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Traição, prazer e perda!

Tudo aconteceu num célebre dia em que vieste esperar-me…

Sabia que mais tarde ou mais cedo iria acontecer, não podíamos resistir!
Já há muito que os nossos olhares se deliciavam ao vermo-nos, já há muito que os nossos lábios se mordiam, desejando que se tocassem, ansiavam pelo sabor um do outro, as mentes, essas então…
oh!…como trocavam mensagens!!!!
…falavam pelo ar horas e horas, a trocar desejos, a trocar palavras, doces, atrevidas, pecados desejados de ser cometidos.
Acabou por acontecer…
Ligaste me a dizer que estarias à minha espera à saída do trabalho, lembro me que melei o MEU corpo de um perfumado creme para te viciares nele, para que as tuas mãos ao tocarem no MEU corpo, ficassem com o MEU cheiro , pois o desejo cegava-nos!
Sabíamos que não era devido, mas essa atração “carnal” era mais forte e fomos embalados pelo momento , adormecidos do mundo exterior .
E nesse momento, o mundo, sei que parou de girar, éramos só nós.
Não havia medo,
Não havia mais ninguém, estávamos liberados para cometer os maiores pecados da luxúria e adultério.
As pernas tremiam-me, não sei se pela adrenalina de tesão ou simplesmente por medo.
Quando entrei no teu carro o MEU corpo reclamava pelo teu, gritava para que o teu se colasse ao meu e fossemos possuídos pelo desejo de pele com pele, provámos o sabor dessa traição, e como a degustámos!!…estávamos conscientes disso.
Cada vez que nos beijávamos e em que a tua língua sabia cada recanto MEU, percorrendo o MEU corpo, só existíamos tu e eu, a consciência adormecia e permitia irmos ao limite dessa luxúria de prazeres, desejos que tanto reclamávamos há muito.
Este ritual permaneceu por vários meses e onde muitos dos quais fomos penalizados , quando essa consciência acordava e penitenciava-nos! Era duro e as lágrimas corriam o MEU rosto cada vez que nos despedíamos e que no dia seguinte éramos apenas conhecidos.
Como doía!
Doía, não poder gritar ao mundo que tiveste em mim e eu fui tua.
Invejava, quem via o teu sorriso todos os dias.
Invejava, quem todos os dias dormia a teu lado .
Invejava, o lençol que te cobria.
Invejava, as mãos que tocavas.
Invejava a natureza que te contemplava, o vento que acariciava a tua pele.
Mas, o fim acabaria por chegar, sei que nunca sairias da tua zona de conforto, a que mantinha o teu estatuto, eu era outra zona de conforto, FUI, o conforto da recepção ao TEU corpo.
Fui o conforto de te manteres vivo e de provares a ti mesmo que eras desejado, que foste idolatrado, porque soubeste que te cheguei a amar, não foi só sexo, foi muito mais que isso.
Disse-o várias vezes, provei que sabia amar.
Provoquei-te todas as vezes que podia ou mesmo não podendo fazia-o, tu vacilavas, sempre, adoravas ser comandado, assumiste-o!
Tinha dado a conhecer-me demais e aos meus sentimentos, mas não tive maneira de os esconder, transbordavam por cada canto do meu ser.
Sabia que nunca irias tomar uma outra postura, mas andava louca por ti! Nunca tinha cometido adultério, nunca tinha sido jogo de seduções, entre duas pessoas que amava de maneira diferente, perguntava a mim própria:…”como és capaz? À tarde és amante, és demónio de prazer sexual e de noite viras mãe, esposa, empregada, cozinheira…”.
Tudo, o que lá no fundo não tinha qualquer compensação.
Mas como tudo se esgota, terminou, não sei como, não sei porquê? Mas, deixámo-nos de procurar, só os olhares continuavam e continuam em desespero (assim parece) e o resto em Ti, não sei!
De mim sei que foste uma das melhores coisas que me aconteceu e a pior também.
De mim sei, que esse desejo de ti, vive alimentado da ânsia de um dia te voltar a ter, colado a mim, corpos unidos e suados. Chama-se esperança, agora, esse desejo de ti…que ainda me tira a razão e a terra por vezes deixa de ficar firme, quando ainda te vejo.
Regressando ao passado, de novo, recordo…
Esse desejo que preencheu as nossas almas e as nossas falhas, que vivia e escondia-se entre becos sem qualquer saída, entre fugidas e partidas onde provámos o sabor intenso da loucura total, e se perdeu a sanidade tantas vezes!
Desinquietei-te vezes sem conta, porque desinquietavas-me com um simples, teu olhar e toque de pele!!
Apetecias-me a todo o instante, acabando por ser sempre, eu, a mais ousada.
Sabes?!…Hoje cometeria o mesmo pecado! Existem pecados que só se salvarão quando reiterados e o que nunca foi permitido torna-se mais desejável.
Foste e serás o MEU fruto proibido…e eu?
…o que fui para ti?
Teria sido eu, um dos teus pecados preferidos?
Neste desfecho, derramo lágrima por lágrima nas recordações e no teu silêncio leio todas as tuas palavras, ele traduz o fim de um tempo.

#Miss Lost 69Letras ® 25.02.2017