Quando o sonho vira pesadelo – Parte II | Rúbrica: Conta-nos a tua história

 

Podes ler o inicio do teu texto aqui: Parte I

Eu fiquei sem reacção, nunca esperei dele uma atitude destas e deixei-me ficar no chão sem ripostar. Até que as dores começaram a ser insuportáveis e a pancada não parava e quando o apanhei distraído fugi, fui para a rua descalça em pijama, em pleno mês de Dezembro… mas ele apanhou-me. Encostou-me a uma parede e tentou sufocar-me, e eu lutava para me libertar no meio de pancada e insultos. Até que no meio do escuro alguém surge em meu socorro e ele largou-me.

 

De imediato fugi para o carro e arranquei sem olhar para trás. Conduzi até onde consegui porque tinha o rosto coberto de sangue e a vista a ficar turva. Depois parei… e lamentei a minha triste sorte, sem saber como era possível isto ter acontecido na minha vida. Fiquei alguns minutos com o carro parado num sitio escondido, a limpar as lágrimas e o sangue que teimavam em me deixar sem ver. Até que decidi aninhar-me no banco de trás do carro e esperar. Não sei bem o que estava á espera mas esperei. Passados alguns minutos alguém aparece em meu socorro: eram os donos da herdade. Tinham-se apercebido da gritaria e vieram em meu auxilio. Convenceram-me a abandonar o carro e a seguir com eles, e eu fui deitada no banco traseiro do carro deles para que não me vissem a chegar. Depois esconderam-me numa casa vazia próxima à deles e ali permaneci 2 dias com as portadas fechadas, em silencio. Pelas frinchas das janelas conseguia vê-lo, a trabalhar. Sempre que ele estava distraído, alimentavam-me com bolachas e chá porque eu não conseguia engolir fosse o que fosse, e davam-me noticias do meu agressor. Diziam-me que estava arrependido, que lhe estavam a dar Xanax e que eu não podia ficar ali eternamente, tinha decidir o que ia fazer à minha vida.

Decidi ouvi-lo… perceber o que ele tinha a dizer em sua defesa. Ele arrependido e com os olhos repletos de lágrimas pediu-me perdão, disse que não se lembrava do que me tinha feito e que fosse o que fosse que não tinha sido por mal. “Não era por mal” afinal, e eu perdoei e permaneci com ele como se nada tivesse acontecido.

Com o passar do tempo lá me foi contando que teve uma infância infeliz porque os pais dele se separaram quando ele apenas tinha 7 anos, e que o pai dele, a figura que ele tanto admirava, o maltratava e maltratou a mãe dele sempre. Acho que foi aqui que eu fiquei desarmada e achei que tinha a obrigação de o ajudar a ultrapassar todos os traumas do passado e que iria “salva-lo”. Só que não…

Cerca de dois meses após este episódio, vivíamos em plena lua de mel, surgiu a oportunidade de eu ir ao Norte ver os meus familiares. Uns conhecidos nossos iam passar um fim de semana lá e convidaram-me a ir com eles, e eu aceitei. Fiquei radiante porque finalmente ia poder rever todos aqueles por quem sentia uma falta imensa, mas fiquei sempre com medo de o ter de deixar sozinho por duas longas noites. Quando estava longe, recebi imensas mensagens dele que reiterava o seu amor por mim e a falta que eu lhe fazia, fiquei muito feliz por isso e não via a hora de o reencontrar para poder matar todas as saudades. O dia do meu regresso, segundo ele, era tão esperado, foi de sonho. Encontrei a casa linda e decorada a preceito com velas e pétalas de rosa por todo o lado. Essa foi sem duvida uma das melhores noites de amor que tivemos!

No dia seguinte acordei tarde, mas super feliz por estar de volta e me sentir amada, e comecei a arrumar a trapalhada em que a casa ficou por causa da noite noite escaldante. Eis que me deparo com um brinco, uma argola mais precisamente… um objecto não identificado por baixo da nossa cama. Fiquei furiosa porque percebi logo o que se tinha passado na minha ausência, e naquele momento ouvi um som de uma notificação de uma mensagem no meu portátil e fui ver o que era. Era a “Maria” a agradecer a noite fantástica que tinha tido com o meu namorado.

(Continuação)

– Autora: Valla


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