Naquele dia…

Quando saí e senti a brisa marinha a fustigar-me no rosto, a minha alma ficou purificada. Nenhuma das culpas e angustias que carregava quando bati a porta do carro faziam agora sentido. A minha cara estava lavada, o meu coração estava limpo, rejuvenescido.

Para sempre ficará gravado na minha memoria, aquele final de tarde, em que de corpos colados e de vidros embaciados, decidimos não contemplar o mar, embora ele estivesse ali tão perto, ao espaço da nossa vontade, preferindo contemplar os nossos corpos trémulos, entre beijos crepitantes de vontades, polvilhadas com a culpa das vidas que cada um de nós escolheu.
Tínhamos uma certeza porém, uma certeza que de certa forma nos limava a culpa das nossas vestes, que nos fazia acreditar na redenção, é que nenhum de nós era feliz quando entramos naquele carro, nenhum de nós se sentia vivo, desejado, e ali, naquele momento, havia a promessa envergonhada de ousarmos ser felizes, de ousarmos viver, ainda que por breves momentos. 
Nunca me esquecerei do teu suspiro profundo, misturado com esse olhar de vontade, quando pela primeira vez me aventurei em ti e desabotoei a tua blusa de seda, deixando os teus seios pequeninos bem pronunciados e à minha mercê. Nunca me esquecerei do seu sabor, do quão rijos são os teus mamilos, nunca me esquecerei do cheiro do teu ventre, do toque suave da tua pele, do gemido abundante que soltaste quando os meus dedos resolveram esconder-se em ti.
Ainda me lembro o quão nervosa estavas quando resolvi convidar-te a apreciar o meu tesão, a tocar-lhe, a percorrer as suas veias. Ainda sinto a tua mão suave de menina, suada, quente, a agarrar nele com um cuidado natural, como que a observar pelo toque todo o seu comprimento, todo o seu detalhe, para depois se perder livremente e esfrega-lo com a força na dose certa. 
Ainda sinto os teus lábios a morde-lo com alguma firmeza, a deslizar delicada nele, a engoli-lo por completo ainda que muito lentamente, tão lentamente que me fizeste morder o lábio de tesão segurando a vontade imensa que tinha em explodir naquele momento na tua boca empenhada. 
Ainda tenho o teu sabor na minha língua, ainda sinto o teu suco a escorrer em mim, com a mesma vontade que os meus lábios te abocanhavam empenhados deixando-te a beira da loucura. 
Ainda tenho cravado na pele as tuas unhas, que transformaste em garras quando juntos explodimos em êxtase de prazer nas nossas bocas.
Sabes, tenho saudades desse dia, da alegria que me colocou no rosto, do sorriso com que me contemplaste na nossa despedida.
Eu sei que as nossas vidas são iguais a tantas outras, mas entre as mil rotinas sem sentido e outras tantas consumições, gostava que houvesse a vontade de um dia destes regressarmos aquele nosso lugar secreto, ali mesmo junto ao mar, para mais uma vez, de vidros embaciados, ousarmos ser felizes.
#PSassetti #69Letras 25.05.2017

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