O(s) meu(s) Orgasmo(s)

Texto explícito | M18 

Pediram-me uma visão do orgasmo, do meu orgasmo… Não consigo. Não consigo descrever uma sensação, um sentimento, um tipo único… Todos os orgasmos são diferentes…

Acho que posso categorizar em três tipos… O primeiro que conheci há mais anos do que quero admitir… O orgasmo da masturbação. Dependendo dos dias é rápido, uma tentativa vã de apagar o fogo, às vezes um pouco mais alongado mas vem quase sempre da mesma forma. Cresce a vontade de escarrachar as pernas, um calor misturado com um formigueiro que sobe das ancas, atravessa a espinha, chega à nuca e explode no cérebro… O toque abranda como que acalmando os lábios e clitóris inchados pela estimulação… Funciona como sonífero muitas vezes…

Orgasmos partilhados… Primeiro falo do induzido pelo toque, língua de outrém… Em muitas coisas semelhante ao orgasmo da masturbação. É uma explosão, balança o corpo, é um choque e no fim da “convulsão” atira com o corpo para um breve estado de nirvana que rapidamente acaba buscando freneticamente mais, o preenchimento, a plenitude. Estes variam de intensidade… Há explosões destas que conseguem satisfazer mas… Haja empenho!

E por fim o que levei mais tempo a descobrir…

O orgasmo vaginal… Puro e duro, sem dedos, língua, selvagem, único… Quase inexplicável, indescritível… Esse constrói-se no corpo, na mente, no olhar…

Quando existe o encaixe perfeito das extremidades e o toque no corpo é perfeito, quando a sintonia acontece a níveis metafísicos… (Confesso que estou a ficar húmida ao escrever isto, tentando recordar as sensações causadas…)

Tentando não fugir muito à explicação do que é para mim o orgasmo, posso dizer que ele se anuncia, vem em ondas, cresce e quando se abate sobre o corpo transporta para outro plano, não quer parar, faz com que a energia vital se vá dividindo, elevando e vai de mãos dadas com alma… É capaz de ser o momento em que me sinto mais pura, mais eu… Não consigo esconder o que sou, o que sinto… Toda eu que encerro em mim uma série mundos sou uma só… E é esgotante… O corpo pede aconchego, pede um pouco mais de dengo…

Só para terminar… Os raríssimos, os quase míticos, os múltiplos… Vêm e continuam a vir e perco controle do meu corpo, dos ruídos, do mundo… Quase perco os sentidos e ao mesmo tempo eles estão todos ligados e concentrados nos movimentos, no toque, no cheiro… Voltar a mim depois de um orgasmo desses é quase um exorcismo… Porque me explusa os demónios do corpo e porque este reage como se forças invisíveis o possuíssem…

Pronto, este é dos temas que prefiro sentir a descrever… Vou ali ter um orgasmo e já volto…

© VickyM 2017 #69letras

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