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Chegaste, manso…

Calaste de repente os silêncios que me ensurdeciam a mente.

Apertaste-me no teu peito e senti-me toda, uno comigo e contigo… Continuar a ler

E que nesta viagem sejas a minha estrela guia…!

Tanta distância percorrida, que começa a dor de novo.
Toda a antecipação, aperto e saudade.
Parece que ainda não cheguei e já estou de partida…
Ao longo desta jornada, todos os beijos são poucos e qualquer momento é precioso.
E o seu valor? Só é dado quando o cansaço cai em nós.
Estamos ligados por meras sensações que nem damos conta…’’se não ligar hoje não faz mal, ligo amanhã.’’
E se não tivermos amanhã?
Passamos ao lado de preciosidades humanas que nos parecem garantidas, quase como se fossem para todo o sempre.Supomos e agimos, dizemos nós, que pensamos.Talvez sim. Em certos momentos, mas na maioria do tempo?Somos apenas uma constante variável de uma razão incontrolável deste universo matemático.
Apenas queria, com isto tudo, encurtar a distância entre o tempo, fazer de todos os segundos gargalhadas estridentes e lágrimas sentidas.
Por favor desta vez deixa-te apanhar desse lado do horizonte.
Activar os meus sentidos, com a tua voz, inspirar-me com a tua essência.
Nesse lado que parece mais fácil, simples e indolor…
Confirma-me por favor!
Estou tão exausta e como te disse ainda não parti.
Mas a distancia já se evidência,
E que nesta viagem sejas a minha estrela guia.

Krishna  69Letras

Brincadeira de mau gosto

Tem momentos em que a saudade aperta.

Ainda tudo parece uma brincadeira de mau gosto sem data de terminar. Mas estive lá, vi que não foi brincadeira mas mesmo assim continua a ser surreal de mais para ser verdade. Se eu não tivesse lá estado, poderia achar que tudo isto não passa de um equivoco, mas estive e ainda assim dentro de mim, existe a esperança que um dia destes tudo vai voltar ao normal, porque nada disto pode ter acontecido.

Não pode. A minha mente está doente, ou não será a mente, mas a alma e o coração destroçado? Como posso eu delirar e esperar que retornes do oposto da vida? Da morte?

Eu estive lá vi o teu corpo repousar, escutei os sinos e a terra a tapar a tua nova casa…. eu estive lá, então porque me parece tudo mentira? Não pode existir esperança na morte.

Oh meu amor! Daria a minha alma em troca da certeza de te voltar a ver. Derrubaria esta grande divisão, tudo para te ver uma vez mais sorrir.

O meu sorriso é decoração, os planos que faço para esta minha vida são colagens em cima de tristeza sem coração. Caminho desanimada, caminho perdida cheia de saudade!

Desejaria que me fosse arrancado o meu ultimo fôlego para deixar de sonhar contigo enquanto durmo e poder sonhar acordada a olhar para ti e voar imortalmente ao teu lado.

E tudo isto é demência, é dor gritante, escondida dentro de mim, não consigo te deixar ir, embora soe a loucura é esta realidade distorcida que ainda me segura.

 

 

A Vizinha #69Letras

São mais os dias que já não te amo do que os que te amo.

 

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Fotografia: Via Pinterest

São mais os dias que já não te amo do que os que te amo.
Nos dias que te amo nem mesmo a minha respiração faz sentido, cada minuto que passa, cada coisa que faça, cada coisa que olhe, não tem cor, imagem ou sabor. Nesses dias o teu nome ecoa na minha mente, o meu coração aperta e eu sufoco em saudades que brotam pelo olhar.
Choro a tua falta, choro uma história interrompida/inacabada, morro mais um pedaço, e deambulo neste mundo vazio de ti.
Nos dias em que te amo, não existe presente, nem futuro, existe apenas dor, vazio, tu, e as lembranças de nós. Às vezes não sei como vou sobreviver sem ti, sem a tua falta, sem a nossa história para continuar. Levaste o meu chão, os meus sonhos e nos dias em que te amo, não existo apenas vagueio, vazia de nada.
Felizmente, são mais os dias que já não te amo.
Na maior parte dos dias não me lembro de ti ou até que ainda moras em mim. As estrelas encantam-me, o vento dá-me esperança, e no meu peito esbanjo sonhos e desejos que se leem quando sorrio, e no meu olhar trago a certeza que a vida está só a começar e é assim que nos dias em que não te amo, os dias nascem e descansam e eu sigo sem te recordar.

 

A Vizinha

Copo meio cheio ou meio vazio.

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Acordei em sobressalto ansiosa e agitada quase que a sufocar. A minha primeira reação assim que acalmei a respiração, foi chorar, não desalmadamente, mas conformada.
Senti as lágrimas a nascer e a empurrarem-se umas às outras como que a libertarem-se… prisioneiras da minha dor.
Desceram lentamente pelo rosto, fazendo comichão na pele prestes a mergulhar na almofada.
Respirei fundo e encontrei-me dividida entre o copo meio cheio ou meio vazio. Copo meio cheio porque voltaste a casa e confortaste o meu coração. Fazia tempo que não sonhava contigo, e esta é a única forma de te trazer até mim, de te ver e reavivar nas memórias a tua imagem que com o passar do tempo tem vindo a perder cor, o que me deixa assustada. Tenho receio de um dia fechar os olhos e ao tentar procurar-te não te conseguir ver, e se para te ver e avivar nas memórias tenha de ser em forma de pesadelos, que seja, todos os dias, não quero saber, quero te ver! Tudo para te ver, uma vez mais.
Inevitavelmente senti o copo meio vazio, os sonhos ou os pesadelos são reais naquele espaço de tempo em que se processam, mas quando desperto, a realidade é crua e desfalcada. Não és palpável, és passado, memórias, lágrimas e sorrisos, a vida segue e eu sigo junto com ela, forçada, vazia, com meio coração a transbordar de saudade… a desejar voltar a dormir, e quem sabe ver-te mais um pouco… e quem sabe se esse sonho ou pesadelo dure o suficiente para me tirar esta sensação de viver em metades…

 

 

A Vizinha