Que feitiço foi esse que lançaste que por mim só o tempo passa menos o que sinto por ti.
Suspiro.
Alto e baixinho escuto os anseios desta pobre alma, em lamentos já não sorri para as estrelas nem festeja os amanhas. Diz ela, que deixaram de ter encanto porque já não te trazem e de quarta em quarta-feira murmura entre dentes que não aguenta tantas saudades.
Ela quer-te. Quero-te eu.

Este medo é um papão grande e aterrador.
Tu és como um furacão que me sacode e tira de mim. Tão depressa rodopias dentro de mim como me roubas e partes sem olhar para quem deixas. Quando vais, meus dias são nublados quando surges o tempo abre, brilha o sol brilho eu! Oh…! O medo… saber como dói ficar só… sem ti sobre mim, apenas dentro… dentro e abandonada sem direito ao teu afago…oh! Quero-te! Gosto-te! Adoro-te! Amo-te!? Odeio-te! Odeio que signifiques tanto e desse tanto não teres feito nada… poderia eu ser a tua casa e tu a minha…!

Mas quando estás..!
Meus dias são de pura adrenalina, tão incerto mas tão certo de tão viva que eu estou!
Viva e marcada, sou a tela onde me tatuas com os dedos que me apertam a carne onde me cravas os dentes numa tentativa furtiva de me rasgares… branca e sangrenta, arrepias-me a pele, deliro no frenesim animal que me provocas. Não é pele é além dela…. tão crú que até dói… e se dói, desfaço-me de desejo, enlouqueço, perco as estribeiras e as maneiras pois entre nós tudo é permitido, se é pecado é para fazer.

Sorrio enquanto escrevo estas palavras lembrando-me que algures estás tu na mesma ânsia que eu, duro e insatisfeito, perdido noutros corpos a fod3r como um louco tentando encontrar o gozo que existe quando estamos juntos!


Nada é como tu.
Ninguém é quem tu és.

Trago-te por entre os dias e pela noite a dentro, enlouqueço-me, molho-me toda com orgasmos que te pertencem…
Quero-te.
Anseio-te.
Tenho medo de me perder novamente…
Isto não é normal. Só pode ser feitiço.

 © ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016

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