As posições carnais ganhavam fórmulas divinas

Sentava-se de mansinho sobre o corpo da cadeira. Duas pernas, duas coxas e pedaços de luz cavalgantes entre os olhos nus e a roupa como folhas de Outono sobre o chão feita terra de campo semeado. Havia luz de estrelas a meio tom. Estrelas laminadas entre o beijo, entre a língua, entre a linguagem ofegante…

O suor tecendo a pele. Os seios numa montanha de construir de desejos. Havia o campo semeado de um orgasmo onde a língua se reproduzida num líquido de laranja nascida no verso interno do poema. As posições carnais ganhavam fórmulas divinas. Uma cadeira pousada sobre o campo do prazer. Quatro pernas cambaleantes sobre as paredes do universo. As sombras dançando dentro da luz. Porque toda a sombra possui a luz de corpos se masturbando internamente. Na lonjura das mãos, pequenas filigranas de desejo afundado sobre o céu recolhendo as lavas do prazer, o mundo se contorcendo por entre as posições orgânicas, um mastro se afunda na orgia mais sagaz entre o olhar feito fogo e o corpo feito mar.

Vitor Hugo Moreira

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