ou tão em mim.
Hoje ele está e eu vou chorar, sentir e sofrer a sua partida.
Eu quero sentir. Quero!
Quero sofrer. Chorar. Reviver…. simples acções que me fazem senti-lo por perto…
Seguirei em frente quando me quiser soltar…. mas não é hoje, ou amanhã!
Não abro mão de o deixar de sentir…

© Cátia Teixeira 69 Letras 2015