Lágrimas salgadas

Quando acordei o sol fustigava-me a cara.
O sal daquela maresia de final de tarde de outono na praia, cravava-se sem contemplações no meu rosto como punhais de Naruto.
Eu estava febril, a minha pele crepitava, os meus músculos estavam entorpecidos, o meu coração estava doente, os meus lábios secos pareciam incapazes de se moverem.
Ao largo, um pequeno barco à vela vagueava pelo mar sem sentido, ao sabor da sorte, sem lutar contra a vontade das ondas, perante o olhar atendo daquela meia dúzia de gaivotas que me fazia companhia naquele final de tarde esquecido no tempo.
Recordo-me de me querer levantar, de querer correr pela praia em tronco nu,… talvez até todo nu, ….já nada mais importava, e gritar bem alto o teu nome na esperança que me ouvisses e com a ilusão do teu regresso.
Estava sem forças, as minhas ilusões haviam sido levadas por aquele vento cada vez mais forte, os meus gritos não se ouviam, estavam abafados neste corpo moribundo, sem alma, sem vontade, sem ti.
Foste embora, contigo levaste-me a vida, o meu sorriso, aquele sorriso largo e sincero que um dia disseste que amavas.
Levaste-me a vontade, a vontade de lutar contra esta tristeza que me invade a razão e me faz correr as lágrimas pelo rosto numa abundância que parece não ter fim.
Sinto me perdido, vejo-me a caminhar vendado pelos vinhedos de Canela, é como se estive em queda livre no Poço profundo de Neversink.
Salva-me.
Preciso de um beijo teu, devolve-me à vida.
Salva-me…devolve-me o sorriso…

 

#PSassetti #69Letras 14.10.2017

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