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DÓI TANTO!

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Dói tanto, mas tanto…
Conduzir em direcção diferente…
E no banco do pendura…
Ter-te de mim tão ausente…
Dói tanto, mas tanto…
Não poder inverter a marcha…
Que vontade de te esperar…
À porta de tua casa…
Dói tanto, mas tanto…
Conduzir em sentido oposto…
E não poder controlar…
As lágrimas no meu rosto…
Dói tanto, mas tanto…
O caminho que agora faço…
Que me distancia…
Cada vez mais do teu abraço…
Dói tanto, mas tanto…
Enfrentar esta noite vazia…
Onde eu só penso em ti…
Até ao amanhecer do dia…
Dói tanto, mas tanto…
Não consigo suportar…
Saber que amanhã…
Não te vou poder beijar…

POETA SOLITÁRIO

Vamos aproveitar… abraça-me forte!

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Fotografia: Jürgen Vollmer – Paris, 1960

 

Aproveita esta noite e ouve o quão alto fala o meu coração, mas não uses os ouvidos não, porque ser-te-á tudo revelado num beijo.
Vamos sentar-nos frente a frente, olhos nos olhos, mãos com mãos, corpo com corpo, lábios nos lábios e amar-nos sem medo de nos perdermos amanhã.
Hoje, aqui e agora, consome os meus sonhos através de um beijo, sente tudo o que o meu coração não te diz num simples e apaixonado beijo e deixa-me ouvir as respostas na ponta da tua língua a devorar a minha.
Vamos aproveitar a noite, e depois de tudo dito, abraça-me forte!

 

A Vizinha

A noite é testemunha da dor

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A noite é testemunha da dor que carrego no peito,
da vontade de ser feliz e não conseguir,
das tentativas frustradas de agradar os outros,
de querer vencer e sair sempre perdedor.

A noite observa em silêncio a solidão
que é presença activa nos meus dias.
Conta as lágrimas que fluem dos meus olhos,
frutos do terror de pressentir mais um amanhã,
igual a tantos outros.

Sinto-me um inútil, perdido, injustiçado,
sem esperança de um destino melhor.
No meu peito restam as cinzas
de uma chama que em tempos ardeu,
quando eu era feliz.

ZEUS

Sou uma pessoa e não posso sentir?

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A alma parte, o coração deixa de bater e o corpo esfria, e o teu coração fica vazio.
E tu, és obrigada a partir também, seguir em frente ‘dizem’. Mas seguir para onde?
De repente, tu tens de fingir que não é nada contigo e a encarar a morte de quem sempre ocupou o teu peito como algo banal. Natural! Porque a vida continua ‘dizem’ eles. Continua para onde?
De repente, chorar, pensar nele, não faz sentido, não o deves fazer, porque sofres, ‘dizem’…
O quê? Não posso chorar a partida do meu amor?
Não posso falar dele? Não posso reviver o passado, umas, duas, infinitas vezes porque me faz mal e tenho de seguir em frente?

Espera!
Sou uma pessoa e não posso sentir?

Não posso chorar, espernear, desesperar, sonhar, questionar e gritar a dor que tenho dentro do peito? Dor que se vê no olhar e na ausência do sorriso?
Um dia… ele já não vai estar em mim… ou tão em mim.
Hoje ele está e eu vou chorar, sentir e sofrer a sua partida.
Eu quero sentir. Quero!
Quero sofrer. Chorar. Reviver…. simples acções que me fazem senti-lo por perto…
Seguirei em frente quando me quiser soltar…. mas não é hoje, ou amanhã!
Não abro mão de o deixar de sentir…

© Cátia Teixeira 69 Letras 2015

Deixas os meus olhos fazer amor com os teus?

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Olhar.
Olhar para ti.
Se eu pudesse os meus olhos só te veriam a ti, hoje amanhã, depois de amanhã e todos dias que sucedem a estes.
Se eu pudesse nunca mais tiraria os meus olhos de ti.
Deixas?
Deixas-me perder? Perder no teu rosto, mas sem pressa?
Posso passear-me pela tua barba e entre labirintos cerrados quem sabe mergulhar nos teus lábios e deleitar-me com o abraço dos teus lábios por toda a eternidade?
Se não for eternamente pode ser um
Dois
Três dias, até te perderes na contagem? Deixas?
Deixas os meus olhos fazer amor com os teus?
Deixas que eles se reconheçam, se entendam e se percam a percorrer as nossas almas?
Permites-me sorrir, só porque te vejo sorrir?
Queres sorrir porque me ves sorris sob o teu sorriso até nos perdermos em sorrisos, apenas porque sim, apenas porque estamos ali… a olhar um para o outro?

© A vizinha 69 Letras 2015