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Nos corpos não há ‘o que devia ser’

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Na fotografia: Ashley Graham

“O corpo é como um planeta Terra. É um país em si mesmo.
É tão vulnerável ao excesso de construção, à divisão em parcelas, ao esquartejamento excessivo e despojado do seu poder, como qualquer paisagem. A mulher mais selvagem não será facilmente influenciada por esquemas de renovação. Para ela, as questões não se colocam quanto à forma, mas sim como se sentem. Os peitos, com todas as formas que assumem, têm a função de sentir e amamentar. Estão a amamentar? Estão a sentir? São bons peitos.
As ancas são largas por uma razão: encerram um espaço ebúrneo onde irá ter lugar o nascimento de uma nova vida. As ancas de uma mulher são os alicerces da parte superior e inferior do seu corpo; são portões, são uma almofada sumptuosa, são os apoios das mãos no acto de fazer amor, servem para as crianças se esconderem. As pernas servem para nos levar, às vezes para nos dar impulso, são elas que carregam o nosso peso e nos ajudam a levantarmo-nos, formam a cerca, o laço para envolver o amante. Não podem demais nem de menos. São o que são.
Nos corpos não há ‘o que devia ser’. A questão não é o tamanho, nem a forma, nem os anos, ou mesmo ter dois elementos de cada, pois com algumas pessoas isso não acontece. A questão que interessa é: este corpo sente, tem ligação ao prazer, ao coração, à alma, ao que é natural? Sente felicidade e alegria? Consegue, à sua maneira, mover-se, dançar, balançar-se, empurrar? Nada mais interessa.”

CLARISSA PINKOLA ESTÉ
in Mulheres que correm com os lobos