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Gritos de ajuda manchados a sangue

Não sirvo para nada!

Mais vale morrer!

Sei que não passam de ruídos de fundo para a grande maior parte de vocês.
É tão mais fácil ignorar e continuar com a nossa vidinha para a frente. As nossas listas intermináveis de afazeres e as infinitas questões sobre o menu da noite ou a cor da roupa a usar. Futilidades… e no entanto ocupam as nossas mentes e corações.
E tudo em prol dum bem maior, claro! O carro com mais extras, o computador com mais bites…
A comodidade de fechar os olhos aos barulhos que nos rodeiam, os gritos de ajuda…
Mesmo assim aposto que a maior parte de vocês, mesmo depois de lerem o que acabei de escrever, estão a ponderar em passar à publicação seguinte. Pode ser que isto vos mude a opinião…
E talvez ponderem de novo em permanecer até ao fim desta minha tentativa de vos acordar!

 

Agora imaginem ouvir as mesmas palavras mas proferidas por uma criança de 10 anos ou adolescente de 16 anos…

O caso muda de figura, não muda?
A inocência duma criança corrompida pelo negro e podre da sociedade que a rodeia.
Logo numa criança, símbolo de alegria e pura felicidade, como é possível?
Como se permite o consumo de tanta dor, escuridão, sofrimento a um ser tão fragil e vulnerável?

Momentos de pura solidão nos caminhos mais escuros da sociedade que se arrastam por anos. O corpo cresce assim como a alegria espontânea e natural desaparece.
A pele torna-se impermeável à sensibilidade e toque humano. O coração esconde-se por detrás duma armadura de atitude agressiva e rebelde.
Deixa-se de falar em sonhos e contos de fadas para se cuspir ameaças envoltas em defesa.

O que outrora fora uma criança doce, hoje é lixo da sociedade.
Não passamos de vitimas da toxicidade humana defeituosa…

Mas tornei-me imune. Virei superior a isso, das minhas cicatrizes prefiro virar lições de vida.
Aprendi que era muito mais que uma delinquente rebelde sem nada para dar!
Rebusquei nas minhas entranhas amor para dar. E até aprendi a ouvir em compensação por puder falar em vez de gritar. Como se me ressuscitassem das cinzas duma infância destruída. Nasci eu. Miss Steel.

E vocês? Membros da sociedade em comum e responsável? O que vão fazer? Continuamos nas lista de afazeres? Ou educamos membros uteis à sociedade?
Para já acordem! Vejam dentro dos vossos lares, olhem para os vossos filhos.
E depois, o amanhã talvez tenha esperança.

 

©Miss Steel 69letras 2017