Problemas rendados

Texto Erótico | M18

“À uma e meia na Rua s de S.Paulo?! Combinado!”

Gosto de causar uma boa impressão para colmatar a minha falta de modos delicados, de modos que me aperalto e visto-me a rigor… Saia acima do joelho, cintada, meias de liga altas, justas sem apertar a coxa, blusa de cetim que se afasta e cola na pele nos pontos certos, com um decote generoso sem ser vulgar. Saltos altos mas confortáveis, clássicos, a recordar o vintage. Até eu me surpreendo com a visão no espelho quando me vou maquilhar. Traços leves e um batom quase nude para equilibrar a indumentária preto integral.

Este é um almoço de negócios… Vamos acertar os detalhes do contrato que me vai entregar nas mãos de um monstro do ramo. Serei a sua pupila…

Ele é um homem maduro, moroeno, alto e surpreendentemente charmoso…

Vai dificultar a minha vida, essencialmente a minha concentração… Um aperto de mão firme e um sorriso honesto. Entregam-nos os menus mas rapidamente nos perdemos em palavras de circunstância e olhares dúbios. Somos arrancados da nossa incepção por uma empregada simpática, nova mas com conteúdo que visivelmente nos agrada aos dois.

Escolhemos rapidamente e voltamos às nossas conversas. Ambas correm de feição. Arrependo-me de ter escolhido renda… Ela roça-me nos lábios e no monte e aumenta os efeitos que a voz e o olhar têm em mim… Involuntário, reflexo… Dou por mim pronta para tudo menos negociar.

Cruzo as pernas, sinto o clitóris excitado apertar-se na minha vulva e requebro ligeiramente as ancas em busca de algum tipo de consolo. Inútil.

Distraidamente a minha perna roça na dele e noto as pupilas a dilatar… Causo-lhe efeito… E não é só pelo meu trabalho…

Vou conseguindo verbalizar sem perder o decoro, mas sinto que coro… O almoço foi magistralmente regado a tinto e a sobremesa é acompanhada por uma taça de espumante, diz ele em comemoração das boas relações seladas… Eu sei bem o que selava… Um beijo, nos lábios carnudos emoldurados pela barba pincelada de grisalho, igual ao cabelo. Está a ficar difícil não desviar o discurso das minhas vontades latentes e temo que toda a excitação que me escorre pelas pernas se comece a notar… vou ao WC para me refrescar, desculpo-me de forma cordial, levanto-me e aliso a saia ao das pernas que me causa um ligeiro arrepio por trás da orelha. O sorriso dele alarga e desconfio que o olhar dele me atravessa até ao íntimo das minhas mais variadas intenções…

Salpico água na cara tentando não borrar a maquilhagem, nos braços e no colo do peito… Fecho os olhos e sinto o perfume.

Um calor apodera-se de mim e desejo que ele cumpra os meus devaneios e entre ali naquele cubículo e me possua…

Volto à mesa e a luxúria explode-me nos poros… Foi pior a emenda que o soneto… Falam-se de trivialidades, o negócio está fechado… Respiro fundo e perco a ponta de vergonha que me restava…

“Desculpe, há algo que me incomoda no meio de tudo isto…”

A cara dele veste-se de uma névoa de preocupação e incredulidade.

“Algum termo do contrato que não agrade?!”

Solto um não no ar e levo as mãos às ancas. Com alguma habilidade, sem me levantar, tiro as cuecas e cerro-as nas mãos, sentido-as húmidas… Passo a mão para cima da mesa… Consciente de que selarei dois negócios numa só refeição (ou que arruinarei a minha carreira), seguro na sua mão e num gesto rápido coloco atenda delicada nas suas mãos.

“Todo o problema era esse…”

Olhando à volta tentando perceber se está a ser observado, leva as cuecas ao nariz e inala profundamente… “Minha querida Vicky, todos os problemas fossem estes…”
Continua…

#VickyM

#69letras

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