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A nossa cama não é mais a mesma.

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Nos seus tempos de glória, atraía-me sempre que a fisgava pelo canto do olho.
Seduzida por ela, atirava-me para o colchão e desafiava-te a amares-me novamente.
A nossa cama escolhida com tanto desejo revelou-se cúmplice do encaixe perfeito dos nossos corpos, os lençóis cheiravam à nossa paixão e foi neste colchão que por tantas horas as nossas almas deram as mãos e comunicaram no silêncio dos corpos cansados.
Desde que partiste, a nossa cama nunca mais foi a mesma. Também ela me abandonou.
A cada dia que passa torna-se maior, já não me embala nem me seduz.
Sou engolida pelos lençóis no vazio da cama, o frio impera e o meu corpo encolhe cada vez mais pela falta do teu abraço.
Outrora esta cama foi palco do nosso amor, hoje, já nem ela sabe o que isso é.

Quero um abraço que me deixe libertar

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Sei do que estou a precisar.
Sei o que me está a fazer falta, mas desconfio que se o fizer irei desfazer-me em lágrimas e receio, sozinha não ser capaz de suportar.
Pudesse eu, largar esta dor num abraço quente, mas onde paira este abraço que tanto preciso, quem o carrega?
Onde está quem se deixe afogar nas minhas lágrimas?
Quero um abraço que me deixe libertar.
É numa falésia que gostaria de estar neste momento. A ver o mar e a ser apaparicada pelo vento. (Quero o vento gelado no rosto e o céu cinzento a sombrear o mar revolto do inverno).
Vou fechar os olhos e ouvir-me. Vou ouvir tudo o que não digo, tudo o que não escrevo e o vento vai levar para o mar as lágrimas salgadas que me lavam a cara.
E de repente o teu abraço surgirá por trás… viras-me para ti e seguras o meu rosto com as mãos largando um leve beijo nos lábios…
Quando não existir mais lágrimas, em silêncio iremos tomar um banho quente, e já na cama… serei embalada pela melodia da tua respiração…
© Cátia Teixeira 69 Letras 2017

Onde quero estar.

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Hoje perguntaram-me para onde eu gostaria de ir.
Respondi que gostaria de ir até um país qualquer com belíssimas praias paradisíacas.
Esta, foi a resposta que dei através dos lábios.
Sabes o que respondeu o meu coração?
Quero ir para os teus braços, é o único paraíso para onde quero viajar e quem sabe até, talvez morar.

Por ti o tempo que o sol demora a dar lugar à lua, compensa a espera.

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Espero.
Por ti!
Por ti o tempo que o sol demora a dar lugar à lua, compensa a espera.
Por ti eu espero.
Logo
Logo, tu vais chegar com o brilho das estrelas a reflectir no teu olhar.
Daqui a pouco a lua sobe ao céu e tu vens com o teu sorriso encantado.
Por ti, controlo as saudades mas só até me colar ao teu corpo, aí, solto a respiração desenfreada no teu pescoço.
Por ti, eu espero.
Por ti, vejo as árvores despirem-se, o vento a levar as suas roupas e a chuva a devastá-las, pois tu vens com o primeiro raiar do sol apaixonado da primavera.
Tu és a primavera, neste inverno.
Por ti, espero e sorrio, mesmo quando o frio gela a minha pele e à minha volta todas as sombras têm o calor de um abraço.
Eu não quero um abraço, quero o teu abraço.
Por ti, a eternidade é o tempo certo para te esperar.
Sabes?
Já consigo ouvir os teus passos num cantinho do meu coração.
Não tardas!
Eu, não vou a lado nenhum, e aqui sentada a observar a mudança das estações, espero a primavera, vestida de paixão para te tornar verão.
Quando chegares seremos mais quentes que o sol.

Gélido coração que pela espera anseia.

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Gélido coração que pela espera anseia. Na inquietude da incerteza meu pensamento vagueia, como se o que se toma entre vales perdidos, não mais volta de coração pleno. Quando o mundo se funde no infinito e o mar acaba, pelo teu abraço e teus beijos, deitado no batel da vida, formo poemas em forma de esperança.
Que um dia unidos, e no meu leito te tome, meu gélido coração, se derreta e no vermelho do calor, te tome como certa.
O Inquilino

?A vizinha #69Letras

Deixas os meus olhos fazer amor com os teus?

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Olhar.
Olhar para ti.
Se eu pudesse os meus olhos só te veriam a ti, hoje amanhã, depois de amanhã e todos dias que sucedem a estes.
Se eu pudesse nunca mais tiraria os meus olhos de ti.
Deixas?
Deixas-me perder? Perder no teu rosto, mas sem pressa?
Posso passear-me pela tua barba e entre labirintos cerrados quem sabe mergulhar nos teus lábios e deleitar-me com o abraço dos teus lábios por toda a eternidade?
Se não for eternamente pode ser um
Dois
Três dias, até te perderes na contagem? Deixas?
Deixas os meus olhos fazer amor com os teus?
Deixas que eles se reconheçam, se entendam e se percam a percorrer as nossas almas?
Permites-me sorrir, só porque te vejo sorrir?
Queres sorrir porque me ves sorris sob o teu sorriso até nos perdermos em sorrisos, apenas porque sim, apenas porque estamos ali… a olhar um para o outro?

© A vizinha 69 Letras 2015