Rei de Espadas

Texto Erótico | M18 🔞
Era de noite… Noite cálida e os meus riscos fervilhavam no entrechocar, faiscando lascas de desenhos, debitando traços e cores. Aos poucos, o corpo ganhava formas arrebatadoras. Firmes e roliças eram as suas curvas, refulgindo feminilidade e desejo incontido. Concentrado, meus olhos lambiam cada pincelada que dava carne, aquele modelo, feito de pó de pigmento entranhado em água…

Do nada, uma sombra afastou a luz e a presença dela respirou fundo na base do meu pescoço, eriçando meus pelos mais profundos… Senti o seu calor próximo, irradiante, calor de pele nua, fervente, suando tesão por cada poro perlado de gotículas de suor perfumado.

Minhas narinas foram invadidas pelo aroma agridoce de suas entrecoxas,
orvalhado já com as gotas de um néctar prazenteiro, que me era familiar…

Sentindo-a, quis virar-me para a ver também, mas seus seios placaram a rotação da minha cabeça, roçando meu rosto… Eram quentes, palpitantes, prenhes de melífera luxúria a enrugar cada mamilo, formando um bico mais frio que o resto. A sensação era óptima, confesso para mim próprio…

Uma mão desceu pescoço abaixo, dedilhando estradas invisíveis e apoderando-se de meus mamilos de pele eriçada pelo arrepio desse andar… De repente e devagar, senti uma língua escorregando pela minha orelha, húmida — não… — molhada mesmo, que sugou e lambeu o meu lóbulo e, de seguida, o seu próprio dedo indicador e polegar… Molhados, esses dedos desapareceram no meu peito e apoderaram-se dos meus mamilos já a franzir… Respondi para além da surdina, com um murmúrio que se transformou em gemido baixinho, quando a sua mão aprisionou o crescente e erecto pronuncio que crescia em mim… Suspenso entre seus dedos delgados, palpitante, senti-o rijo, em pulsos ritmados pela harmonia do seu manusear… Devagar puxou-lhe o capuz e trouxe à luz uma reluzente cabeça vermelho-carmim, cheia, polposa, que desapareceu sem se fazer rogada, por entre seus lábios, onde a língua tremeluziu segundos atrás

Fechei os olhos e continuei sentado,
preso ao sentir dos mistérios que aconteciam na sua boca…
Meu mastro ficou rendido ao seu chupar,
deliciado ao dançar da sua língua acrobata, ao vazio da sua sucção…

De sensações só na pontinha, descia depois ao fundo, engolfando toda a sua extensão. Senti ele passar os portões da garganta, entrar pelo seu fundo — ela reteve a respiração para poder mergulhar nele até sentir as cocegas de meus encaracolados pelos acariciando suas bochechas rosadas do rosto… Soltei um “simmm”, mais gutural que falado, mas ela mantinha-se muda para não se engasgar… Sentia meus humores prazenteiros ganharem forma e quererem ganhar liberdade… Queria vir-me em sua boca, gozar assim naquela sala de ternura, onde aquele húmido carrasco me lambia completamente o falo em delírio, aquele concentrado de prazer preste a sair… Queria e sentia meu gozo fermentar e subir em direção aquela alegria de movimentos, repuxos e lambidelas…

Mexi-me constrangido, na cadeira, pelo quase acontecimento mas ela não me largou. E o que os lábios não seguravam, a cárcere da mão prendia, acompanhando a boca naquele acima-abaixo que me fazia levitar do meu poiso, num espasmo de uma coluna cada vez mais retesada, como as cordas de um violino bem tocado… Segurei na sua cabeça e forcei-a suavemente a engolir-me mais… Senti-o todo dentro dela e estava quase a explodir quando parou, puxando para fora mas sem deixar de prender aquela cabeça dele, bem teso, entre seus lábios. Olhou-me nos olhos, resoluta e sabedora, e deu a lambidela fatal, aquela que ela sabia que ia provocar a minha derrota líquida e acabaria por inundar aquela antecâmara que assim me seduziu… Gozei forte, pálpebras comprimidas em resposta ao arquear das minhas costas, como que se fosse o resultado de uma convulsão de morte… Mais uma pequena morte. Pulsos de esperma foram libertados sem controlo, em jorros cálidos, da boca daquele estranho licoreiro tenso e endireitado, rijo… Seus olhos fixos em mim, sorviam em silêncio, mas com maestria, cada pingo de mel, deliciada com o meu gozo, observando-me extasiada com seu olhar azul de aguarela…

A boca fechou-se num beijo, como que se despedindo, e libertou-o. Uma língua correu atrás da última gota em correria, lâmina abaixo naquela dura Espada de carne, engolindo-a também, sem pejo ou embaraço… Queria tudo tal era a sofreguidão de seu desejo e eu abandonei-me, rendido aos seus quereres, capitulando perante aquela Rainha dos meus caprichos…

Levantou-se depois, colocou o pé no braço da minha cadeira — onde eu ainda jazia, amordaçado pelos torpores remanescentes do inusitado prazer com que tinha sido brindado — e aproximou à minha cara a sua púbis, sem pelos, lisa, coroada por uns sobressaídos lábios carnudos, intensamente brilhantes, molhados e enrugados com suas delicias… Devagar, deixando-me vê-los por entre meus olhos semicerrados, senti o inundar do meu olfato com o seu inebriante perfume de mulher, antes mesmo de começar a sentir o roçar deles, polindo meu lábios com suas humidades. Tal era a tensão prazenteira que energizava esta aproximação, que só o pequeno e elétrico toque, do bico dos meus lábios resvalando no seu aveludado capuz — onde um reluzente clítoris despontava, revigorado e já acordado de todo — foi o suficiente para ela estremecer e se render a aquele orgasmo pelo qual aspirou, desde o primeiro abocanhar… Gotas íntimas de si escorreram através da sua goteira natural, seguindo os contornos de uma greta viva e tão palpitante, anunciando-se por entre curtos espasmos e vibrações tão uterinas… Tão felina como apareceu, assim se foi… Dela, da sua presença, daquela aventura apenas restavam gotas unindo pelos do meu peito nu e, mais abaixo, um pénis em letargia, afogado em liquidas misturas, mas completamente satisfeito e relaxado…

Com os olhos ainda enevoados, olhei em redor e eles pararam no desenho que jazia acabado em cima da mesa do estirador. Reconhecia-a, de imediato, assim deitada e acamada no papel onde a tinha pintado. Era ela, ela, a minha companhia de momentos atrás, a mulher que me deu aquele alento de vida, sugando minutos da minha vida de modo tão sublime…

Traição da minha imaginação, aquela minha criação foi assim aspergida e batizada com meu intenso prazer e, por direito próprio, seria doravante a minha rainha, a Rainha de Copas e eu,… bem, eu, nesse momento renasci como o seu rei, o REI DE ESPADAS.

Que mais aventuras nos aguardariam? Saltei para o lombo da minha musculada égua, finquei sem dó as esporas nos seus delicados flancos, larguei as rédeas da consciência e deixei-a correr… corre Fantasia, corre. E, ao som martelado de seus cascos timbrados, revigorado e desperto por completo, peguei novamente no lápis para esboçar uma outra aventura… querem vir?

 

© Rei de Espadas
Intemporal, algures em 2017

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