E não me digam que acreditam que só acontece aos outros?

A verdade é que não podemos viver sempre dentro da concha, dentro da nossa cabeça e do nosso coração, devemos abrir a janela e observar o horizonte, mas depois és contaminada com histórias de vida deste e daquele, com mil e uma coisas que acontecem a todo o instante. Do teu prédio à tua rua, do teu bairro à tua cidade, dos teus amigos aos familiares, juntam-se episódios e mais episódios que te fazem temer o amor ou estar apaixonada.

Detesto abrir a janela do meu mundo perfeito (ainda que só o aconteça dentro de mim) e ver a paisagem dos sonhos e confiança ser substituída por cores encobertas.

Por todo o lado, tanta coisa em comum: o desrespeito e o fim do amor.

Com todas as letras vos digo, BORRO-ME TODA com tudo o que vejo e o que oiço e por muita confiança que até possa ser surge aquele sentimento que a melhor forma que encontro para explicar, é com este exemplo:

“Eu confio na minha condução, não confio é nos outros condutores!”

Por todo o lado: ele traiu-a, ela pensa no outro enquanto está com ele, ele bateu-lhe, ela humilhou-o, o amor acabou, ele não a procura, ela sente que lhe falta algo… e sucessivamente, com pessoas conhecidas ou desconhecidas, chega o momento e o desrespeito bate a porta, ou a porta abre-se e o amor vai embora.

E tu, fechas a janela, olhas para dentro, revives a tua história, o teu presente, os planos que têm para o futuro e um frio invade-te a barriga. Chegará a minha vez? Teremos maturidade para cultivar diariamente o amor? Daremos conta quando começarmos a falhar nas mais pequeninas coisas? Aquelas que num todo fazem o teu coração transbordar?

… mas é impossível ficar indiferente ao fim do amor quando o que tu sentes no teu presente é tão vivo e cheio de cor. O amor da história das outras pessoas um dia também o foi, então, como se perdeu? O que aconteceu?

Como me vou sentir quando descobrir que ele olha para mim com menos frequência? Vou-me sentir magoada e como consequência e de forma inata afastar-me? Vou falar com ele? Mas ao falar com ele, não o estarei a forçar para que queira e tenha vontade também inata em me ver, como mulher, e não como companheira e amiga?

E se a pressa que ele tem em chegar a casa um dia se perder por aí e querer tudo menos chegar ao fim de um dia e aturar-me? E se as coisas que hoje ele acha que faz parte da minha mágica, personalidade, mau feitio, trapalhice, um dia o irritar profundamente ao ponto de me sentir insuportável?

…e vocês dizem, é porque tinha de ser, acontece, é porque não era para ser ou porque ele não gostava assim tanto de ti…

Hoje, “vi” e “ouvi” coisas a mais, coisas que me apertam o peito e me fazem temer que um amor presente com cheiro de para sempre tenha um final igual a tantos outros, finito.

Hoje a vizinha escancarou a janela e assustou-se (mais uma vez). Não deixo de me perguntar, como é que vocês ligam com a realidade alheia? E não me digam que acreditam que só acontece aos outros.

 

Bom, o que tem de ser tem muita força, mas o meu maior é desejo é que a cumplicidade e amizade que existe dentro da minha relação, tenha a maturidade, o empenho e dedicação que se tem num dia de grelhados: um bom assador, boa grelha, carvão, acendalha, abanador, papel ( se for necessário), fósforos, garrafinha de agua e boa carne para uma BOA MESA!!!

 

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