Quando o sonho vira pesadelo – Parte IV | Rúbrica: Conta-nos a tua história

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A partir desse momento a nossa vida mudou novamente. Ele recebeu uma herança e resolveu ter um negócio próprio e começar uma vida nova comigo e com o bebe. Passadas algumas semanas estávamos completamente instalados em Viseu, num lugar lindíssimo junto ao rio. Ai passei uma gravidez boa, tranquila e sempre em contacto com a natureza. Foram momentos felizes, em que me senti amada e protegida com o meu amor, o pai do meu filho.

Depois a criança nasceu num Inverno gelado, característico daquela zona e as coisas voltaram a mudar. Eu, talvez por estar com aquele sentimento de super proteccao materna, deixei-o um pouco de parte e concentrava as minhas forças e amor naquele pequeno ser que tão feliz me fazia. Ele, sentia-se com medo do futuro pela criança e com um pouco de ciumes por ele ser o centro das minhas atenções. Eu ficava sempre em casa, era um mês frio e chegávamos a ter temperaturas negativas, e ele pouco saia também.

Até que um dia ele saiu para tratar dos animais que tínhamos e eu tive uma sensação estranha, algo que me dizia que tinha de sair também e ver onde ele estava.  Esperei que o bebe estivesse  dormir profundamente e peguei no auscultador para ouvir se  criança chorasse e sai de casa.

Ao sair, vi-o ao longe com uma mulher. Era uma menina ainda, aparentava uns 19 anos ou pouco mais do que isso. Estavam sentados um ao lado do outro num grande clima de cumplicidade e romance. Fiquei furiosa, mas não perdi as estribeiras. Fui ter com os dois, apresentei-me e disse que precisava da ajuda dele para dar banho ao bebe que estava quase a acordar. A reaccao da rapariga foi de vergonha e incredibilidade, ele achou que o estava a afrontar. Saiu da beira dela e veio ter comigo, agarrou-me primeiro pelo braço para me arrastar dali e depois empurrou-me para o chao. Dizia no meio da loucura dele que o estava a controlar e que não tinha nada de ter aparecido, e cuspia-me. Depois já comigo no chão sem reaccao, pontapeou-me uma e outra vez. Eu gritava por auxilio mas que nunca chegou. Estava num local isolado, com vizinhos a cerca de 1 km de distancia e a única pessoa que me podia ter auxiliado ficou apavorada e fugiu. Vivi uns bons momentos de terror com pontapés, chapadas, murros e insultos que me diminuíam como mulher. Só conseguia pensar que a culpa era minha e que no passado devida de ter fugido dele ao primeiro sinal estranho.

Mas fiquei, quis ajuda-lo… mudar o mundo! Ah… como isso é tão errado. As pessoas não mudam, as pessoas revelam-se! Quando se fartou entrou para casa e trancou-se com o nosso bebe ao colo, mostrando-me pela vidraça da porta que estava na posse do meu mundo, daquilo que mais importância tinha para mim. E eu arranjei forças e levantei-me, tentei arrombar a porta, arrombar uma janela mas não consegui.

Até que fiquei sem forças e fiquei deitada no chão durante umas horas. A salvação da situação veio ao cair da noite quando uns familiares dele chegaram, e se depararam com aquele cenário de guerra. Imediatamente me colocaram o bebe nos braços e me afastaram daquele monstro. Como era possível tudo aquilo ter acontecido? Além da traição, doía-me o corpo de ter sido mãe à menos de 1 mês, doía-me a alma por ter confiado nele e lhe ter dado tantas oportunidades. Tinha nos meus braços uma criança que dependia de mim apenas para sobreviver e foi nessa altura que a realidade se abateu sobre mim sem piedade: ou tomava uma decisão ou íamos ser todos infelizes toda a vida.

(Continuação)

 

– Autora: Valla


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