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….Tanto de Nós …

Entorpecido que estou…
Depois de te voltar a ter,
Sem na verdade ser teu …
Ou o teu ser , ser meu.

Encaixamos na perfeiçao …
O teu eu que não é meu,
Todo o meu sentir por ti,
Na tua vontade de me ter.

A tua frase que em mim fica…
Que eu sou um ser igual ao teu!
O teu ser que quero  Meu…
Somos um do outro sem o ser…

 

©Read Mymind  2017 #69Letras

 


A Alma Gémea – Por Miguel Esteves Cardoso

 

A Alma Gémea

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Nenhum sonho custa tanto a abandonar como o sonho de ter uma alma gémea, nem que seja noutro canto do mundo, uma alma tão perto da nossa como a vida. O que é a alma? É o que resta depois de tudo o que fizemos e dissemos. Podemos traí-la e contrariá-la, mesmo sem saber, porque nunca podemos conhecê-la. Só através duma alma gémea. Fácil dizer. Agora como é que consigo falar?
As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas que reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde nunca tínhamos conseguido voltar.O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indecifráveis da nossa existência. Não muda, não se mostra, não se dá a conhecer. O coração ama. Mas é na alma que o amor mora. Todos os amores. Toda a vida.
A alma deixa o coração à solta, como tonto que ele é, e despreocupa-se e desprende-se do corpo, porque tem mais que fazer. E o que faz a alma? Mandar escondidamente na parte da nossa vida que não tem expressão material ou física. Está mal dito, mas está certo, porque estas coisas não se podem sequer dizer.O quem e o quê não lhe interessam. A alma não deseja, não tem saudades, não sofre nem se ri; a alma decide o que o coração e a razão podem decidir. A alma não é uma essência ou um espírito; é a fonte, o repositório, a configuração interior. Expressões horríveis, onde as palavras escorregam para se encontrarem. Só resta repetir. A alma é de tal maneira que é aquilo, exatamente, de que não se pode falar.
A não ser que se encontre uma alma gémea. Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção.

(…) O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É poder descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela. Os melhores ainda são aqueles que a deixam a Deus.
Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. Ou seja: é a prova de que a alma existe. Não faz nem diz o mesmo que fazemos e dizemos — mas tem uma forma de fazer e dizer tão parecida com a nossa, que deixa de interessar o que é dito e feito. Uma alma gémea faz curto-circuito com os fusíveis corpo/coração/razão. Não é o «quê» — é o «porquê». O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o «não ser preciso falar» – é outra forma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.

Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. O coração pára de bater. A existência é interrompida. No abraço do irmão, do amigo, da amante, há sensação, do corpo, do tempo, do coração. Há sempre a noção dum gesto posterior. No abraço de duas almas gémeas, mesmo quando se amam, o abraço parece o fim. Uma pessoa sente-se, ao mesmo tempo, protegida e protectora. E a paz é inteira – nenhum outro gesto, nenhuma outra palavra, é precisa para a completar. Pode passar a vida toda. Não importa.

Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença.

Miguel Esteves Cardoso

Fotografia: Via Pinterest

Um beijo doce e intenso do teu “Amore”…

Continuamos dois estranhos, dois Yin e Yang de incompatibilidade compreendida, sem ódio nem mal desejável… apenas fica o amor que entre nós durou e que gostaria que tivesse perdurado…
Amei-te mesmo sabendo que ainda o amavas, desejei-te mesmo me sentindo indesejável, venerei-te mesmo sabendo que apenas me respeitavas… foi duro, difícil mas de uma coragem tal que para o teu bem preferi dizer que apenas o amor entre nós acabou… é mais fácil para os outros compreenderem que o amor acabou, do que entenderem que terminar uma relação pelo amor por ti ser tão forte, que para pudesses ser livre e prosseguir a tua vida eu tive que te deixar ir, mesmo te amando como dificilmente amarei alguém… Não foi, não é, nem será fácil te esquecer pois em muitas das flores que hoje cheiro, em muitas das cores que deslumbro, em muitos tragos que saboreio, em tantos perfumes que exalo, tu estás lá tão presente e tão única…
Sim, fico contente pelo teu filho, teu maior desejo, desejo esse que te neguei pois não queria ser apenas pai mas sim o Pai! Não sei se és feliz, nem se fazes alguém feliz, pois há mais de 3 anos que nada sei de ti… E eu cá estou, sozinho nesta cama, viajando todas as noites para um sono que começa a fazer sentido, onde o desejo de encontrar a chamada alma gémea vai crescendo e com vontade de singrar…
Sabes, daria tudo para saber se estás bem, se os teus olhos ainda brilham, se a tua pele continua macia, e se o teu sorriso ainda me encanta… No fundo quero isto tudo mas também quero que sejas feliz, por isso vai e segue a tua vida, sê feliz da maneira que nunca foste comigo…
Um beijo doce e intenso do teu “Amore”…

O Vizinho #69Letras