| M18 | Regresso de Missy_S

Esta noite fez-se sentir quente.

Entre sonos e sonhos, algo despertou aquela parte da minha mente, menos racional e, consequentemente, mais impulsiva.

Confesso, contudo que, essa parte da minha mente seja talvez mais “eu”, mais primitiva, mais natural, mais humana, do que tudo o resto. Assim, o pensamento insistiu em mandar e comandar. Deu as ordens, que apesar de serem ouvidas internamente, como se de um Terceiro fossem proferidas, na verdade, eram apenas fruto da minha (im)pura imaginação. Ainda assim as ordens eram “ouvidas” e o corpo automaticamente obedecia. Desta forma, além de quente, a noite fez-se sentir húmida. E quão surpreendente é a mente que, além de conseguir produzir uma imagem virtual de todo o cenário, consegue igualmente (quase que) fazer sentir aquilo que tanto anseio e desejo.

Ao imaginar as cordas (quase que) automaticamente sinto os Seus dedos engenhos a delinear o caminho que pretende, bem como as próprias restrições, na pele, proporcionadas por aquelas amarras. Os lábios e as mandíbulas abrem, mecanicamente, para receber a mordaça que Ele deseja e, mesmo que ela não esteja lá na realidade, faço por garantir que a minha boca não se mexe um milímetro durante toda a história que a minha imaginação cria, como se ela ali estivesse. As minhas mãos prendem-se a elas próprias acima da minha cabeça, que (quase) sinto o frio do metal a prender-me, e as minhas pernas mantém-se abertas tanto quanto imagino que Ele me ordena. O meu pensamento está de tal forma em modo liderança que (quase que) sinto tudo o que Ele me tem para oferecer naquele momento, imagino. O aperto das molas imaginárias, nos meus mamilos, fazem-me emitir um som que se ouve (quase) tão abafado como se eu estivesse verdadeiramente amordaçada e (quase que) sinto a dor aguda que me atravessa o corpo e, logo imediatamente, o prazer que surge dessa mesma dor. E nesse mesmo instante (quase que) sinto o seu toque com o propósito de dirimir um pouco a dor causada naqueles dois pontos. O meu corpo estremece de cada vez que (quase que) sinto cada palmada e cada toque que Ele me presenteia.

Com surpresa, (quase que) consigo ouvir a Sua voz proferir determinadas palavras que estalam diretamente no meu corpo, como se de um chicote se tratassem. Sinto-me quente, molhada, em êxtase. Aquele pequeno ponto entre as minhas pernas anseia pelo Seu toque que nunca mais chega. Sinto-me bombear naquele núcleo, mas não me posso mexer. Não me esqueço que estou manietada e amarrada. Sinto a minha mente ordenar à minha língua para murmurar um pedido clemente mas lembro-me, atempadamente, que estou amordaçada. (Quase que) Acredito que Ele está ali e apenas não me toca, não me faz a vontade, em virtude de uma (doce) tortura. Preciso do toque, daquele atrito, ali…

Então a mente faz-me a vontade e Ele liberta-me as mãos. (Quase que) Sinto o frio das algemas que dura, mesmo depois de elas já terem sido removidas. (Quase que) Sinto as Suas firmes e quentes mãos a acarinharem-me os pulsos e as Suas doces palavras de conforto.

E neste momento, em que a mente foi solidária comigo ao ponto de fazer com que Ele me liberte para, finalmente, eu me possa satisfazer como se da Sua mão se tratasse, eis que me prega uma valente e irónica partida fazendo com que Ele me ordene “não te podes tocar, nem tens autorização para te vires”. E agora, foi mesmo como se Ele ali estivesse e não “quase como”, pois obedecendo, virei-me para o lado, de mãos “atadas”, e continuei entre sonos e sonhos, agora com a noite ainda mais quente e húmida…

Missy_S

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