Todos os artigos de PSassetti

Feliz de mim…

Sinto ainda a fervilhar as poucas gotas de sangue carregadas de ilusão que me restam neste corpo à deriva mergulhado nos meus pensamentos.
Sinto-as vivas, como se tivessem sido bafejadas por um sopro ténue de vida, e que embora moribundas, despertam em mim todos os meus sentidos.
Quase que consigo ouvir os seus lamentos, os seus gritos de raiva, a sua revolta pela viva castradora a que me submeti.
“Raio de vida sem sentido”, gritam num tom jocoso que precipita em mim a ira do descontentamento e uma inevitável espiral de duvidas e angustias.
Mas sabem,…
feliz de mim que tenho ainda estas poucas gotas de sangue especial, destas filtradas de problemas, que despertam e pulam de alegria à tua passagem e que suspiram quando os nossos olhos se cruzam e que rejuvenescem com o toque suave das nossas línguas.
Feliz de mim, que sinto em rodopio as borboletas no meu ventre, a sua dança secreta, quando te dispo sem pressas e o meu corpo toma conta do teu.
Feliz de mim que te tenho para me dar vida, quando nas noites secretas que teimamos em esconder do mundo, incendiamos a nossa cama com a lava do vulcão que jorra em nós.
Feliz de mim…
Feliz de nós….

Agridoce

Sinto cravado nos meus lábios o sal e o doce dos teus beijos.
Sinto-o, saboreio-o, derivo nesse sabor agridoce sempre que os meus olhos se cerram e abrem as janelas das minhas recordações.
Fazes de mim um homem novo, rejuvenescido, mas com as vontades de sempre quando os meus pensamentos tropeçam em ti.
Há algo mutante em mim quando o meu desejo de ti se suplanta à minha amargura de não te ter.
Como consegues?
Como fazes para estar em cada poro da minha pele, em cada ranger dos meus músculos, em cada pensamento, em cada vontade, em cada cheiro dos meus dias?
Como consegues invadir-me assim sem aviso, sem reservas, desta forma avassaladora que me consome e que me faz desejar cada pedaço do teu corpo?
Ah…. o teu corpo….
As saudades que eu tenho do teu corpo, da tua pele, das tuas pernas macias, dos teus pés de menina, do teu ventre que me inspira, da tua vulva que me enlouquece.
Ainda suspiro pelos teus orgasmos ofegantes, abundantes, pelos teus ais, pela tua voz a gritar em surdina o meu nome, ….ai….
Onde paras tu mulher de sabor a sal, com os lábios de mel e com o corpo de canela, polvilhado com pecado?
Volta…  sou teu.
#PSassetti
#69Letras 24/07/2017

Dona das minhas vontades.

É no toque suave dos teus lábios que a minha loucura acorda, é neles que sinto a lamina de gelo que me trespassa a barriga e que se aloja no meu coração em chama, derretendo de uma só vez a sua carência, precipitando todo o meu corpo num abismo de vontades.
É no toque da tua pele que me sinto vivo, é nela que sinto o meu sangue a correr sem vagar pelas minhas veias dilatadas pela vontade, é nela que me sinto livre, tão livre quanto as águas bravas de Dane Jackson na longínqua Vera Cruz.
É no teu ventre que sinto a mansidão dos teus afectos e é com a cabeça repousada sobre ele que sinto os teus dedos a acariciarem os meus cabelos, deixando-me me sem guarda à tua mercê.
Fazes-me teu, sabes-me teu quando precipitas os teus seios sobre mim, ou quando me mostras o mar revolto do teu desejo que guardas neles e que teimas em despertar na minha presença.
Abusas de mim, fazes-me provar do teu sabor guiando-me ao sabor das tuas vontades, por entre os teus cabelos longos que teimam em tapar-te os seios e as tuas pernas contorcidas de tesão.
Bebo de ti, provo do mel que escorre pela tua vulva latejante, sinto-te minha, nesta entrega em que há muito já sou teu.
És a dona das minhas vontades.
#PSassetti
#69Letras
06.07.2017

Quando os meus olhos se fecham….

Quando a noite cai e os meus olhos se fecham, vejo-te a correr livremente pelo meu pensamento, de cabelo solto ao vento, feliz como as chitas de Shamwari.
Vagueias em mim de pés descalços, de seios despidos, de sorriso rasgado e com o sol a clarear esse teu corpo de menina feito mulher.
Teimas em chapinar nas poças das minhas ilusões, baralhas-me a razão e excitas-me com o teu perfume de flores silvestres e águas bravas de Niagara.
Sinto-me teu, tão teu, que chego a tocar o teu corpo imaginado, a beber dos teus seios, a morder a tua vulva selvagem.
Perco-me nos teus cabelos. Agarro-os com força, quase tanta quanta a força que abuso do teu quadril.
Beijo-te o ventre, deslizo a minha língua descontrolada pelo teu corpo, acaricio-te o rosto, sorris, para por fim beber do mel que jorra de ti.
Sou teu, sabias?
#PSassetti 26.06.2017
#69Letras

Eu, tu e uma dúzia de gaivotas…

Deslizo os meus dedos macios pela tua pele eriçada, como que numa dança de cereais maduros nos longos campos livres da Califórnia do Sul, à mercê do vento e com sabor a maresia. Aprecio o teu tremor.  Demoro-me.
Dedilho calmamente o teu dorso como numa valsa de Viena, sem pressas, e empenho-me na descoberta incessante do estimulo dos teus sentidos.
Perco-me livremente pelos teus sinais, deixo-me conduzir por eles, percorro-te sem destino.
Provo dos teus lábios molhados de sal em beijos demorados com sabor a pecado e a ternura, enquanto que afago o teu cabelo contra o meu peito.
Ao longe, o sol demora a esconder-se. A praia está deserta, estamos apenas nós a contemplar o momento, abraçados, longe de tudo, com o coração cheio de emoção e mais uma dúzia de gaivotas.
Os nossos corpos abraçam-se, entrelaçam-se, fundem-se. Penetro-te, sinto-me a deslizar calmamente pela tua vulva que me chama. Contorces-te. Aconchego-te. Percorro o teu pescoço sem pressas com o meu arfar quente, já agitado. Suspiras, soltas um gemido mais forte, afugentas as gaivotas. Despertas em mim o meu lado secreto, adormecido. Sinto-me empolgado. Sinto-me teu, neste fim de tarde, onde abraçados a ver o pôrdo sol, quiseste ser minha.

De Banguecoque com saudade

Sabes meu doce, acabo de chegar de Banguecoque.
Não rias por favor, não me faças corar.
Fui sozinho desta vez (Com quem mais poderia eu ter ido, senão sozinho…?).

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Não me tentes por favor….

Raios!!! …
Raios!!! …
RAIOS MULHER!!!!
Porque teimas em sorrir assim para mim?
Porque lanças esse teu charme carregado de pecado no olhar e pronuncias os teus mamilos quando chegas fresca pela manhã?
Porque continuas a encher o escritório com esse perfume de desejo?
Já te disse que não…. não pode ser….sabes que não podemos…. és a mulher do meu chefe, raios mulher, controla-te!!! Faz-me controlar….
Amaldiçoado seja o dia em que te mostrei o que escrevo, em que te abri um pouco deste meu mundo secreto onde sou eu, e em que tu subiste o teu vestido para meu deleite e estupefacção.
Maldito seja o dia em que te beijei, em que te roubei o primeiro beijo e em que provei o mel que escorria em abundância pela tua vulva.
Esquecido seja o dia em que te suguei sem medo esses mamilos doces como laranjas, que me enlouquecem.
Não pode ser, não podemos… não posso voltar a abusar da tua boca, nem tocar a tua garganta com o meu membro em brasa, enquanto que a tua língua empenhada se delicia à minha passagem.
Não podes voltar a olhar-me fixamente enquanto que a tua boca abusa de mim sem freios incapaz de parar.
Não podemos, não devemos repetir os orgasmos compassados e abundantes que tivemos, quando sem aviso te invadi esse teu rabo empinado, fazendo-te soltar gemidos e gritos que invadiram toda a sala, até o meu suco jorrar como um rio bravo na tua boca.
Não podemos!
Desculpa….. não podemos….. não me tentes…..
…. não resisto….
#PSassetti
#69 Letras 23.06.2017