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Deixa-me ser o que olhas

 

Deixa-me entrar em teu ser e ser alvorada,

tirar os dedos um a um e abrir essa mão fechada,
descobrir na palma da mão, na curva da vida abrigada,
um porto de abrigo, uma janela, uma porta, uma nova entrada.
Deixa-me entrar em teu ser e ser a colheita tardia,
aquela que demora, que pisada na alma tráz á boca o sabor do mosto que enche a garrafa vazia,
cheira a calor, prazer, êxtase, mundo em geração de eterna alegria,
fadas, loendros, árvores frondosas entroncadas e toque de magia.
Deixa-me entrar em teu ser e aquecer o teu pensamento,
fogo de lenha de azinho e cheiro a peito de momento,
mão aberta e colo em dia de cansaço e tormento,
tapete na tua cama e meu baixo ventre teu assento.
Deixa-me ser o que olhas e vês como infinita paisagem,
campos de papoilas abertas em flor e arvoredo num abraço de intensa folhagem,
tronco em que te cravas, corpo que cheiras, ramos em que viajas,
ser paz, vida, um sorriso enorme que carregas todos os dias na tua bagagem.

O Inquilino