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Falaram pouco sorriram muito. Eram um do outro.

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De 1 a 10

Foi no dia 1 deste que mês que ele lhe ofereceu 2 rosas vermelhas. Mandou-as entregar no local de trabalho às 3 da tarde. 4 amigas roeram-se de inveja enquanto ela corada, sorria feliz por aquele ato. Já não se falavam há 5 dias, pelas 6 horas ela mandou-lhe uma mensagem a convida-lo para jantar no restaurante onde jantaram no 7º encontro. Ela vestiu aquele vestido preto que tão bem lhe assentava, colocou os saltos prateados e um colar que descia pelo decote.
Já dentro do carro ela observou-o à sua espera à porta do restaurante. 8h em ponto como fora combinado, pontual como sempre. Jantaram tranquilamente e notava-se como estavam felizes por se verem novamente, deram as mãos sobre a mesa, e saborearam o vinho imaginando absorver o sabor nos lábios um do outro. Falaram pouco sorriram muito. Eram um do outro. Uma mesa com 9 pessoas olhavam-nos encantados conseguiam sentir que estavam num mundo diferente daquele casal, podiam gargalhar e brindar, mas aquele amor não o teriam. Era tão deles. Pagaram o jantar e partiram num só carro, já no elevador o fecho do vestido fora aberto e as calças dele desapertadas. Foi num 10º andar que se uniram pela primeira vez.

?A Vizinha #69Letras

 

Não sou o teu brinquedo

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Não é a minha ‘cena’.

Amar uma pessoa e exibi-la como se fosse um brinquedo novo pode não ser um ato de amor que a faça sentir bem a menos claro que ela se identifique com comportamentos exibicionistas. Para alguns amar é pessoal é intimo é um acontecimento exclusivo entre duas pessoas, para outros amar é publico, é partilhar com o mundo os novos sentimentos. Somos todos diferentes. Mas é importante identificar essas diferenças, antes de desfilar com o novo amor pellas ruas. Tu podes ir de peito cheio mas ele ou ela pode ir constrangida/o.
Para alguns como eu, gostamos de dosear as demonstrações de afeto entre um longo olhar, um beijo subtil, um sorriso ou uma mão esquecida na mão do outro. É o que basta. Para ele te sentir ali, para o sentires. Sem grande alarido, sem aquele grande letreiro por cima a dizer: Ei! Estamos aqui! Olhem para nós.
Para outros diferentes de mim, amar é gritar amor aos ventos e espalhá-lo pelos quatro cantos do mundo, é beijar sem exaustão com audiência, é tocar aqui e ali como que a dizer :‪#‎émeu‬ ‪#‎vocêsolhameeucomo‬ . Para alguns as demonstrações de afeto são exageradas, parece repetições de cenas até atingir o ‘take’ perfeito. Não vejo romantismo em exibir algo tão pessoal ao mundo, vejo romantismo se me roubarem para um beco e meterem a mão entre as minhas pernas, agora servir de preliminar para o público e esperar que batam palmas, não é a minha cena.

 

© Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015