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Auto Estima

Olhas-te todos os dias ao espelho e inconscientemente recriminas-te, rebaixas-te porque não és bonita o suficiente,
que o teu corpo tem curvas, mas não tem cor.
Sempre que te vestes, achas que estás um saco de batatas.
Não te sentes com energia.
Sem vontade de conviver, de sair.
Quem te ama aponta-te todos os teus defeitos,
mas esquece-se das tuas virtudes,
Sentes o chão a fugir debaixo dos pés.
Pensas que já perdeste tudo,
A tua alegria, a tua forma de ser,
Todos os teus sonhos destruídos.
Será que valerá a pena estares com
Alguém que não te estima, que não te respeita como ser humano, que te menospreza, para seu bem estar.
Para justificar os seus actos insólitos.
NÃO!
ERGUE ESSA CABEÇA!
Olha bem para o espelho, mas olha até encontrares a tua alma.
O que vês?
Uma mulher jovem, bonita,
Com uma luminosidade inigualável no olhar
Uma mulher de personalidade forte, afável
Divertida, de poucas palavras,
Prestável e com muito amor para dar a quem o merecer.
Faz as amizades que achar necessário à sua existência
Esta és tu! Não deixes que te digam o contrário.
Não deixes de ser quem és por alguém que te quer moldar à sua imagem.
Não percas o teu brilho que te faz única.
©Lola 2017 #69Letras

Ainda bem que te foste embora

Ainda bem que te foste embora e me deixaste livre.

Foram anos, encarcerada na prisão em que me mantinhas.

Dias em que o meu rosto era lavado por lágrimas.

Noites em que a minha alma se contorcia de dor.

Prendeste o meu corpo, com as tuas fortes amarras que a cada dia me deixavam mais uma ferida, mais uma marca da tua loucura.

Calaste a minha voz, apertando a minha garganta e levando-me a procurar refúgio no silêncio.

Fizeste-me tua prisioneira, escrava das tuas vontades, serva dos teus delírios.

E o pior…o pior foi teres-me feito deixar de acreditar em mim.

O meu corpo, a minha voz, os meus gestos, os meus pensamentos.

Quem era eu? Era uma desilusão.

A minha própria desilusão.

Mas houve sempre algo que nunca conseguiste contaminar.

A minha alma.

E foi ela que me ergueu, que me levantou o olhar em frente, que fez o sangue correr nas minhas veias, que soltou a minha voz.

Foi ela que me libertou de ti e me tornou na pessoa que hoje sou.

Forte, sem amarras, sem silêncios, com garra.

Ainda bem que te foste embora, ansiedade, para eu poder renascer e ser livre.

 

© Fox 2017 #69Letras

Sexo após os 40

  • Se acham que na adolescência, quando chegam aos 20, aos 30 são os melhores momentos da vossa vida, que gozaram o que poderiam gozar. Digo-vos que estão redondamente enganados.
É a partir dos 40 que sabem o que é viver, divertir, saber amar e ter as melhores relações sexuais.
Essas fases todas que irão passar, são fases de aprendizagem, de se acharem e construir quem voces se tornarão.
A melhor coisa que me aconteceu foi chegar aos 40, olhar no espelho e ver uma mulher madura, confiante de si mesma e jovem. Mais jovem do que quando tinha 20A.
Ciente do quero e como quero, com quem quero estar e quem eu quero amar.
Enquanto os mais novos se preocupam se estão mais magros ou mais gordos. Se lhes apareceu borbulhas, ou o primeiro cabelo branco. Eu esqueço o meu peito descaido, a minha barriga grande depois duma gravidez. Preocupo-me em manter-me em forma fisica, estar saudavel. Ver me nua ao espelho e mesmo não tendo o corpo torneado de adolescente, as curvas ainda se mantem e sei que ainda faz muito novo e velho virar a cabeça.
Se muitos pensam que a vida sexual termina aos 40, estão errados. É quando a euforia começa.
Não tens preconceitos de mostrar o teu corpo e o teu companheiro aceita te como és.
Não te preocupas com as tuas artroses ou artrites quando fazes amor ou experimentas posições novas. Ou até mesmo quando decidem fazer aventuras ou realizarem fantasias.
Ficas euforica, como uma adolescente, aproveitas todos os minutos, rejuvenesces.
Vives a tua vida sexual de forma diferente, mais calma, mais sedutora.
Procuras prazer em pontos que julgavas já não ter. Dedicaste a dar prazer ao teu companheiro e esqueces te de ti.
Sendo a dedicação reciproca.
©Lola 2017 #69Letras

Quando perdemos o amor próprio…

É triste este se evaporar.

Deixarmos de nos valorizar em prol do nosso amor por alguém..
E eu nem lhe chamaria assim…

Amor esse que só faz chorar…
Que em vez de palavras de carinho, te ofende, te chama nomes (e não daquela forma prazerosa), mas sim para humilhar, magoar, desrespeitar..
Que no lugar de uma carícia, te dá um estalo, atrás de estalo…
Que te humilha em público e entre quatro paredes…

Isso é amor?
Não! É triste, muito triste…

O amor é o oposto..
É cuidar, é dar, valorizar e tentar não magoar…
E se é impossível não o fazer, então que seja de outra forma…

Porque o amor não nos torna perfeitos e livre de erros…
Mas erros desses, de fazer da pessoa amada um saco de pancada e de ofensas, para mim é excesso de cobardia e maldade.

O amor serve para nos fazer felizes, nos completar e fazer sorrir dia após dia…
Não acredito numa relação violenta, aliás, não aceito!

Como eu queria poder mudar o mundo e essa realidade..
Mas não passo de uma mulher que vive intensamente o amor e a amizade.

Tão real,
Tão desolador,
Tão actual nos dias de hoje e cada um de nós se pensar bem, já viveu ou conheceu essa realidade por outrem…

E se é revoltante pela falta de sentimento, é ainda mais triste ver que a pessoa que se sujeita, perdeu todo o seu amor próprio.
E penso que até pode suar a clichê…
Mas se não nos amarmos, como alguém poderá fazê-lo?!

Por isso, faz um favor a ti, a mim e a todos..
Livra-te disso e valoriza-te!

Vany #69Letras

Carta de Amor

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Eu sabia que seria apenas depois de te teres ido embora que iria perceber a completa extensão da minha felicidade e, alas! o grau da minha perda também. Ainda não a consegui ultrapassar, e se não tivesse à minha frente aquela caixinha pequena com a tua doce fotografia, pensaria que tudo não teria passado de um sonho do qual não quereria acordar. Contudo os meus amigos dizem que é verdade, e eu próprio consigo-me lembrar de detalhes ainda mais charmosos, ainda mais misteriosamente encantadores do que qualquer fantasia sonhadora poderia criar. Tem que ser verdade. Martha é minha, a rapariga doce da qual todos falam com admiração, que apesar de toda a minha resistência cativou o meu coração logo no primeiro encontro, a rapariga que eu receava cortejar e que veio para mim com elevada confiança, que fortaleceu a minha confiança em mim próprio e me deu esperanças e energia para trabalhar, na altura que eu mais precisava.

Quando tu voltares, querida rapariga, já terei vencido a timidez e estranheza que até agora me inibiu perante a tua presença. Iremos sentar-nos de novo sozinhos naquele pequeno quarto agradável, vais-te sentar naquela poltrona castanha , eu estarei a teus pés no banquinho redondo, e falaremos do tempo em que não existirá diferença entre noite e dia, onde não existirão intrusos nem despedidas, nem preocupações que nos separem.

A tua amorosa fotografia. No início, quando eu tinha o original à minha frente não pensei nada sobre a mesma; mas agora, quanto mais olho para ela mais esta se assemelha ao objecto amado; espero que o rosto pálido se transforme na cor das nossas rosas, e que os braços delicados se desprendam da superfície e prendam a minha mão; mas a imagem preciosa não se move, parece apenas dizer: «Paciência! Paciência” Eu sou apenas um símbolo, uma sombra no papel; a tua amada irá voltar, e depois podes negligenciar-me de novo».

Eu gostaria imenso de colocar esta fotografia entre os deuses da minha casa que pairam acima da minha secretária, mas embora eu possa mostrar os rostos severos dos homens que reverencio, quero esconder a face delicada da minha amada só para mim. Vai continuar na tua pequena caixinha e eu não me atrevo a confessar a quantidade de vezes, nestas últimas vinte e quatro horas, que tranquei a minha porta para poder tirar a fotografia da caixa e refrescar a minha memória.

Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays

Fotografia: Via Pinterest