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Há um lugar..

Há um lugar, onde todos os beijos são meigos e profundos.
Onde os lábios estão ardentes de desejo, e as línguas húmidas estão sequiosas de prazer.
É um lugar inerte, onde o choro dá lugar ao contentamento, onde os medos dão lugar à esperança, e onde os gritos dão lugar ao silêncio.
É um lugar secreto, onde as almas doridas e desalentadas, fecundam e prosperam no ninho da felicidade.
É um lugar de certezas, onde os campos são mais verdes, as águas são mais límpidas, e onde os pássaros cantam mais alto.
É o lugar das ilusões, onde a suavidade de um beijo é tão forte quanto um abraço.
É um lugar de magia, onde os corpos em chama se consomem em danças de luxuria, e os corações enamorados dançam valsas nupciais.
É um lugar único, despido, cru,  a quem alguém um dia …..chamou de Amor
#PSassetti 69 Letras® 25.02.2017

Balada de um fingido

Sou um fingido!
Na verdade todo o homem é um fingido,
mas eu sou o mais fingido dos homens.
Finjo que não te quero, que não te desejo..
Finjo que não estremeço quando ouso falar-te,
Finjo que não me excitas, quando me falas com essa voz doce que só tu tens
Finjo que nem sequer te conheço,
Finjo que não te adoro, que não te venero
finjo que não te amo… imagine-se….

Finjo…. finjo… finjo….

Na verdade estou cansado ser um um fingidor,
um patético fingidor que nem coragem tem de olhar te nos olhos, mas que abusa de ti em segredo, no quarto escuro do pensamento.

Finjo, na verdade nem sei porquê.
Finjo não me importar…
Mas… quem sabe se por vontade divina, ainda tenhas um fraquinho por mim.

 

PSassetti #69Letras

Um pouco de mim…

Se algum dia eu te beijar os sonhos sem te avisar, ou assobiar-te uma ode qualquer enquanto choras, não estranhes, na minha mente há mesmo lugar para esses devaneios.

Sabes, por vezes, até unicórnios enamorados vagueiam pelo meio das minhas frustrações, e isto, somente para me lembrarem, que afinal, a vida pode valer a pena.

Se porventura algum dia me vires tropeçar nos teus suspiros, ou mergulhar no mar profundo dos teus ais, não te aflijas, pois saberei lançar-te a ancora do amor, aquela nos salva, sem nos pedir nada em troca.
Mas se um dia me vires chorar de desilusão, por favor deixa que as minhas lágrimas me lavem o rosto, não as enxugues, não lamentes, não tenhas pena de mim, deixa-as livres de fazerem o seu caminho, deixa-as purificar-me a alma, pois só assim estarei verdadeiramente livre das minhas angustias.
PSassetti #69Letras

Capitulo #2 – O elevador

??? TEXTO ERÓTICO M¦18A

Terça-feira e  estava muito frio. Lá fora, a chuva fustigava fortemente a fachada. Passavam trinta e oito minutos das vinte e duas horas, estou certo da hora, porque me lembro de ter olhado para o velho relógio, da já extinta “Reguladora Nacional”, que adornava com excelência a padieira do elevador do átrio central, mesmo de frente para a porta principal.

Quando cheguei, o elevador estava parado no 4º piso. Sinceramente, nem sei bem porque resolvi chamar o elevador, dada a minha aversão a esta tecnologia claustrofóbica. Na verdade, talvez tenha sido pela hora tardia, ou pelo cansaço acumulado, ou simplesmente pelo ócio. Não sei, confesso. Premi o botão e esperei calmamente pela sua chegada. Estranhamente, permaneceu imóvel, quieto. Repeti, e mais uma vez o elevador não se mexeu. Parecia demasiado empenhado em provar-me que todos os medos que deposito nestas máquinas, têm afinal fundamento. Ri-me, num misto de irritação e talvez de alivio, e resolvi subir, calmamente, pelas escadas até ao 6º direito, apartamento que habito desde o final do mês passado.

Não conheço ainda os meus vizinhos, apenas um ou outro, com quem me cruzo pela manhã, enquanto corro para trabalho, mas sem espaço para grandes conversas, para além das triviais. Como é diferente a vida na cidade… Então para mim, um filho do campo, que cresceu livre por entre os riachos e os prados verdejantes, sinto-me enclausurado nestes castelos de betão, inventados para nos enlouquecer em surdina, desconexos de tudo, demasiado impessoais. O prédio era antigo e portanto mal insonorizado, recordo-me de ouvir algumas conversas, enquanto que subia a longa escadaria e passava junto das portas de entrada de cada um dos apartamentos, que pareciam não ter fim, dado o meu cansaço na altura. De súbito, há um som, que embora abafado, imediatamente despertou o meu interesse. Estava eu no 3º piso, e à medida que subia, o som tornava-se mais próximo mais presente. Caminhei devagar… Aquele som… Aquele som…. – “Raios! Outra vez…?”, pensava eu. – “Mas que se passa com esta gente?”, repetia na minha cabeça, enquanto que a curiosidade tomava agora conta de mim. Naquele momento, cheguei a pensar que o som, que me prendia a atenção, chegava novamente do 4º Esq., o que me fez corar de vontade, e desejar assistir, uma vez mais, a um momento que ficará para sempre gravado na minha memória. Mas estava enganado. À medida que me aproximava, ficava claro o porquê de o elevador ter permanecido imóvel. O som da minha atenção era agora mais audível, mais presente. Aquela respiração ofegante, misturada com os gemidos abafados, trespassava as portas do elevador e cravava-se agora em mim. Aproximei-me. Encostei o ouvido na porta. Queria sentir-me perto, como que presente no banquete que era servido do lado de lá. As minhas mãos estavam suadas, a minha boca abria-se inconscientemente a cada gemido que era proferido, o meu sexo começava a ter vida própria forçando de forma bem evidente as minhas calças justas. Do outro lado, ouviam-se sussurros: “Vem…. isso, …dá-me tudo, ….toca-me bem fundo….não pares por favor…… isso….”, enquanto que um gemido mais profundo me fez estremecer de excitação, de tal forma que, também eu, soltei um pequeno suspiro. Não os incomodei. Estava febril, doido de tesão e com a vontade imensa de entrar por aquela porta e juntar-me a eles. De os olhar nos olhos, de ver os seus rostos de prazer. Como eu gosto de rostos de prazer….como me fascinam…. Naquele momento eu estava com eles, separados por uma porta, mas estava com eles, imaginava-me com eles…

Na minha cabeça o cenário de fantasia era tão evidente, tão real. Ela estava a olhar-me enquanto que o seu parceiro a penetrava. Ela fitava-me… Chamava por mim, piscava-me o olho. Aqueles lábios vermelhos, carnudos, desejavam o meu membro rijo. Os seus mamilos hirtos, bem pronunciados, pediam a minha boca e a minha língua desejosa de lhes tocar. Eu estava doido… Do lado de lá, percebia-se agora que tinham acelerado, como que numa cavalgada final, em busca de um orgasmo há muito prometido. Estavam famintos, mas não tanto quanto eu. A entrega deles era agora total, no limite das suas forças. Eu, já há muito que tinha descido a braguilha e acariciava o meu membro sem pudor, sem constrangimentos. Acompanhava-lhes agora o ritmo, e esfregava-o com a mesma intensidade que os gemidos invadiam os meus ouvidos. Sabia que não aguentaria muito mais… o meu sexo estava enorme, prestes a rebentar, tal qual os orgasmos que se esperavam abundantes do lado de lá da porta, dada a cadência e intensidade que fazia ressonância em mim. Tentei segurar-me, aguentar um pouco mais, mas chegavam agora gritos de prazer, nada abafados, que me fizeram jorrar todo o meu suco naquela velha porta do elevador, enquanto que do outro lados os fluidos se tocavam cumprindo o que há muito tinham prometido. Estava estonteado. Todo o meu corpo tremia, como se estivesse a receber uma descarga eléctrica desde a cabeça até aos meus pés. Arranjei-me à pressa. Limpei a porta como pude e corri escadaria acima até ao sexto andar. Cá em baixo, o velho elevador retomava agora a sua marcha.

 

Capitulo #1 – Os gemidos do 4º Esq.

??? TEXTO ERÓTICO M¦18A

 

Os gemidos dela eram abundantes, cadenciados, desalinhados, livres. Tão livres que percorriam toda a escadaria de mármore antigo e ecoavam de forma ensurdecedora na velha porta de madeira de iroko, do numero 36 da Rua das Flores.

Quando entrei, fiz-lo em surdina e com o cuidado habitual de forma a calar o ranger denunciador da velha porta de madeira. Percorri calmamente a longa escadaria, com os ouvidos bem atentos aqueles gemidos e suspiros de prazer que por essa altura faziam já ressonância em mim, na minha pele, no meu rosto, nos meus lábios, deixando a minha língua inquieta e a minha boca seca de desejo.
Eu era novo no prédio, na verdade não conhecia ainda os vizinhos, com a excepção da Dona Ester do 5º direito que me brindou naquela manhã com um doce e nada esperado: “Bom dia menino !”.
Estava intrigado, pois se por um lado aqueles gemidos estavam a ter um efeito catalisador nas minhas vontades, por outro não sendo esperado, nem tão pouco habitual, não sabia como reagir naquela situação. Lembro-me que pensei recuar e sair dali calmamente e esquecer o assunto, mas na verdade, a minha ânsia de saber que estava ali naquele frenesim de prazer, fazia-me subir degrau após degrau em busca daquele som que à medida que eu subia se tornava cada vez mais próximo.
Quando cheguei junto da porta do 4º esquerdo, esta estava somente encostada. Estranhei… Naquele momento houve uma pequena trégua nos gemidos, foi como que se me tivessem pressentido. Imaginava uma cavalgada desenfreada pelos abismos do prazer dada a entrega que cada suspiro e cada gemido carregavam, uma vez que voltaram de novo e em força, como com um novo fulgor.
Abri ligeiramente a porta, espreitei através do pequeno corredor para o quarto ao fundo, onde no longo espelho podia agora ver toda a razão daquele momento. Ela, deitada na cama numa pose de submissão aparente, segurava fortemente os lençóis, enquanto que mordia ferozmente o seu lábio soltando, agora, gemidos abafados de prazer. Ele deitado sobre a cama, com a cabeça no meio das suas pernas, era o motivo de ela estar louca de prazer.
Deixei-me quieto, em silêncio, confesso que excitado, muito excitado, com o membro já bem pronunciado, a observá-los. A admirar como ela se contorcia a cada toque da língua dele, a cada movimento, a cada aperto nos seus mamilos rijos, a cada penetração dos seus dedos, até que por fim jorrou todo o seu suco de prazer naquela boca gulosa que sentia ser sua.
Se eles deram pela minha presença, não sei… Na verdade, gosto de acreditar que sim sempre que me cruzo com ela nas escadas e lhe digo delicadamente “Bom dia !”, pois na minha memória ficará para sempre gravado o som majestoso do seus gemidos, associados ao seu rosto de prazer quando jorrou..

Esse olhar…

E depois de tudo a única coisa que lembro é desse teu olhar.
Apenas desse teu olhar ….
Um olhar azul celeste, sedutor, promíscuo, faminto…
Só me lembro desse teu olhar carente.
Para mim, tu és esse olhar, um olhar profundo que me deixa constrangido… embora empolgado.
Só me lembro desse olhar único que me fez entregar-te tudo o que eu não sabia que tinha para dar, mas dei…. Sem reservas….
Mas sabes, dar-te-ia ainda mais, e todas as vezes que tu me pedisses assim, com esse olhar fixo e obcecado.
É esse teu olhar que procuro, quando em vão busco por ti nas minhas memórias, é esse olhar de pedinte que me exige resposta e não admite um não.
É esse olhar que me invadiu por completo, que se entranhou nos meus músculos, nos meus ossos, nas minhas vísceras e que me deu outras possibilidades de amar.
Um amar diferente, sem medo de enfrentar de frente o teu desejo através desse teu olhar maquiavélico e voraz.
E dou por mim a pensar no que quero…. no que desejo realmente…..no que aspiro….
E na verdade, apenas quero que tu me olhes…. dessa forma… perpétuamente…..