Sós… Mas bem acompanhados!

100 Modos:

Dia 14…
O tal famoso dia. Condomínio deserto de vozes e a abarrotar de preparações para uma das noites mais ansiadas por muitos dos que aqui habitavam.
Foi notório e indiscreto o som das campainhas provocada pelos diversos estafetas ao longo do dia com flores, jantares, etc entre uns sorrisos e um ou outro piropo.
E eu? Eu continuava no meu canto, sem planos. Não porque não estivesse com vontade de saborear um bom jantar junto de uma óptima companhia mas porque não tinha parceira. Solteiro e sem modos.

*Algo a partir*

Aquilo assustou-me. Vinha do andar de cima. Ah pois, pensei para mim. MissesKat. Uma das vizinhas recém chegadas. Uma presença que só de pensar me fazia estremecer. Inconfundível, muito desinibida, com um sorriso sempre prestes a rasgar e um olhar dominador. Passou-me um pensamento doido na altura que por reflexo o meu subconsciente rejeitou. Estava a pensar convidá-la.
Sentei-me no sofá e observei a cama. Não sei porque o fiz mas gostava desta postura. Gostava de observar aquilo que para mim era um palco, um submundo onde os demónios não dormiam… Despertavam.
Reparei que numa pernas da cama tinha umas algemas. Restos de uma última batalha. Sorri.
Sorri porque ansiava por usa-las de novo. Já estava perdido na fantasia que esporadicamente criei na mente onde incluía a MissesKat. Um estranho calor invadia-me justamente com um nervosismo incalculável.

*Novamente algo a partir*

– Que porra! – Ouviu-se perfeitamente uma voz já meio irritadiça.
MissesKat parecia estar com algum problema e comecei a imaginar que isso seria uma boa desculpa para aparecer à sua porta.
Vesti-me sem muitos preparos e segui caminho para o andar de cima. Um deserto aquele corredor, fora do comum diria. Ao chegar conseguia ouvir os passos desorientados dela, mesmo do outro lado da porta.     Parecia stressada. Sem demoras é um tudo nada curioso bati à porta.
– QUEM É???? – Disse num tom quase de fúria. O que me fez pensar que afinal não deveria ter vindo.
– É o 100Modos, vinha apenas ver se estava tudo bem, ouvi uns barulhos estranhos e fiquei preocupado. Está tudo bem?
Ouço uns passos em caminho da porta. Ajeitei-me.
Lá estava ela. Meia atrapalhada e com cara de culpada quando soube que era eu. Talvez alguém a tivesse chateado antes, não sei.
– Sim 100Modos, está tudo bem. Desculpa, o dia não me corre de feição e para ajudar desmarcaram coisas em cima da hora. – Senti um bruto sarcasmo à mistura.
– Desculpa a intrusão mas isso significa que jantas sozinha hoje? – Tentei convidar da forma mais indirecta possível.
– Han… Sim. Acho. Pelo menos é a segunda garrafa de vinho que parto com os nervos e só tenho mais uma. Saca rolhas de treta.
– Bom e se deixasses isso tudo e te desse 30 minutos para te prepares, vires ter comigo lá abaixo e deixar-me presentear-te com um jantar, feito por mim (todo cheio de confiança) em comemoração a este dia, mesmo sendo solteiros? Que te parece? Ah eu abro o vinho! – Engracei para a distrair.

MissesKat:

– Boa, assim não parto mais nada hoje!

O 100Modos deu-me meia hora na verdade já estava pronta à bastante tempo afinal tinha planos e estava vestida para a ocasião e tudo preparado para uma noite em grande.
Bato á porta ao qual ele abre quase como se já estivesse à minha espera.
Bolas! Será que estas paredes são assim tão finas que ele me ouviu?! Ou os meus saltos denunciaram me?!
Dou por mim a pensar que nunca levei em consideração o meu vizinho de baixo e que sou bem capaz de o ter assustado com os sons que às vezes saem da minha casa.
Não há de ser nada afinal também tenho de “gramar” com os gemidos das conquistas dele, ficamos quites.

– Olá de novo,olha trouxe a garrafa sobrevivente é Lambrusco.
– Olá MissesKat, entra fica à vontade.

Não tardei a examinar o apartamento dele com a desculpa que queria ver as dimensões da casa como se fosse comparar com a minha.
E não resisti a soltar uma gargalhada quando vejo um par de algemas ainda na cama, e tinha de gozar com ele.

– Então?! Foi assim que a menina de ontem ficou quieta e sossegada?!
Ele prontamente responde em tom de gozo.

– Eu não prendo ninguém, vão me prendendo a mim.
– Não me digas que te portas mal 100Modos?!

Sabes que tenho utensílios que tratam disso num instante.
Ele fica a olhar para mim meio que baralhado.

100 Modos:

– Bem, não é por acaso que sou 100Modos. – Respondi entoando todo o sarcasmo contido à espera de fazer aquela piada.

Não tardou muito até sentir uma pancada não mão enquanto me preparava para cortar uns ingredientes que preparava para cozinhar. Olho para o lado e reparo que tem uma pequena chibata na mão de couro preta. De onde raio tirou ela aquilo? Não a vi entrar com tal coisa.

– Olha aí, não vês que estou a cortar coisas? – Resmunguei. Era das poucas coisas que me tirava do sério, distraírem-me enquanto tinha uma faca na mão.

Ela soltou um sorriso malvado que me inquietou. Rapidamente tentei voltar ao que estava a fazer. Desta vez senti uma pancada na parte de trás da perna que me magoou ligeiramente e que me fez levar as mão ao local de impacto. Ela fez isto estrategicamente porque segundo a seguir senti e ouvi as algemas a serem-me colocadas.

– O que estás a fazer MissesKat??! – Perguntei impressionado – Assim atrasamos o jantar!

Desta vez ela encostou a chibata no meu peito no gesto que me fazia recuar. Como tinha uma kitchenette fui conduzido até a uma poltrona que ficava de frente para a bancada da cozinha. Fui sentado abruptamente e ela tomou conta da cozinha. De costas para mim lançou-me um olhar sorridente e lentamente abriu o fecho da saia ao fundo das costas, ficando apenas de uma bruta lingerie…

Nossa que visão do demónio.

Sim demónio, mal eu esperava pelo que aí vinha… Uma coisa era certa, por este andar não ia haver qualquer jantar.

MissesKat:

Nada me dá mais gozo que desencaminhar pessoas.
Olho pró 100 Modos ali impávido a observar cada movimento meu,aposto que tenta adivinhar os meus passos tentar perceber o que se vai passar.
Mal ele sabe…

– Deita-te no chão!

– Pró chão?! Que raio! Não preferes o quarto?! Ou o sofá?! – Pergunta me com um ar baralhado.

– Não prefiro nada disso,aliás nem sei que ideia tens em mente mas não penses que me vais comer, a única refeição aqui és tu. E não me voltes a tratar por tu, e deita-te no chão. Já!

Ele fez o que lhe mandei e pergunta:

– E agora?!
– Agora esperas que eu me decida o que fazer contigo.

Descalço um sapato e passo gentilmente o meu pé pelas costas dele e vou descendo toco-lhe no rabo coisa que o fez contorcer se um pouco, vou descendo tocando nas pernas volto ao ponto de partida e fico com o pé lado a lado com a cara dele.
Comecei a rir pois percebi que ele que estava a achar isto um pouco estranho.

– Vira-te de barriga para cima.

Assim que o fez sentei me na zona do abdómen dele baixo o meu corpo agarro-lhe na cara com uma mão e digo-lhe.

– Descansa vizinho, não te vou fazer o que faço aos outros, só estava a brincar contigo.

Assim que acabo de dizer isto ele num movimento rápido agarra-me no rabo.

100 Modos:

Ok, isto era novo para mim. E de todos os cenários que já vivi este certamente foi o mais fora do vulgar. Todavia, estava a gostar disto. Era desafiante. Sobretudo com o facto de ser, por momentos, alvo de autoridade. As ordens dela arrepiavam-me gostosamente.

– Vizinho?! Essas mãos?! – Tentou impor-se.
– Tranquiliza vizinha, também não te vou fazer o que faço às outras. Ah e não estou a brincar contigo! – Usei o sarcasmo e deixei-me levar pelo êxtase do momento… Ou excitação. Preguei uma valente palmada naquele rabo. Oh sim, aquilo hipnotizou-me momentos antes e ficar apenas pelo olhar era um pecado tremendo.
A palmada fez-se ecoar pela kitchenette e gerou-se um silêncio estranho. Sentia tensa. Talvez tivesse usado força a mais. No entanto o olhar dela não descolava o meu como se de um pedido se tratasse.

Estaria a pedir por mais? Arrisquei.

Outra palmada, desta poderia jurar que até as panelas da cozinha vibraram com o impacto. A MissesKat gemeu, contraiu-se e ainda com a cara próxima de mim fez-me sentir o ar prazeroso que expirava. A sua mão que ainda me segurava a cara apertou o meu maxilar que quase me magoou.
Senti-a inquieta e o seu olhar ia mudando assim como a minha atitude. Comecei a sentir que estava a saltar para fora de pé.

Iria entrar num mundo ao qual não estaria preparado. Mas… Queria.

Aquele corpo perfeito debruçado sobre mim em pose dominadora estava a deixar-me descontrolado e facilmente iria fazer daquele espaço um campo de guerra. Bom, certamente eu seria a vitima. Talvez noutro momento. Não hoje. E além disso, ela estava em minha casa. A custo, já de algemas destrancadas, tive de lutar para que ela me deixasse sair debaixo dela. Ela percebeu que teríamos que adiar esta batalha e a guerra ainda mal tinha começado. Caminhámos até à área da cozinha entre risos e umas palmadas leves, ao chegar ao balcão pedi que passasse uma faca da gaveta à sua direita.

– Ah seu…! – Disse ela surpreendida.

Assim que ela tentou chegar à gaveta fui eu quem a prendeu com as algemas à mesma. Assim ficava a uns bons 2 metros de mim e claro… Tinha manobra para a torturar. Despi-me, ficando apenas de boxers justos. O olhar dela era denunciador, a guerra estava declarada.

– Ora, conforme combinado vizinha Kat, hoje quem trata do jantar sou eu, certo? – Ironizei.
– Espertinho… Mal sabes o que te espera… E não terei modos. – Desafiou-me.
– Nada disso, só quero que estejas em primeira fila, hoje é um dia especial. Mesmo para nós que dispensados, já conseguimos tornar este dia especial. – Agarrei num copo de Lambrusco que ela trouxera e dirigi-me até ela arriscando a levar um estalo. Enganei-me. Aceitou a bebida e piscou-me o olho.

– Certamente. Obrigado pelo momento. E por abrires a garrafa. – Sorriu.
– Obrigado eu pela companhia MissesKat… E pela visão… – Inclinei-me para ver a marca das palmadas e levo com um banho de Lambrusco.

Ok tinha que parar. Ou então iamos partir mais que umas garrafas de vinho.
Ai ai Misses Kat.

© 100 Modos & MissesKat #69Letras 2017

 

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