Sai voando de mim

Suspensa entre infernos…

Não quero pena, nem compaixão.

Só que me deixem em paz na solidão do abandono. Já perdi o suficiente… 

Não quero perder o pouco amor próprio que tenho.

Sem família e sem passado,  de que me resta viver senão do presente. Das possibilidades do amanhã.

Daquilo que poderei sentir amanhã, sim porque amanhã será um dia melhor…

Certo?

Amanhã será o renascer duma era tranquila. 

Amanhã já estes fantasmas terão abandonado meu peito. 

Preciso que amanhã as minhas feridas estejam saradas para que eu possa voltar a andar de novo. 

Não quero rastejar na lama da indiferença e do desprezo…

Faz-me sentir inútil e que não tenho valor nenhum. 

Que afinal de contas nem um ser humano sou, quanto mais uma lutadora. 

Amanhã, a minha última esperança, de voltar a sentir-me gente. 

Depois destes males acabarem de consumir o bom que resta em mim, possa fechar finalmente o meu peito. 

Depois da escória sair voando de mim, voltarei a ser parte de mim. 

 

©Miss Steel 69letras 2017

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