Girassol | Escrito por: Inquilino 69 Letras

Em cada passo que dava, todo o chão contemplava,

erguia se sobre a terra, como se planasse em voo rasante,

coração de leão e alma de gigante, que em sua alma encerra,

seria menos homem porventura, seria menos sol de pouca dura.

Não, não seria, se de coração amava, Roma e Pavia não se fez num dia,

tomara que os dias findassem em mar de lava incandescente,

escorreita como a boca, que de deleite se sente, ele vivia novamente,

no cheiro a pétalas de Girassol, cada pétala cada sol, mãos na giesta, boca vadia.

Em cada passo que dava, ela pontilhada de estrelas o passo estacava,

debaixo do ulmeiro, enquanto o sol descansava, sentava-se a ver a lua,

corpo de mulher alvo, arlequim que da noite faz não e do dia faz sim,

em paz,  deitada e no calor da noite velada, com uma túnica apenas, encobria sua pele já nua.

Pelos dedos, ele decorava as estrelas uma a uma, como se um dia a cegueira o cobrisse,

mesmo como se sentisse, que sua pele era um mar de espuma, onde navegava desconhecido,

palavras dissesse ela ao ouvido, para se guiar como um farol, luz que alumia o fundo onde seu corpo ruma,

beijos cobriam-na a passo de caracol, húmida língua na humidade de um corpo por sinais varrido.

Guardado seu interior como uma sentinela, devagar se arqueja, seu corpo no dela,

dança no ventre suado, deveras já relaxado para o receber, abre a porta do inferno que o acolhe,

sentinela sem quartel guardado, sente ao inferno descer, perdendo-se de olhos fechados na beleza do pecado,

passo acelerado balbucia, meu bem, meu tornado, vou teu corpo prender, alma perdes sem medo de a viver.

Debaixo de um ulmeiro, no silêncio da madrugada, perdeu-se o diabo nas mão de uma fada,

no Olimpo inteiro, já Zeus boquiaberto empunha uma espada, raio e trovão que se agita e berra,

maremotos e cascatas agridoces, anunciam o clímax final, olhos postos no azul celeste, acaba a guerra,

Girassol sorriso, peito liberto, almas presas de um novo céu descoberto, pétalas viçosas, povoam a terra.

Tempo do tempo, sol se ergue em duas mãos entrelaçadas, debaixo de um ulmeiro á sombra deitadas.

 

O Inquilino #69Letras

 

 

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