Não precisas de mala

Ela já procurava por ele em cada esquina sem saber. Sedenta de uma pinga de chuva que aliviasse a morte lenta do seu mais íntimo desejo e loucura.

Seus dias eram noites e as noites, dias tristes. Impressionante como a normalidade pode intoxicar-nos lentamente duma maneira tão insuspeita.

Numa noite que o escuro ganhou luz própria, ela avistou-o.

Nunca o tormento nocturno teria sido tão doce. Toda a sua rebeldia e porte altivo, a embriagava. Como uma droga feita à medida, ela consumia-o simplesmente com o olhar de forma voraz.

Ele assaltou-lhe o ar angelical como quem se ri para o abismo. Duro, rude, sem destino e sem hora marcada.

Com ousadia tatuada a sangue no ego.

Ela apaixonou-se por ele de imediato. E ele já a tinha cravado no seu coração ao sentir sua essência antes sequer de a ver. Era uma paixão animalesca e irracional. Embora sem futuro à vista. Mas nada importava.

Ela acolheu-o em sua casa com a mesma fome com que ele invadiu seu corpo. Sem pedir licença e sem bagagens… sem pudor algum.

Nu mas no entanto vestido à altura do desafio que seria dominar a mulher selvagem que ela escondia.

©Miss Steel 69letras 2017 

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