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No museu. Conto.

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Fotografia: Via Pinterest

A noite no museu.
Podia estar a falar do filme, mas não. Estou mesmo a falar de nós.
Naquela noite as estátuas e as obras em exposição não passaram de peças com um passado encerrado. Naquela noite no museu o nosso passado atraiçoou-nos e fez-nos voltar no tempo. Uma vez no passado, a única arte que ganhou vida naquela noite no museu foram os nossos corpos.
Como nos amámos! Amámo-nos como se o que um dia foi o nosso passado ainda fosse o nosso presente com um pé no futuro. Como se nos amassemos todos os dias até então…
Na biblioteca de museu fizemos inveja aos livros à muito encerrados nas estantes cheias de pó, a sala de audiovisuais teve pela primeira vez motivo para se encher de publico, palmas, emoção e tesão. Foi uma peça cheia sobre amor, reencontro, saudade e o erotismo daquele primeiro toque, doce, como se da primeira vez se tratasse.
Tanta ansiedade na respiração. Quanta curiosidade na ponta dos dedos?
Redescobrimo-nos como se aquela fosse a nossa primeira vez. E foi. A nossa primeira vez, voltamos a viver, o sangue a correr no instante em que os nossos olhares se tocaram.
À noite no museu, como dois agentes infiltrados, a evitar as câmaras e a amarem-se nos ângulos mortos para que os seguranças não nos apanhassem.
Loucura.
Somos loucos.
Loucos pela loucura e loucos um pelo outro.