Desistir de sentir

Ela não sentia.
Apesar das marcas evidentes no rosto e do rasto de sangue que seu corpo involuntáriamente denuncia.
Anestesiada e sem fôlego.

Encolhida num canto de um quarto qualquer. Onde o espaço lhe é estranho e desconfortável. Mas isso pouco importa. 

Tudo o que ela vê é um vazio enorme à sua volta onde a vida perde cor e o ar não se respira. Um buraco de maneira macabra, familiar. 

Não sente. Por muito que a dor se intensifique até à exaustão do corpo. Não sente. O mundo já não gira, será isso? 

De olhar imóvel e alheio ao mundo, ela deixou de sentir. Porque o sentir a matou por dentro numa morte lenta e sem sentido. 

Quanto tempo mais dura esta dormência? Será salva num declive? Abandonada na valeta sem um único olhar se sentir? 

 

Autora da página Deusa do Caos 

©Miss Steel 69Letras 2017 

 

 

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