Quando o sonho vira pesadelo – Parte III | Rúbrica: Conta-nos a tua história

 

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O meu mundo caiu… as minhas suspeitas tornaram-se em certezas e eu sai disparada de casa em direcção a ele. Quando o vi soltei todos os palavrões que me passaram pela cabeça e nem reparei que ele estava acompanhado com outro funcionário da herdade. Ele respondeu-me algo como: “preciso de ir buscar fora porque não me dás tesão”. Não lhe dava tesão…

A Maria era bem pior do que eu e ele com ela não teve problemas. Acabei por me meter no carro e sair sem destino dali, só queria morrer… como era possível aquilo ter acontecido? Mais uma vez a esposa do proprietário da herdade foi o meu “anjo”. Foi atrás de mim e ofereceu-me guarida numa casa de família que tinha no centro da cidade. E lá me enfiei 2 dias… sem conseguir comer, sem conseguir parar de chorar. Desliguei do mundo, desliguei dele… parecia que estava em exílio. Estava a tentar encontrar-me e superar o que se tinha passado antes, primeiro a agressão e depois a traição. Estava a viver uma vida dura e mesmo assim sentia que me estava a esforçar para não o deixar sozinho, larguei o norte para ele puder trabalhar naquilo que gosta e comecei do zero a minha vida com ele.  E para que? Para ser agredida, insultada e traída? Senti que tinha de dar uma volta à minha vida e voltar a casa. Tinha tantas saudades da minha família, dos meus amigos, de tudo. Ma não voltei… Mais uma vez fui iludida pelas lágrimas dele, pelas desculpas e promessas de que me amava e tudo seria melhor dali em diante. Voltamos.

Infelizmente passados alguns meses tivemos de sair da herdade, pois estávamos a ser explorados pelo mesmo e sem sermos remunerados era difícil de continuar ali. Então saímos de lá e fomos para um apartamento da família dele a poucos quilómetros dali. E mais uma vez recomeçamos.

Eu em poucas semanas consegui emprego, ele não. Voltou à mesma apatia e rotina de mandriao que tinha quando foi viver comigo no norte. Ficava em casa supostamente a jogar ou ia até à praia. Boa vida não? Pois é… era uma vida boa para ele. Eu ia trabalhar, ele ficava em casa (ou não) e ao final do dia chegava a casa e lá estava ele à espera que lhe levasse tabaco ou lhe desse dinheiro para outras coisas… pois… outras coisas. Daquelas que viciam, sabem? Eu soube quase desde o inicio, mas não achei que isso fosse um problema porque era pouco, dizia ele que era para o relaxar antes de dormir. Mas não era apenas isso, era um vicio tremendo que o acompanhava desde os 12 anos e que ainda hoje o consome. Pode faltar tudo, menos “aquilo”.

A nossa vida ia rolando pacifica quando aconteceu o impensável: eu engravidei! No inicio eu não queria acreditar, mas eu tinha os sintomas e ele insistiu que eu fizesse um teste, e veio a confirmação: estava gravida de 8 semanas. Marquei uma consulta, fiz uma ecografia e estava tudo bem comigo e com o feto. Eu fiquei em choque no inicio mas depois apeguei-me à ideia com uma alegria tremenda pois tinha um bébézinho dentro de mim, ah e como eu sempre tive em mim este sonho de ser mae!

Cheguei a casa super contente com a noticia que estava tudo bem e fui recebida por uma chuva de insultos dizendo que ele é que sabia se queria ser pai e que eu tinha de abortar, que ele não queria ser pai nem tinha estofo para isso. Abanou-me, insultou-me e eu quando o tentei desarmar com a fotografia da ecografia do bebé, ele amassou-a e tentou rasga-la. Eu entrei em choque, fiquei sentada no chão de costas para uma parede, e ele continuava a abanar-me e a insultar-me dizendo que NAO, NAO vou ter esse bebé. O que se seguiu foi de loucos, foi em direccao à bancada da cozinha e atirou-me com tudo o que encontrou á frente: facas, tachos, fruta… tudo. Eu instintivamente tapei a barriga, tentei proteger aquele bebé já tão odiado pelo pai. Nesse dia fugi, passei a noite fora de casa e tomei a decisão de voltar para casa dos meus pais e ter sozinha esta criança, mas no dia seguinte voltei a vacilar. Quando cheguei a casa para ir buscar os meus pertences, encontrei uma pessoa diferente. Arrasado, arrependido e carente. Disse que sentiu muito a minha falta e que tinha de o desculpar pois ele tinha muitos fantasmas do passado que o atormentavam e e eu tinha de o compreender. Pediu-me tempo para se habituar à ideia e eu cedi novamente. No meu intimo, não queria ter um filho sem pai e por isso mais uma vez o perdoei.

(Continuação)

 

– Autora: Valla


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