Não és tão valente quanto pareces, tens medo… muito medo

Se calhar não és assim tão destemido ou livre com crês ser.
Do outro lado do vidro está a minha luz e tu não abres as janelas para eu te atravessar de uma vez… vou-te aquecendo a pele nas poucas vezes que levantas as persianas curioso por saber que de mais de mim pode vir. Mas depois tornas a baixar os estores deixando-me fora do teu alcance num fogo perdido e tu arrefecido e saudoso da beleza que reconheço em ti.
Faço-te sentir como te vejo, tal como és, e tu ora gostas disso ora não gostas.
Já te disse que só te quero gostar mal algum te farei.

Não és tão valente quanto pareces, tens medo… muito medo!
Fechas-te e assim me jogas fora do teu caminho, pois tu sabes que assim não me alimento, arrefeço e amorneço sentimentos. Talvez seja melhor assim como tu dizes até porque sentir é para pessoas bravas! E eu começo a ser uma dessas pessoas e quero voar entusiasmada com o voo que só a paixão nos impulsiona.
Não te admires se quando dou um passo em frente e tu recuas três eu comece só a caminhar consoante o que me dás. As coisas são mesmo assim.
Quero amar, quero gostar de ti, mas se não caminhas em direção a mim tua sombra eu não serei. Gosto de caminhar lado a lado.
Atrás nunca.
Em frente só me estiveres a comer por trás.
De resto se não é reciproco nada do que sinto prevalece.

Gosto de ti
e gosto quando sinto quando gostas de mim
mas
não gosto quando me empurras
e me deixas a cambalear desajeitada.
Sê bravo
ao meu lado.

© 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016

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