Uma rapidinha entre canais e uma porta fechada!

Não consigo pensar em nada mais triste do que um fim de um amor.

Uma porta fechada, um quarto morto apenas com o som de uma rotina: deitar para cedo erguer para trabalhar, voltar jantar e tornar a deitar.

Quando uma porta se fecha numa casa onde há amor, escuta-se o som das risadas por entre brincadeiras, conversas e danças que fazem escorrer as paredes de tanto fervor. Mas se atrás da porta, nenhum som se escuta a não ser um ressonar profundo, ou televisão ligada com o som baixinho… alguma coisa se perdeu no decorrer dos anos.

Assustam-me as portas fechadas e a cumplicidade que um dia cessa, como é possível, tantos anos ao lado de alguém e um dia terminar o diálogo? O que deixou de acontecer? O que foi esquecido do que foi vivido.

Gosto da nostalgia, de outros meses ou anos, reviver memórias a dois, acenda aquele “sparkle” no olhar é impossível um sorriso não desabrochar.

O passado foi bom. O presente só não o será se não for cultivado.

Alegra-me a porta fechada e a luz que brota da fechadura, espreitar curiosa e ver as sombras a bailar na parede de um quarto. Onde há vida há amor. Mas porque é que se apagam as luzes ao deitar? O dia acaba na cama ou depois do jantar?

Só gostava de compreender onde tantos erram para nunca me deixar dormir sem os olhos dele encarar. No olhar há verdade, a cumplicidade faz brilhar e daí a um beijo é só um segundo entre o respirar.

A dada altura, o sofá ganha um novo estatuto: a de companheiro/a.

Com a barriga cheia é lá que começam os preliminares, uma perna esticada e uma mão no comando e o som dos pratos na cozinha. Dependendo das horas, às vezes só apetece uma rapidinha entre canais só para matar saudades de velhas caras da programação… o relógio diz que dentro de X está na hora da acordar… vamos deitar?

Assim se passam dias,

Assim se passam anos,

E da fechadura

Nunca mais se viu luz!

© 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2017

 

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