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Amores desencontrados…

ELE anda cansado das baladas e dos casos furtivos sem sentimentos. Aprendeu a gostar da sua própria companhia, sem precisar estar num grupo de amigos todos os sábados. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno mas que traga um sabor doce às suas manhãs, que seja a melhor companhia para olhar a lua, que ele possa exibir os seus dons na cozinha e o seu conhecimento em vinhos, só para ela.
Quer uma mulher que ele reconheça pelo cheiro dos cabelos, pelo toque dos dedos, pela gargalhada que vai ecoar pela casa transformando um domingo sem graça, no melhor dia da semana. Quer viver uma paixão tranqüila e turbulenta de desejos… quer ter para quem voltar depois de estar com os amigos, sem precisar ficar “caçando” companhias vazias e encontros efêmeros. Quer deitar no tapete da sala e ficar observando enquanto ela, de calção de algodão, com a minha T-Shirt e um rabo de cavalo, lê um livro no sofá. Quer deitar na cama desejando que ela entre no quarto em lingerie de tirar o fôlego.
Quer guerra de travesseiros, até que o vencido vá á cozinha buscar água para saciar a sua sede. Quer o poder que nenhum dos seus super heróis da infância tiveram… o poder de amar sem medo, sem perigo e sem ir embora no dia seguinte.
Quer provar que pode fazer essa mulher feliz!

ELA quase deixou de acreditar que seria possível ter vontade de se envolver novamente. Foram tantas dores, finais, recomeços e frustrações que pensou em seguir sozinha para não mais se magoar. Então percebeu que a vida de solteira já não faz tanto sentido. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno mas que possa acordá-la com um abraço que fará o seu dia feliz. Quer um homem que ela possa cuidar e amar sem receios de que está sendo enganada. Quer a alegria dos finais de semana juntinhos, as expectativas dos planos construídos, o grito de “golo” estremecendo a casa quando o equipa dele estiver a ganhar… a cumplicidade em dividir os segredos.
Quer observá-lo sem camisa, a ler o jornal na varanda… quer reclamar da bagunça da casa de banho, rindo e gritando quando ele responde puxando-a para o chuveiro, completamente vestida.
Quer a certeza de abrir a porta de casa e saber que mesmo ele não estando, chegará a qualquer momento trazendo o brigadeiro da confeitaria que ela gosta tanto. Quer beijar, cheirar, morder, beliscar e apertar para ter certeza que a felicidade está ali mesmo… materializada nele.
Quer provar que pode fazer esse homem feliz!

ELES estão por aí… sonhando um com o outro… talvez ainda nem se conheçam… mas é só uma questão de tempo, até o destino unir essas vidas que se complementam e estão ávidas para amar e fazer o outro feliz.
Ou alguém duvida que o universo traz aquilo que desejamos?

Autor desconhecido

O Vizinho #69Letras

A minha promessa

Um dia destes cumpro a promessa de te tentar fazer feliz, nestes dias de primavera em que as giestas despontam no meio do monte, sentamo-nos à sombra do carvalho e enquanto te desmancho a trança que te fiz, fico a ver te ler, nesse olhar de criança que tens admirando o sol primaveril que te beija a fronte. Um dia destes pego em tuas mãos e rego as de pétalas para sentires o cheiro, para sentires o que cheiro quando me debruço sobre ti e num sorriso aberto, mesmo em sol descoberto, fazes nascer um arco íris na água tépida do ribeiro, como teu corpo quente que em minhas mãos o teu percorre e o teu peito sente num braseiro. Um dia destes vou ficar ali, afastando te o cabelo da frente dos olhos, sentar me numa pedra e admirar esse teu solitário divagar, de olhos compenetrados, cheirar o lugar, abraçar todo o ar que te rodeia, afagar tua saia de folhos, flutuar em teu redor, sentir a tua vida e a tua cor e inspirar estes minutos amados. Um dia destes vou te ajeitar a relva, colocar uma toalha sobre ela, para que te sintas confortável, deitada de pernas arqueadas, livro sobre os joelhos a pousar, passar o meu braço sobre os teus ombros e beijar a tua boca perfeita e bela, e num vagar pousar te levemente, sobre a brisa corrente, e ali ficar a ver a tua saia a abanar. Um dia destes vou deixar o tempo cair, deixar de contar as horas no campanário da igreja, apagar do calendário as datas por mais importantes que sejam, e dedicar me a ti, só a ti, sem pensar na vida lá fora, nos sonhos e quimeras que austeras á vezes nos invadem sem que a vida se veja, na forma mais pura que é amar cada dia, na certeza de que o melhor ainda não vivi. Um dia destes vou carregar na minha boca o segredo do teu corpo num sabor a fruta exótica, perder me no teu meio, pairar qual gaivota, paira sobre o teu salgado mar bravio, saborear cada linha, cada traço, cada monte, cada pedaço, cada paisagem erótica, cada gruta perdida, ou caminho inexplorado como um explorador que quer conhecer de fio a pavio, todos os recantos belos que possuis, tatear como se de braille cego me ensinasses a leitura em que me sacio. Um dia destes vou me perder, talvez até nunca me voltar a encontrar, sem beira ou lugar, sem dia, estado ou recôndito beijar, beijar sem parar, saborear todo esse sabor que tens tão particular, aquecer me no sol que carregas dentro de teu ventre, rodeado de paredes de umidade quente e ali ficar, eternamente nesse prazer de poder apreciar o que de melhor tens, o sorriso no teu olhar. Um dia destes prometo te o céu em noite de lua cheia de mil estrelas debaixo de uma noite nua, sossegar a tua cabeça no meu colo, e sentir a linha da tua vida em que me enrolo na tua vontade mais lida, apertar te junto a meu peito, teu corpo no meu a fazer do meu o teu leito nesta vontade crua, que me consome a alma, me tira a calma, peito aberto em coração desperto e ser marcador que marca a tua página da vida.