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Tenho dias que respiro devagar

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Tenho dias que o calendário toma conta da razão, quando olho á volta e envolto no senão do que está á minha volta não faz sentido sentir apenas que somos uma voz na multidão. Tenho dias de cinzenta alma, cheia de coisas vazias, esperanças ocas de odes gentis em que te sentes e prazeres erguias para dar prazer a almas também como tu, apenas vazias. Tenho dias que acordado adormeço, sem saber ou sequer ter noção com que linhas me teço e por isso mesmo por aqui me deixo em portas de apreço contido em seios de acolher este tamanho desleixo. Tenho dias em que olho para o passado e fico na vontade colado de pensar que o passado não é mais do que um futuro camuflado de cheiro intenso a fado imaginado em casa em que me sinta aconchegado. E nesses dias de tempo não, viajo sozinho sem bagagem de mão, abandono o meu corpo e deixo me ir na perda da razão e fico ali apenas só e inerte á espera que aquilo que sinto seja apenas dor momentânea, apenas um resvalo do coração.Tenho dias sim que respiro devagar, como se voltasse a aprender a respirar para continuar a me conhecer e no meio do caos voltar a aprender a saber, o que é viver.

O Inquilino

Este é o último texto que te escrevo

Este é o último texto que te escrevo.
O último dos tantos que escrevi e tu nunca leste.
Esta é a despedida que nunca saberás que existiu.
Despedida que nunca irás ler ou ouvir de mim.
Mesmo que um dia leias tudo o que te disse em silencio ou dê som às palavras que nunca ouviste nunca irás conhecer a sua força a não ser que eu seja ou um dia tenha sido o que mais querias e tal como eu, não quiseste assumir.
Lembro-me do dia em que decidi mudar de Cidade. Muitas são as pessoas que me acompanharam, me fizeram rir, me fizeram bem, mas apenas uma senti que não queria abandonar, ou deixar para trás. Tu.
Tu, que tinhas acabado de entrar na minha vida,
Tu, de quem nada sabia,
Tu, que me conquistaste,
Tu, que nunca irás saber as lágrimas que verti enquanto te anunciava a minha partida e que de ti nunca iria esquecer.
Parti e deixei o meu coração para trás. Quando digo para trás foi em ti, contigo.
Um dia em tom de brincadeira disseste:
‘Miss Bruni vou roubar o teu coração’. – O que não sabes é que o fizeste antes sequer de pensares fazê-lo e ainda hoje o tens e nem fazes ideia.
Este é o último texto.
Aquela, foi a nossa última noite, o teu último respirar em mim, o último saborear do teu beijo, a última vez que olhei para ti de fugida com receio que os teus olhos encurralem os meus e descubram tudo o que neles escondo.
De ti me despeço.

 

© 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015


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Mesmo longe, consomes-me…

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Consomes-me.
Tu estás tão longe, que se tentasse ir à tua procura morreria de insucesso.
Mesmo longe, consomes-me.
A minha mente só se interessa por ti, pelas memórias que vivemos e pelas memórias que ainda vamos escrever. A minha cabeça descarta qualquer informação que não tenha a ver contigo, e mesmo esta distância, me faz estar contigo, 24 horas por dia.
Consomes-me.
Quando o desejo vem é a ti que o meu corpo chama.
Sem dar por isso, acorrentaste com uma qualquer matéria invisível as minhas mãos e partiste.
Quero aliviar este desejo mas sou incapaz, sou rejeitada pelo meu próprio corpo, corpo este que só por ti se interessa.
Consomes-me a mente, o corpo e a alma.
Pobre da minha alma, que vagueia por terras nunca exploradas, atravessa oceanos e agora anda perdida por águas frias à tua procura.
Nem a alma me quer. Até ela consumiste ao ponto de me abandonar em busca de ti.
Tens razão. Como é que eu não me tinha apercebido?
Tu estas em mim. Sim, eu pertenço-te.