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“Em cima da cadeira de pele ficou um bilhete…”

Texto/Maiores de 18

5 da madrugada!
Depois de mais uma festa “daquelas” coube-me a mim, como Presidente fechar as portas do Motoclube.
A limpeza fica para mais logo uma vez que o cansaço venceu!
Ouço os últimos “rosnares” de escapes cá fora enquanto os meus “irmãos” mais resistentes abandonam o recinto.
Apagar algumas luzes, quase “jogar à macaca” por entre as várias garrafas espalhadas pelo chão para verificar se tudo fica minimamente no sítio. A música ainda toca, mas desta feita, num tom muito mais baixo.
Entro na sala onde nos costumamos reunir. A mesa enorme de madeira, cravada com as insígnias do Motoclube, as cadeiras que exalam o velho cheiro da pele, ainda estão cuidadosamente arrumadas à volta da mesma. Olho em redor, e no sofá do canto, algo fora do comum!
Aproximo-me lentamente…
O primeiro vislumbre são de uns arrojados cabelos escuros ondulados espalhados por toda uma vestimenta de cabedal bem junto ao corpo, quase como se tivesse mandado fazer aquelas roupas à medida!
Era sem dúvida uma mulher de motas!
Fiquei atónito!
Dormia serena, numa sensualidade selvagem (como seria possível depois de todo o barulho ensurdecedor da festa?) e com um leve sorriso nos lábios! Nunca tinha visto uma beleza assim!
Mas tinha de a acordar. Não podia ter uma estranha (e que estranha!) a pernoitar no Motoclube, muito menos na nossa sala privada!

Penso, mais uma vez para mim…
Hoje é dia de sarilhos.
Vou me vestir, sim vestir e pouca carne à vista. Hoje quero dançar beber e esquecer, o que quer que seja.
Estas meninas de clube, são boas raparigas mas eu não sou para isto.
Sinto que sou uma máquina, um potente cavalo para ser puxado, e com pouca quilometragem. E não. Não sou para qualquer um.
Só estou onde tenho de estar, pela minha presença, não pelas minhas cuecas no chão.
Embora meninas, seja feita a vossa vontade e iremos desfrutar de mais uma noite com os sagrados ‘’irmãos’’, de espirito rebelde e álcool no sangue.
Não variando, o som do Motoclube está sempre ao rubro e eu não aguento! É muito rock, é muito metal e também, muito olhar de lado, senhoras casadas.
Sigo como sempre, dentro do meu cabedal, no meu salto preto e cabelo ondulado…
O balcão é meu, o som é meu e sim os olhares predominam em mim…os bons e os maus…
Sou dura mas sou mulher…e como senhora que pretendo ser, sei me comportar.
Ao ver as minhas ‘’parças’’ caírem que nem tordos no chão, umas desapareceram e rezo que as veja amanhã, decido descansar o corpo num cantinho escondido, na esperança que a ultima se preocupe em me procurar, se quiserem ir para casa… o que elas entenderem com isso.

Ajoelho-me junto ao sofá, contemplando uma última vez aquele seu ar sereno. A julgar pelo tamanho dos seus saltos, tenho plena consciência que depois de a acordar, toda aquela calmaria se vai esvanecer, mas decido avançar.
Afinal de contas, o que se passa naquela sala, fica naquela sala!
Afago-lhe o cabelo com carinho e passo-lhe a mão no rosto. O meu polegar desliza delicadamente pelos seus lábios lascivos…
Instauram-se no meu corpo sinais de que tudo o que mais queria era possuir aquela mulher que se encontra diante de mim!
Fecho os olhos, ao mesmo tempo que a ponta dos meus dedos iniciam um processo de leitura Braille…
O cabedal que aperta os seus seios voluptuosos, o seu corpo completamente enaltecido pela forma como cuidadosamente escolheu aquele “dress code” fazem-me estremecer por dentro!
O meu desejo supremo é possuí-la ali!
Assim!
Despojados de vergonha e sem tabus!
Abro os olhos! E diante dos meus estão os seus, que olham para mim em perfeita sintonia e avidez!

Dei por mim a sonhar, e como é bom sonhar …estamos entregues ao subconsciente e descobri que o meu é um sacana!
A sonhar com o meu próprio adormecer, senti-me.
Toquei-me…(Não me perguntem como)
O meu coração saltava do meu peito sem eu dar por isso.
Num relance pensei…FODA-SE ADORMECI!
E de repente o meu coração parou, quando o vi tão perto tão junto de mim. Morri por instantes ao sentir o toque dele pelos meus lábios…renasci do meu próprio inferno…
Só imaginei o quanto me faria suar e suplicar-lhe por mais.
Rendi-me e num ápice, dois fogosos lábios se tocaram, sem nada dizer.
Que seria preciso dizer?
Ainda não o tenho e sei de antemão que igual não terei. Não esperei, e nem sequer pensei.
O que será será e hoje serás meu.
Agachado ao meu lado no sofá, não hesitei e com as minhas pernas o tranquei, os meus saltos prenderam-no.
Rapidamente o meu cabelo ondulado se transformou em algo selvagem….

Nossos lábios uniram-se num desejo mais que carnal!
Sinto a força das suas pernas enroladas no meu tronco puxarem-me para si! Adoro sentir-me preso pelos seus saltos e de um só movimento, saímos do sofá para cima da mesa!
Sento-a na mesa, abro-lhe apressadamente o casaco de cabedal, para constatar que apenas isso separava o fecho do seu peito!
Os seus rígidos mamilos ansiavam pelo toque quente da minha língua!
Obedeço piamente a esse chamamento e sinto-a gemer de prazer enquanto as suas mãos seguravam firmemente a minha cabeça e os seus dedos percorriam os meus cabelos!
Passo a minha mão no seu cabelo que sensualmente ostenta um punhado deles e lhe puxa a cabeça para trás!
Ouço outro gemido! Desta vez de dor e prazer, acompanhado de um “fode-me agora!”
Puxo as suas calças de cabedal para baixo e já não estou em mim! A realidade já não faz sentido e aquele momento é nosso!
Dispo as minhas calças!
O meu sexo anseia o seu!
Viro-a de costas para mim, cravo as minhas mãos nas suas ancas e penetro-a!
Dor e prazer misturados num só, num completo deleite mútuo! Já não estou em mim!
Pede-me para não parar!
Era tudo o que eu queria ouvir!

Não estava em mim…mas sim ele é que estava em mim. Embati com o rabo na mesa de madeira maciça, sem pedir perdão ansiei pelo meu sétimo pecado.
Não queria mais nada, neste momento a não ser ele.
Dentro de mim,
Bem fundo,
Sem dó nem piedade.
‘’Puxa-me o cabelo querido, portei-me mal …demasiado mal! Sei lá eu o que fiz…mas o que tiveres para mim eu aceito.
Crava a mão neste rabo e pergunta-me de quem é pois eu tenho resposta na ponta da língua para ti…’’
Sem dar por isso, também te quero ver delirar.
Enxuto o para trás, caindo redondo no sofá sem nada vestido.
‘’Desta vez sou eu de joelhos para ti’’- sussurro-lhe ao ouvido, descendo até os meus lábios molhados encontrei o seu pénis ereto, duro. Com uma doce lambidela um gemido saltou dele como sem igual… ele estava em êxtase, perdida estava no seu prazer.
Não demorei e para o seu colo saltei,
‘’faz-me estremecer, faz-me esquecer quem sou. Até quando quiseres, como quiseres.’’

Estremeço ao ouvir as suas palavras! Estremeço por sentir os nossos corpos como um só!
E a seu pedido, fi-la esquecer quem era. Esqueci-me quem era eu! Perdi-me no tempo. Perdi-me completamente a mim mesmo!
Até quando ela quiser…
Até quando quisermos…
Não sei já quanto tempo estivemos naquela “bolha” só nossa, mas o facto é que não queria acordar daquele “sonho”…
Deitados lado a lado no sofá, completamente encharcados em suor, fruto da nossa libido e de múltiplos e frenéticos orgasmos, olhámos um para o outro e sorrimos.
Sussurro-lhe ao ouvido:
-Fodemos que nem loucos! Levaste-me à loucura e testámos os nossos limites. E no entanto, nem o teu nome sei. A propósito, chamo-me Sin.
-Krishna- dizes em tom envergonhado com a voz mais sexual que ouvira até àquele momento.
Beijo aqueles lábios novamente num beijo demorado enquanto lhe afago o rosto…
O mais correcto seria dizer-lhe para se vestir e levá-la a casa de mota. No entanto, olhámos novamente um para outro e com um sorriso maroto onde se evidenciavam as suas covinhas, piscou-me o olho!
Retribuo o sorriso…
-Que se foda! Ser Presidente tem de ter as suas vantagens! Espero que não te importes de pernoitar mais uma vez neste humilde “hotel”!
Sinto as suas pernas enrolarem-se novamente a mim e a prenderem-me…
Aquela mesa de madeira maciça onde os meus “irmãos” e eu nos reunimos para discussões de assuntos do Motoclube…nunca mais será a mesma para mim…
Mas aquela noite…ahhhh aquela noite…
Ecoará para sempre naquelas paredes frias e cruas…e nunca esquecida por mim!

“Logo vi que tinhas cara de pecado, senti isso quando abri os olhos e te vi pela primeira, krishna é o meu nome…”
Não sei o que se passou, mas nunca tive quimica assim, nunca! Sabendo que ele é um doce, doce agridoce, não resisti.
Deixei-me levar mais uma vez por aquelas mãos fortes a puxar-me o cabelo, pela voz de homem a sussurar-me ao ouvido: “faz-me teu mais vez!”
“Sr. Presidente, penetra-me, sem rodeios. Faz perder-me outra vez..”
Depois de mais um tempo de suor e espasmos corporais… o seu corpo adormeceu.
“Por muito que nessa noite eu me tivesse apaixonado loucamente pelo sexo desenfreado deste presidente, a quimica entre os nossos génios é enorme em relação a tudo o resto e isso seria perigoso”, pensava eu enquanto lhe acariciava a face…
Vesti-me e descalça joguei à macaca para fora do clube.
Ele veio comigo, e sempre ficará.
Em cima da cadeira de pele ficou um bilhete…

“Sexo é fácil, dificil é penetrar-me o pensamento e abusar dos meus sentidos. Foste o primeiro…procura-me.”

Krishna 69 Letras®
7thSin✟ 69 Letras® 10.01.2017