Feliz de mim…

Sinto ainda a fervilhar as poucas gotas de sangue carregadas de ilusão que me restam neste corpo à deriva mergulhado nos meus pensamentos.
Sinto-as vivas, como se tivessem sido bafejadas por um sopro ténue de vida, e que embora moribundas, despertam em mim todos os meus sentidos.
Quase que consigo ouvir os seus lamentos, os seus gritos de raiva, a sua revolta pela viva castradora a que me submeti.
“Raio de vida sem sentido”, gritam num tom jocoso que precipita em mim a ira do descontentamento e uma inevitável espiral de duvidas e angustias.
Mas sabem,…
feliz de mim que tenho ainda estas poucas gotas de sangue especial, destas filtradas de problemas, que despertam e pulam de alegria à tua passagem e que suspiram quando os nossos olhos se cruzam e que rejuvenescem com o toque suave das nossas línguas.
Feliz de mim, que sinto em rodopio as borboletas no meu ventre, a sua dança secreta, quando te dispo sem pressas e o meu corpo toma conta do teu.
Feliz de mim que te tenho para me dar vida, quando nas noites secretas que teimamos em esconder do mundo, incendiamos a nossa cama com a lava do vulcão que jorra em nós.
Feliz de mim…
Feliz de nós….

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