Arquivo da Categoria: Bastardo

Penitência

Foste meu mais doce crime, hoje és minha mais tortuosa penitência.
Começaste por ser um capricho, uma tentação, uma glorificação das minhas habilidades de sedução, como eu estava enganado, no meio do meu convencimento e auto-estima masculina deixei-te ludibriar.
Não era eu, o mestre fantoche, eras Tu em todo o teu esplendor e beleza, perdi-me no teu beijo incomparável, no teu cheiro irresistivelmente tóxico e inebriante, no sabor da tua pele, do teu sexo viciante e envolvente
E, acima de tudo ajoelhei-me perante a tua insaciabilidade, a tua entrega total e desinibida ao acto de amar. Os teus sussurros de desejo ao meu ouvido que ainda me ensombram os pensamentos e, os sonhos que me inundam o corpo de suor nas noites mais solitárias.
Deixaste com os teus pés pequenos e delicados pegadas demasiado grandes no meu coração que por mais substitutas que procure ainda nenhuma as foi capaz de encher.
Até que aconteça. Vivo de memórias, de pormenores só nossos. Vivo na esperança que o que sinto seja também um espelho da tua alma, do teu coração, do teu corpo. Que por razões misteriosas o destino nos apartou, mas voltará a cruzar os nossos caminhos, desta vez para sempre.
Até lá respiro um fôlego de cada vez, lentamente um passo após o outro, um dia de cada vez, escondendo no fundo dos meus olhos a saudade do teu olhar único.
Tantas vezes o procuro na multidão, um destes dias, em breve, talvez o encontre.
©Bastardo 2017 #69Letras

A minha SOLIDÃO tão minha

Hoje para variar um pouco vou-vos abrir a minha alma, parte dela pelo menos.
Aqui há pouco tempo, alguém que nos segue na página e conhece a minha verdadeira identidade, pessoa que muito estimo questionou-me se não me sentia Só.
Quem me lê com alguma regularidade deve-me achar um tarado ou pervertido, quem me conhece intimamente sabe que apesar de florear algumas situações e, nunca mencionar nomes todas elas são biográficas e realmente aconteceram em algum momento da minha vida.
Posto isto passo a responder à questão.
A solidão para mim é uma escolha felizmente, não o resultado de algo nefasto ou cruel, como é óbvio.
Não nasci Bastardo.
Desde muito cedo que me sinto um homem de paixões, ou era tudo ou nada, entreguei-me sem restrições nem limites a todos os amores que tive fosse de forma inocente ou deliberada, tentava aprender com os erros anteriores e fazer melhor.
Todos nós sabemos que acabamos involuntariamente por cair nas mesmas armadilhas, nas repetições mais ou menos dissimuladas mas com igual resultado. Mágoa, dor, isolamento, incompreensão, perda de confiança.
Depois do meu último divórcio resultado da minha incontrolável libido e excesso de traições coloquei um basta. Fiz celibato durante perto de um ano e, resolvi renascer para mim próprio, Comecei por isolar o meu coração da mágoa, não falo em erguer muros e paredes que mais cedo ou tarde vão fracturar e cair. Refiro-me exclusivamente à parte dolorosa, alimento o meu coração com as amizades verdadeiras que me têm nutrido o espírito. Com novas amizades como as que descobri neste grupo, que me recebeu de braços abertos a mim e à minha mente devassa.
Alimento-me dos seres magníficos com os quais vou cruzando ao longo do dia a dia e que me mostram, que a humanidade não está totalmente perdida, perguntam-me.
E as mulheres?
As mulheres para mim são algo de maravilhoso, único, amo cada uma intensamente, a minha intenção é, e será sempre o seu prazer e dedico-me com todo o meu ser a esse objectivo, seja uma loura de manhã e uma ruiva ou morena há tarde ou à noite.
E…, não! Não é qualquer uma!
Essa fase passou-me logo aos vinte anos, agora no presente, têm que ter algo que me atice. Seja o olhar ou o sorriso, o cheiro ou o som da sua voz, a malícia ou provocação dos seus trejeitos.
Em dias de sorte tudo isto combinado com o órgão mais sexy que conheço e penso, que as meninas concordaram comigo.
O cérebro.
Vibro com a inteligência, excita-me a incrível capacidade que elas têm de dialogar quase sem falar, a forma delicada do olhar e a expressão corporal que quase inconscientemente me seduz.
É divinal!, Na verdade nem sozinho me sinto só, em casa tenho imensos diálogos unilaterais.
A minha loira de 4 patas ora concorda com os meus desabafos lambendo-me a cara efusivamente ora, discorda e dá-me pequenas marradinhas no toutiço, enquanto observo a imensidão da lua ou plenitude do oceano e absorvo deles a sua energia e paz.
Na verdade, sou uma mente plena de sentidos como todos nós mas no meu caso, meu corpo é uma prostituta de Elite que se dá, não por dinheiro mas algo muito mais valioso.
O prazer de dar prazer.
Grato por me aturarem.
©Bastardo 2017 #69Letras

In Pensamentos de um louco

Inócuo
Seres algo vazio sem sentido só porque sim,
Só porque à tua volta te pressionam e exigem,
Seguires as tendências,
Sem no fundo encontrares seja o que for que te identifiques,
Seres bombardeado incessantemente com efeitos visuais e sonoros exclusivamente
para te tornares mais um automatismo desta sociedade
que se degrada a cada segundo que o relógio assinala,
Tempo, esse ditador cruel que não se atrasa nem adianta,
Têm ritmo próprio, constante, rígido, directo,
Como tal faz a diferença,
Cria em ti a chama que alimenta a vida, a alma,
Ouve o que te emociona,
Lê o que te faz chorar e rir, pensar,
Vê o k te alegra, entristece, excita,
Te emociona, faz o que te dita a alma e o corpo
e transmite todas essas emoções a quem aborda,
Te rodeia, te escuta,
Tudo começa em ti, em mim, em nós, não sejamos inócuos,
sejamos transbordantes de emoções,
essencialmente de amor, amor ao próximo,
amor a todos os seres que nos acompanham neste berlinde azulado
Acima de tudo tenhamos amor, ao amor que damos e recebemos
e nunca sentiremos o vazio,
o frio do infinito, nada,
Assim sendo comecemos….
©Bastardo 2017 #69Letras

 

 

 

 

Ilustração: Artista francês cria universos de fantasia surreais inspirado por Hayao Miyazaki…

Ressaca de Prazer

TEXTO ERÓTICO M|18 󾬥 󾬥 󾬥󾬥 󾬥 󾬥
Sei que não estavas à espera de esbarrar comigo.
Amigos em comum causam estas situações inadvertidamente, embora nunca tenhamos sido mais do que amigos coloridos, sei que as coisas não ficaram resolvidas entre as nossas almas.
E, o ressentimento hoje fez-te passar da conta o álcool que o teu organismo suporta, talvez por sentimentos de culpa ou outro sentimento mais ou menos retorcido.
Resolvi responsabilizar-me por ti, tirei-te as chaves do carro no meio da tua teimosia elevada a gramas de vodka por litro sangue. Peguei-te ao colo e levei-te para o meu carro, despedi-me de todos e após te colocar o cinto no primeiro Km já ressonavas.
Meio nómada como és nem sei onde habitas agora, levo-te para minha casa, não te é estranha e quando acordares logo se vê.
Estaciono na garagem, pego-te novamente ao colo.
F@da-se. Pensei eu.
Para gaja que nem vou comer estás a dar muito trabalho. Sorri e continuei a provação sem nunca recuperares os sentidos. Felizmente és uma pena. Abri a porta com alguma ginástica e poisei-te no sofá, pus-me à vontade.
Afinal estou em minha casa, todas as tentativas de te trazer à consciência revelaram-se infrutíferas.
Bem, assim não ficas bem. Tiro-te a jaqueta ganga, o top preto. Que giro!
Soutien desportivo, por isso o teu peito parecia maior pensei (coisas de Bastardo tenham paciência). Desapertei-te os calções brancos semi transparentes e tirei-tos.
Hummm!!, este teu corpo continua divino.
Bem comporta-te, digo para comigo. Mais uma vez pego-te ao colo, levo-te para a minha cama e deito-te gentilmente, ponho uma almofada alta nas tuas costas para evitar que te vires e te engasgues no vomito.
Anos de experiência, já tenho mestrado nestas práticas, com uma toalha ensopada em água morna limpo-te a face e tiro-te a maquilhagem esborratada.
Sento-me no cadeirão enquanto acendo um cigarro, velo o teu sono profundo e menos ruidoso felizmente. Enquanto as baforadas se esgotam pela janela entreaberta fecho os olhos e recorro as nossas memórias mais quentes. O teu incontrolável desejo por sexo quase só comparável ao meu embora te queixasses habitualmente da minhas tendências ninfomaníacas.
É quase irónico sentir o teu cheiro preencher o meu quarto, quase automaticamente sinto o gosto dos teus lábios no meu palato.
Aquele toque de café e chocolate com pimenta, a delicadeza da tua língua enérgica a percorrer o meu corpo, descendo pelo meu peito na busca do meu membro que já há muito se ergueu em sinal de respeito pelo calor da tua pele na minha.
Os teus mamilos erectos que me criam arrepios de prazer e palpitações na glande ansiosa pelo céu da tua boca ávida  A forma serpenteante com que te levantas nua e provocadora, te viras de costas para mim, te dobras expondo completamente o teu ânus delicado e a tua vagina apertada e deliciosa a escorrer.
Seguras-me no pénis e dobras-o para ti e fá-lo desaparecer na tua vulva quente e aveludada, entrelaças os teus dedos nos meus e cravas as unhas no cabedal do cadeirão. Cavalgas em mim, primeiro a passo, depois a trote e ao te aproximares do orgasmo o galopar desenfreado.
Gritas e gemes efusivamente, por esta altura já meio prédio tinha acordado e com um estrondoso SIM!!, inundas-me a verga.
Literalmente corre leite de ti enquanto te arqueias em espasmos. Mordo-te o ombro combatendo o desejo de ejacular naquele momento, agarro-te pelos cabelos e beijo-te selvaticamente embriagado pelo desejo.
Coloco-te de lado, levanto-te uma perna que apoio no ombro e penetro-te entusiasticamente, quero-te ver gozar novamente, por pura maldade e provocação aproveito os nossos fluidos e ora te penetro os lábios carnudos roçando o teu clitóris entumescido e cutucando o teu ponto G ora, me forço delicadamente no teu ânus que aos poucos cede à pressão e me engole o marsapo sem sofrimento.
Antes pelo contrário, os teus gritos e investidas contra o mesmo demonstra que te enlouquece tanto como a mim. Vimos-nos desvairadamente. As tuas mãos seguram a minha anca para que deposite todo o meu clímax dentro da tua roseta.
É estarrecedor.
Ondas de luxúria percorrem-nos. Aconchego-me no teu dorso, uma versão em conchinha mas ainda com ele entalado. Nossas línguas brincam num beijo carinhoso e envolvente…
Abro os olhos.
Já é dia, vejo a tatuagem que adoro no teu ombro. Meus braços rodeiam-te, teu corpo encaixado no meu, meu pénis repousa no meio das tuas nádegas soberbas.
Sinto o calor dos teus lábios nos meus, teus olhos azuis miram-me provocantes, sussurra-me ao ouvido:
– Que bela cura para a ressaca de Vodka. Temos de ver se resulta com outras bebidas, Bastardo!
O sonho só acaba quando deixares de acreditar que na realidade tudo é possível.
Beijos do B.
©Bastardo 2017 #69Letras

Memória duma Tanga

TEXTO ERÓTICO M|18 󾬥 󾬥 󾬥󾬥 󾬥 󾬥
Hoje deu-me para isto, Bastardo em formato Fada do Lar. Cheguei cedo e cheio de energia, a noite prometia, ia ter um encontro escaldante e há muito adiado com a minha instrutora de Fitness. Semanas de sedução que finalmente iam ter o seu prólogo, por norma sou bastante arrumado e asseado, efeito de anos de vida militar.
No entanto, o meu quarto é muitas vezes prolífico em surpresas, a minha quatro patas acha que debaixo da cama é o seu móvel de arrumações e, com alguma regularidade encontro roupa que já nem me lembrava dela, pés de meia sem par, um ou outro sapato, etc.
Desta vez, bem escondida num cantinho encontrei a tua tanga de renda preta, quase inconscientemente levei-o ao nariz.
F@da-se! Ainda têm o teu cheiro, é curioso. Já têm quase três semanas, se pensarmos que foi das poucas vezes que chegamos ao quarto, estendo-me na cama e à medida que fecho os olhos as memórias invadem-me e envolvem-me.
O teu beijo intenso e poderoso, quase como veneno que me percorre as veias e incendeia a pele, assim que te abri a porta. Largas tudo à porta, até os saltos enquanto fecho a porta.
Entras sentas-te na mesa, abres as pernas em provocação, já estou erecto, mas contigo é o meu estado normal assim que te beijo, esses olhos verdes enfrentam-me e desafiam. Avanço para ti, com champanhe aberto à minutos para ti, beijo-te intensamente, deslizo a língua pelo teu pescoço, com alguma habilidade faço cair uma alça e depois a outra do teu vestido preto cheio de aberturas.
Teus seios lindíssimos monopolizam a minha vista é a minha boca esfomeada, escorro docemente o espumante pelo teu peito e saboreei-o até ao teu umbigo. Gemes e contorces-te de prazer, puxas-me para ti, prendes-me entre as tuas pernas, abres-me a camisa violentamente.
Penso que não ficou um botão direito. Percorres o meu corpo com as tuas garras, arranhas e mordes-me, deixas a tua marca, forças a saída das minhas calças, A minha erecção hipnotiza-te, percorres com delicadeza o comprimento e a largura do meu desejo, soltas-me da prisão das tuas pernas, viras-me para a mesa , tiras-me a garrafa de champanhe gelado da mão.
Sorves um abundante golo, ajoelhas-te e sem aviso abocanhas todo meu membro até ao fundo da tua garganta. Que sensação soberba!, repetes o gesto mais duas vezes, sentes que estou no meu limite. Paras.
Sorris maliciosamente, pegas nele e como se fosse uma trela arrastas-me para o quarto, bandoleias teus glúteos fenomenais à minha frente, estou louco de tesão.
Assim que vislumbro a cama. Ataco-te por trás, minhas mãos percorrem o teu corpo em loucura, enfio a minha mão pela tua tanga e sem pudor procuro teu clitóris húmido, masturbo-te enquanto te prendo pelo pescoço e beijo os teus lóbulos. Não aguento! Dobro-te, desvio a tanga para o lado e entro em ti abruptamente.
Gritas, insultas-me, pedes mais, a tua vulva quente escorre de desejo, acelero quase desumanamente, meus polegares marcam-te a cintura dada a robustez das estocadas: Vens-te em minutos. Foi de tal forma intenso que ainda gritas e te contorces de prazer.
Digo-te ao ouvido:
– Já tens o que querias?
A resposta disse tudo.
– Já me f@deste, agora amas-me.
Respiro lentamente para controlar a excitação, deito-a na cama de costas para mim,.
Acaricio-lhe o corpo delicadamente entre os meus lábios e mãos, retiro-te a famosa tanga, lambuzo-me no teu rego  Sorvo cada gota do teu orgasmo, enquanto introduzo os dedos para te estimular e enlouquecer novamente.
Não aguentas mais. Num golpe de anca viras-me e acabas em cima de mim. Acaricias o meu corpo com o teu, que loucura sentir teus mamilos rijos na minha barriga, ao longo de mim. Brincas com a minha verga envolvendo-a nos teus lábios vaginais macios mas, sem nunca forçar a penetração.
De repente,  enterras-te toda nele. Teus olhos brilham de luxúria enquanto mordes os lábios, montas-me devagar de início, sentindo cada veia palpitante do meu pénis, cada centímetro, a medida que a volúpia te invade aumentas a cadência. Sentas-te em cima dele para o sentires bem fundo dentro de ti, as tuas unhas afiadas retraçam-me o peito, não aguento mais e ela sabe.
Aperta-me bem dentro de si com os músculos pélvicos e faz-me esperar por ela, e consegue-o mais uma vez. Agora num clímax repartido, ainda as convulsões de prazer nos percorrem e sinto-a a apertar-me o membro na sua vulva novamente, diz-me ao ouvido:
– Ainda não acabou.
Sinceramente, é das poucas mulheres que conheço que me consegue manter a libido em alta consecutivamente, no momento em que sentiu a rigidez regressar, aproveitando a viscosidade dos nossos fluidos sodomizou-se. Encaixando toda a minha verga no seu ânus, delicadamente de início e avançando para um ritmo mais vigoroso, gritas exuberantemente, tenho a certeza que te ouviram na rua toda.
À medida que cavalgas dedilho a tua vagina ávida, sinto que te vens, escorres pelos meus dedos, provo o teu mel, puxas-me a mão, também queres saborear. Chupas-me os dedos freneticamente enquanto montas, vou explodir e tu sabes. Sentes-me sempre de forma indescritível.
Saltas de cima de mim e enfias-o na boca, dois movimentos de língua e solto todo o meu leite nas tuas amígdalas, sorves e chupas cada gota. Aninhas-te no meu peito, dizes com um sorriso sarcástico:
– Tens meia hora para recuperar.
Toca o telemóvel.
De repente voltei ao presente, é o meu encontro desta noite, nem dei pelo tempo passar.
 Felizmente está atrasada, vou-me arranjar. Guardo a tanga na minha gaveta das recordações.
Hoje é dia de criar novas memórias..
©Bastardo 2017 #69Letras

Sou a tua (In) Consciência

Sou a tua (In) Consciência
Sou a tua sede e a fonte onde te sacias,
Sou a tua fome e a tua fartura,
Sou a tua alma e a falta dela,
Sou o teu amor e o teu ódio,
Sou a tua Luxúria e Frigidez,
Sou o teu desejo e o repúdio,
Sou o teu prazer e o teu sofrimento,
Sou o teu mel e o teu vinagre,
sou tudo o que queres é não precisas,
Sou tudo o que precisas mas não queres,
Sou o teu equilíbrio e falta dele,
O teu sorriso resplandecente e o teu choro descontrolado,
Sou o teu saber e ignorância, a tua bondade e a tua maldade,
Sou o teu carinho e agrura, Sou o teu bem e o teu mal,
Sou a tua tempestade e bonança, agitação e calmaria,
Sou tudo o que lembras quando queres esquecer, e tudo o que esqueces quando devias lembrar,
De mim só tens verdade, porque em mim só tens um espelho,
às vezes limpo e pueril ou dependendo da distância com que me olhas
e a proximidade da tua respiração condensa a névoa que te tolda a realidade,
afinal é nas estrelas que se vislumbra a pureza da mente,
mas é aqui entre os comuns mortais que a consciência se torna pura,
ou não, o segredo, está no caminho…
© Bastardo 2017 #69Letras

Alegoria de um beijo

Primeiro o olhar de antecipação, o acelerar das pulsações,
o arrepio na espinha que ordenam ao corpo calafrios e pele de galinha,
o suave lubrificar dos lábios antevendo o desfecho.
Primeiro embate suave dos lábios entreabertos encaixando quase micro prega em micro prega,
a sublevação ao palato do doce e salgado, a combinação hormonal única que a cada um de nós pertence,
a aceitação do desafio, a respiração acelerada trazendo consigo a seca do campo de batalha,
a lubrificação agora é assistida, parte a parte, mais violenta, quase agressiva,
os dentes mantém o respeito e ao mesmo tempo elevam a excitação.
As fronteiras esbatem-se, ambas as línguas exploradoras descobrem novas sensações,
novos Prazeres, novos sabores, por milissegundos tudo eclode numa explosão sensorial única,
Ali, naquele pequeno ocaso temporal e somente durante o mesmo , percebes sem entender,
ou talvez entendas sem perceber, a magnificência da simplicidade de um beijo.
© Bastardo 2017 #69Letras