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Penitência

Foste meu mais doce crime, hoje és minha mais tortuosa penitência.
Começaste por ser um capricho, uma tentação, uma glorificação das minhas habilidades de sedução, como eu estava enganado, no meio do meu convencimento e auto-estima masculina deixei-te ludibriar.
Não era eu, o mestre fantoche, eras Tu em todo o teu esplendor e beleza, perdi-me no teu beijo incomparável, no teu cheiro irresistivelmente tóxico e inebriante, no sabor da tua pele, do teu sexo viciante e envolvente
E, acima de tudo ajoelhei-me perante a tua insaciabilidade, a tua entrega total e desinibida ao acto de amar. Os teus sussurros de desejo ao meu ouvido que ainda me ensombram os pensamentos e, os sonhos que me inundam o corpo de suor nas noites mais solitárias.
Deixaste com os teus pés pequenos e delicados pegadas demasiado grandes no meu coração que por mais substitutas que procure ainda nenhuma as foi capaz de encher.
Até que aconteça. Vivo de memórias, de pormenores só nossos. Vivo na esperança que o que sinto seja também um espelho da tua alma, do teu coração, do teu corpo. Que por razões misteriosas o destino nos apartou, mas voltará a cruzar os nossos caminhos, desta vez para sempre.
Até lá respiro um fôlego de cada vez, lentamente um passo após o outro, um dia de cada vez, escondendo no fundo dos meus olhos a saudade do teu olhar único.
Tantas vezes o procuro na multidão, um destes dias, em breve, talvez o encontre.
©Bastardo 2017 #69Letras

Apegada a ti

 

Apegada a ti este corpo que gela a tua ausência
Apegada a ti esta Alma sem dó
quando não te sente
Apegada a ti a minha respiração sufocada com a saudade de nós.
Sinto-me tão apegada a ti!…
E o que dói mais,
é o já não saber
desapegar-me de ti.
Apegada a ti o meu corpo
que se contrai de dor gélida,
nas nossas partidas…
A dor do meu sentir.
O meu corpo alimentado da memória a contorcer-se quando respira o teu corpo suado no meu.
Apeguei-me a ti,
pelo teu olhar que me despia,
pelo fascínio que me provocavas, pela curiosidade que criavas
em mim,
pelo sentimento que semeaste em mim.
Apeguei-me a ti, porque conhecer-te, foi como se tivesse acordado pela primeira vez na minha vida…
Apeguei-me a ti sem dar por isso…
Só quando senti que o coração tinha outro bater e que o meu sangue corria nas veias com dor.
A dor do Amor…
O Amor desse apego a ti
que dói sem saber de ti.
Apegada a ti e sem querer desapegar-me mais de ti.
E sobreviver já com a dor da tua ausência e sem saber quando te apegarás a mim!
Sem saber se o teu apego
em mim é igual ao meu por ti.
Apegada a ti assim estou numa desordem, que ninguém mais
me quererá pegar, porque são tantos e muitos pedaços
de ti em mim, que dificilmente
me encontrarão…
Quando estou apegada a ti,
trago comigo tanto de ti
em mim, que passamos
a ser um só…

©Miss Lost 2017 #69Letras


 

Chega de enlouquecer!

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Guardei o meu amor por ti.


Num canto só teu, na parte que só a ti pertence e pertencerá, onde ninguém, por mais importante que se torne na minha vida, pode mexer.


Aprendi que há coisas que nos marcam e acompanham para sempre, embora não da forma como pretendemos e conformei-me com a tua ausência.


Cansei-me, na verdade foste tu quem me cansou, das mensagens e dos e-mails sem retorno, das tentativas vãs de te ver e conversar.
Hoje sigo um caminho diferente e distante, vivo um dia de cada vez, sem que faças parte dos meus planos…


Mas há dias em que a memória é traiçoeira e a saudade bate forte…
Tantas vezes precisei de coragem para falar e hoje em dia a minha coragem passa pelo não te dizer nada. Ironias…


Quero dar-te um último recado…
Tinhas razão, acabei por me cansar… Chega de enlouquecer!

KingOfMysteries #69Letras

Reclamo a tua ausência

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Fotografia: Via Pinterest

A claridade que rompe da janela do quarto não deixa dúvidas: mais um dia. Mais um dia que desperto e encontro a cama vazia do teu lado.
Lembro-me de abrir os olhos pela manhã e ver-te dormir, enroscar-me ao teu corpo e assim ficar por tempo indeterminado mas agora tudo o que vejo é vazio, é ausência da tua silhueta.
É logo pela manhã que começa a minha luta contra a inércia de continuar na cama, voltar a adormecer e assim te alcançar noutro plano: no mundo dos sonhos.
Mas a vida segue, então respiro fundo e aceito mais um dia sem ti
Não consigo traduzir a tristeza de nunca mais cheirar o perfume da tua pele… o coração encolhe aperta e reclama!
E como reclama a tua ausência!
O amanhecer é então a altura do dia mais difícil de suportar pois afasta-me de ti, ja adormecer leva-me a ti…

A Vizinha

Borbulham dentro de mim ausências…

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Borbulham dentro de mim
ausências…
Na paz que a gaivota solta,
prendo os cabelos…
Talvez me leve com ela…
Borbulham essas gotas de orvalho
à janela
Perdidas num passado feito de
bolas de sabão…
Sopras, de dia o pó que ficou.
De noite, o sono que não vem
E borbulham…na ponta dos dedos
farrapos de esponja, esburacada e
Mole…
Borbulham…no asfalto quente
lágrimas que gritam e sorrisos
Insanos que delas se riem
Descalços
Borbulham de ti, balões de banda
desenhada…
Não dizem nada…
Na folha de papel borrada,
A bolha voa…
O balão rebenta
E o sorriso estampado de esponja
Embebeda a tinta na ponta dos dedos
E a gaivota leva
Com ela, o que escrevi…
Aqui!

Ela

 

 

Sou uma pessoa e não posso sentir?

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A alma parte, o coração deixa de bater e o corpo esfria, e o teu coração fica vazio.
E tu, és obrigada a partir também, seguir em frente ‘dizem’. Mas seguir para onde?
De repente, tu tens de fingir que não é nada contigo e a encarar a morte de quem sempre ocupou o teu peito como algo banal. Natural! Porque a vida continua ‘dizem’ eles. Continua para onde?
De repente, chorar, pensar nele, não faz sentido, não o deves fazer, porque sofres, ‘dizem’…
O quê? Não posso chorar a partida do meu amor?
Não posso falar dele? Não posso reviver o passado, umas, duas, infinitas vezes porque me faz mal e tenho de seguir em frente?

Espera!
Sou uma pessoa e não posso sentir?

Não posso chorar, espernear, desesperar, sonhar, questionar e gritar a dor que tenho dentro do peito? Dor que se vê no olhar e na ausência do sorriso?
Um dia… ele já não vai estar em mim… ou tão em mim.
Hoje ele está e eu vou chorar, sentir e sofrer a sua partida.
Eu quero sentir. Quero!
Quero sofrer. Chorar. Reviver…. simples acções que me fazem senti-lo por perto…
Seguirei em frente quando me quiser soltar…. mas não é hoje, ou amanhã!
Não abro mão de o deixar de sentir…

© Cátia Teixeira 69 Letras 2015

Entende meu amor, é impossível suportar ser tua por inteira e ter-te aos bocejos.

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De todos os sentimentos o que mais gostei de sentir foi aquele que me provocaste.
Tu chegaste mais longe que qual outro, aliás anulaste todas as memórias que tinha, e marcaste-me com as nossas.
Tu dominaste o meu corpo, a minha mente e a minha alma só te restou ficar para seres ‘o tal’.
Eu poderia suportar a tua ausência e a tua vida sombria cheia de perigos caso a minha respiração não dependesse de ti, ou o meu corpo não precisasse da tua presença para sobreviver.
Entende meu amor, é impossível suportar ser tua por inteira e ter-te aos bocejos.
O que despertaste em mim, trouxe-me vida desde o momento que me fizeste tua.
Amor sádico, tão intenso, tão animal, tão puro, tão bom!
Gosto de discutir contigo e sentir o sangue fermentar entre a pele, gosto da tesão com que ficas sempre que sou insolente, gosto quando me possuis e declamas que sou tua, gosto quando me fodes com vontade de rasgar a minha pele de modo a diminuir o espaço entre as nossas almas.
Vou ter saudades da beleza do meu nome na tua boca.
Vou ter saudades do teu olhar que me despiu tantas vezes e me fez cair a teus pés.

?A vizinha #69Letras