Podes explicar-me tudo de novo?

O odor que brotava do teu pescoço enquanto te debruçavas na secretária tentou-me de tal forma que na minha boca nascia a seiva por ti provocada, humedecida, esfregava os lábios perdida de vontade, desorientada por te ter tão perto.

Falavas de números e eu perdia audição e noção de onde estava… já estava noutro lado, algures já estava em cima de ti contigo aconchegado dentro de mim.
Números e procedimentos, tu tão belo e tão certo do que explicavas e eu embevecida via-te percorrer os papeis com esses magníficos, elegantes e dedos grandes, mordendo-me toda imaginando-os em papel húmido desenhando por entre caminhos apertados e sedentos de tinta que neles escorra… ‘escreve-me profundamente’ pensava eu enquanto mastigava nervosamente a pastilha de menta.


Teu rosto tão perto de mim… apetecias-me tanto! E se naquele instante deslizasse os meus lábios na tua barba? Suavemente até encontrar o gosto da tua boca?

Desculpa não entendi nada. Podes repetir?

 © ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016


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