O meu coração encolhe com a tua ausência

Pensei que serias a exceção pela qual tenho ansiado e aguardado. Confesso que acreditei que me irias segurar para nunca mais largares…

Que travo amargo é este que deixaste em mim?
O meu coração bateu o pé contra a consciente razão. O meu coração garantiu-me que juntos iríamos brincar com os nossos demônios, que iriamos estremecer todos os locais onde nos entregássemos à paixão e contaminar quem nos visse juntos pela carga energética que exalamos.
O que me deste não me chega. Não me basta. A minha fome não sabe o que é ser saciada e tu deixaste-me carregada de desejo.
Toco o meu pescoço, e ainda trago o teu toque. Faço pressão nos nódulos negros com que me tatuaste, e arrepio-me… os meus peitos endurecem… e desta forma invento a tua presença e tento colmatar a falta que me fazes. Vem! Vem antes que as tatuagens desapareçam, não as leves contigo.
O meu coração encolhe com a tua ausência, os meus olhos não têm expressão.
As memórias surgem na minha cabeça, e enlouquecem-me. Em curtas-metragens, assisto à arte que fizemos com os nossos corpos. Recordo-me, do momento, em que estava de joelhos diante de ti a envolver-te com os lábios sob o comando das tuas famintas mãos nos meus cabelos selvagens, e olhamo-nos, nos olhos. Por cima de ti, o céu tinha descido até nós, e quase que parecia que conseguia tocar também as estrelas com a minha boca gulosa. De volta aos teus olhos, sorrio. Sorriso que devolves com ternura, apenas por uns eternos segundos, até o teu rosto voltar a ser possuído pelo desejo que carregas.
Necessito de ti. Confesso. Este desejo descontrola-me e a tua ausência fere-me.
Devolve o sorriso que roubaste com os teus grossos lábios ao beijares a minha boca de menina.
Desliza a tua barba pelo meu corpo e deixa-me sentir novamente os teus dentes a morder o meu corpo… ainda tenho a cicatriz que me abriste. Ferida que lambeste, sugaste e me deste a provar.
Reprimiste o meu corpo para que não te tocasse, para que não te alcançasse, mas o meu coração apanhou-te… e por isso fugiste… volta…

 

A Vizinha

Fica |69Letras da Vizinha|

Meu amor!

Não partas. Fica. Fica comigo.
Quero que sejas meu. Quero que me tomes como TUA.

Depois de a noite ser consumada, e aliviarmos a tensão que nos martirizou nestes longos dias de espera, quero que saibas que não quero outras noites perdida noutros corpos.
Quero que inquietes o meu corpo, e que ele descanse em ti.
Hoje, sou prova física do crime que cometemos ontem. Deixaste as pistas espalhadas em mim… dorida e marcada. Adoro. Quero mais. Muito mais.
Não tenho palavras para descrever a nossa noite.
O cenário romântico onde nos despimos e o teu sexo animal, no meu corpo a rebentar de desejo, tornou-se o crime perfeito.
Tudo o que sonhei e desejei em segredo concretizou-se!
Hoje, a caminhar no meio da multidão, sinto-me a voar, sinto-me gigante, segura de mim. Sou uma mulher feliz, realizada, ontem fizeste-me Vénus!
Quero-te inteiro, sem reservas, sem medos, sem mascaras. Quero a tua pureza, mas quero e desejo ainda mais o homem devasso e negro, que tens dentro de ti. Dá-me o teu corpo. Dá-me a beber o teu sangue.

Fica meu amor. Fica com a mesma vontade com que me possuíste a noite passada. Não partas!

 

Vizinha #69Letras

Entreguei-me às tuas palavras

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A tua voz é de meter inveja aos Deuses.
Deitada no sofá, ás escuras, com o telemóvel entre o pescoço e a almofada, os braços caídos ao longo da cabeça, as pernas flectidas e ligeiramente abertas sentia a corrente de ar que sossegava a ânsia de te ter.
De olhos fechados a tua voz penetra a minha mente. 
Estiveste mais dentro de mim naquela noite, do que alguma vez outros o conseguiram fisicamente.
A tua voz, é quente, sedutora, suave mas penetrante, amável mas segura. Ela flui pelo meu corpo fazendo-o sofregar pela ausência da tua presença.
Entreguei-me às tuas palavras, e assim começou a viagem até alcançar o divino.
As travessuras que prometes fazer quando me possuíres novamente, fez-me enlouquecer!
Queres-me fazer tua e o calor que o meu corpo liberta admite submeter-se a ti. Já o está a permitir. 
Dou-me conta que inconscientemente aperto ambas as pernas para tentar acalmar as palpitações que me provocas… mas não dá! As tuas palavras controlam-me, comandam-me, imperam e acabam por vencer e sem aviso, inesperadamente ouves-me chegar ao céu.
Linda menina, agora vai dormir,disseste tu…

Alcançaste-me.

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Meia-noite, hora que apavora os cobardes, já me encontro no local combinado.
Não me recordo de ter visto um outro céu tão bonito.
Saí do carro e encostada, deliciei-me com a belíssima tela que aquela noite pintou para mim. O vento era acariciante, e soprava-me no pescoço como se me tentasse seduzir… Emociono-me a olhar para o céu ao notar que todas as estrelas vieram assistir ao nosso encontro. Esta ideia deixou-me nervosa. Ainda não tinhas chegado. 
Surges tortuosamente devagar. Estavas a observar-me. Em pensamentos agradeço ao vento por estar a brincar com o meu vestido fazendo com que balanceie e marque a minha silhueta. Acertei no vestido. Tecido fino leve modelito nem largo nem justo, a medida certa para o meu aliado (o vento) revele e esconda a acentuação das minhas curvas. De vez em quando, o atrevido do meu aliado, fez subir o vestido revelando as minhas coxas, e seguro-o com as mãos uns segundos e só o solto depois. 
Cada vez mais próximo de mim, sinto o meu estomago a contorcer. 
A menos de um passo do meu corpo, perdemo-nos no nosso olhar. Afastaste os meus cabelos rebeldes empurrados pelo vento dos meus lábios, onde te perdeste por segundos, devolvendo o teu olhar para as janelas da minha alma. Que olhar intenso. Não me recordo de alguma vez ser vista daquela forma. O teu olhar emocionou-me, percorreste a minha alma e surpreendentemente não tive medo. Tu viste-me. Alcançaste-me.
Suave, intenso, quente, sedutor assim foi o nosso tão desejado beijo. Os teus lábios nos meus, o teu coração a pulsar contra o meu peito fez com que deixasse de sentir o chão, o vento… tudo o resto. Se este momento fosse uma cena, apenas nós dois estávamos em primeiro plano.
Desacelerámos o ritmo das nossas bocas insaciáveis, diminuímos a temperatura do corpo e deitámo-nos sobre o capot do carro, lado a lado a contemplar as estrelas e no mesmo pensamento continuámos a realizar as cenas seguintes com a assistência das estrelas. Estavam tão acesas como os nossos corpos.
A firmeza deste desejo, confirmada pela longa conversa compenetrada que os nossos corpos tiveram enquanto nos uníamos pela boca, fez-nos adiar aquele momento que acabará por acontecer…

…pedes para que seja tua.

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Texto Erótico|M18|     Ainda tinhas clientes no bar quando me sentei na mesa no fundo da sala.
Sorris enquanto caminhas até mim pois sabes o porquê de estar ali, sozinha e perto da hora do fecho. Fechas a porta do bar levando contigo os últimos clientes, procuras-me e não me encontras.
Surjo noutro angulo, e enquanto me vês a caminhar até ti, dispo a gabardine, revelando a nudez do meu corpo, em cima dos saltos que me ofereceste. O teu olhar faísca anunciando o quão saudoso estavas das minhas curvas.
Puxas-me pela cintura como só um homem seguro de si o pode fazer. Cheiras-me o pescoço enquanto agarras o meu cabelo pela nuca. Olhas-me nos olhos, e no silêncio das palavras e no grito do desejo, beijámo-nos fervorosamente e sem dares conta, soltaste um gemido de satisfação por estar de volta… desejas-me! Eu sei.
Ataste-me ao pilar junto do balcão, de costas para ti, deixando os meus cabelos loiros e desalinhados cair sobre as costas e ao ouvido prometeste fazer-me pagar por te ter privado do meu corpo. Vibrei com a respiração dessas palavras.
Beijas-te todo o meu corpo apaixonadamente. Tocaste cada canto do meu corpo, como nunca o tinhas feito… percebi que estavas a memorizar cada pormenor, pois sabes que não tenciono voltar.
Afagas a minha nádega, e no meu ouvido afirmas que te pertenço. O teu domínio sobre mim, faz-me palpitar e ansiar pelo passo seguinte. Estava desejosa, que me fizesses tua.
A tua mão, firme, impiedosa e espaçadamente morosa e a tua dedicação ao centro do meu desejo fez com que rapidamente, atordoasses todos os meus sentidos. Perdi totalmente o controlo do meu corpo. Esgotaste o meu corpo, com a dança divina da tua língua e a ajuda dos teus dedos curiosos.
Partilhaste o sabor dos teus lábios num beijo ternurento, fazendo o meu coração bater de forma desconcertada. O que foi aquilo? Aquele calor no peito?
Desatas-me. O teu olhar revelava o brilho e a exaltação de uma criança. De costas sob a mesa de snooker, reconheces o calor que por diversas vezes te fez alcançar o céu e ainda com a respiração a descansar da viagem ancestral, pedes para que seja tua.

 

A Vizinha #69Letras

Tira-me o véu…

 

Tira me o véu .
Tira o véu que me cobre o rosto e vê o quanto ele esconde .
Vê as rugas que ficaram dos anos que foram passando .
Vê a mágoa que o meu olhar esconde , vê tudo o que não permito que ninguém veja .
Tira me o véu e olha me nos olhos com Amor e paixão .
Com o teu olhar desvinca me o rosto , apaga a mágoa .
Põe no meu rosto de novo um sorriso , uma nova vida .
Só o teu olhar irá conseguir fazer cair o véu .

Raven

Sigo, encharcada

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Que temporal. Estou solidária com o tempo. Tempestuosa. Está tudo molhado e eu incapaz de ter um pensamento assertivo.
Parei o carro, e oiço o som da água a beijá-lo. Aproveito o som e uso-o para sossegar a minha alma. Respiro fundo para me tranquilizar e eis que surge a tua sedutora mas firme voz, a ordenar que acalme a respiração, e assim manter os sentidos lúcidos, despertos e receptivos às tuas próximas investidas. 
Baixei a pala, para me olhar no espelho.
Os meus olhos imploram pelo teu olhar. As minhas faces estão rosadas pelo calor que liberto. Passo os dedos pelos meus lábios, mordendo-os… Um flash se deu diante dos meus olhos, e vejo-te. Vejo o desenho dos teus lábios e vejo-nos num beijo tão voraz, como se tentássemos aspirar a alma um do outro. Que combustão! As minhas mãos percorrem o meu corpo à medida que vivo a única memória que tenho de ti.
Olho para o banco do pendura, e o meu oração fez questão de gritar a saudade do teu colo, fazendo-me estremecer como se um relâmpago me tivesse penetrado. O meu peito aquece, a minha respiração acelera… a camisa já está desabotoada e o meu peito eriçado. E continuo a deambular naquela noite sem querer saber onde me encontro. Não interessa que esteja parada com o carro em quatro piscas, na berma da estrada. Este momento é meu. É onde te tenho. É nosso. Nada mais me preocupa, apenas o prazer que estou a sentir a delirar pela calorosa noite que o teu colo me deu.
Impressionante como as minhas mãos são astutas, e diretas . Elas percorreram caminho através da saia, e foram diretas à fonte. Fonte inesgotável de vida. De olhos fechados, estou de volta ao teu colo. Não me lembro de um lugar mais vibrante que aquele.
O teu cheiro e o respirar ofegante no meu pescoço… as tuas mãos a tornarem-me tua amante, os nossos lábios a tocarem-se na medida certa, o meu corpo a arrepiar-se a cada toque, fazem com exploda e insanamente os meus gemidos aclamem o teu nome. 
Abro os olhos, sorrio e repito o teu nome. Ainda está a chover. Está tudo molhado. Ligo o carro, e sigo, pela via encharcada.

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