“E para os que não ouviam a música, loucos eram os que dançavam”

Tenho medo que as palavras ganhem peso.
Medo que me arrastem para um sentir que não defino…
Quero dizer-te.
Dizer quem és tu, como te vejo, como te sinto….

Sei como te sinto! E acima de tudo, sei o que sinto quando estamos juntos!
As palavras há muito que deixaram de ter peso.
O inexplicável sentir que nos assola a mente e o espírito, para se vangloriar que a nossa união não é de agora…
É mais intensa que isso…

Não pode ser de agora… Não é força que a química explique, nada que os olhos consigam ver… Não viram, nunca viram, os meus, a leveza com que voei de mim, nos teus lábios, com que deixei de saber quem sou, para o saber melhor que nunca…. Sem ter palavras que o digam…

Palavras serão sempre e somente palavras…
O que vivemos, serão etéreos fragmentos nas nossas memórias…
Fragmentos cravados na nossa alma, cosidos na nossa pele, tatuados no nosso eu…
Esse eu que a sociedade condena e repugna por sermos considerados pecaminosos!
Condenem-me à vontade!
Crucifiquem-me e apedrejem-me se assim quiserem!
Mas os momentos que tive contigo…
Ahhhhh…esses momentos de puro êxtase e desligar completo do Mundo que me enoja…
Esses momentos, vou ser do mais egoísta possível e guardá-los comigo!

Como se tivéssemos encontrado, sem querer, o que queríamos encontrar. Passar a barreira da carne, deixar-nos ferver do vapor, sumir, subir, ausentamo-nos de tudo, dos complexos, dos verdugos de chicote na mão, dos nossos medos, de quem somos construídos e discordamos, voamos, de olhos fechados, de corpos imundos, suamos… Etéreos para lá do que sabíamos e ficamos presos nesse toque, imenso, que nos comeu…. Onde cada estocada desse teu membro guerreiro, me carregou para dentro de mim, contigo….
Guardamos os dois. Sabemos que existe esse para lá de tudo onde nada importa. Ficamos lá, nas nossas mentes.
Talvez fosses Valentim e eu a espada que te matou, talvez eu fosse Inês e tu adaga que me ceifou, talvez tu sejas o meu sétimo pecado ou o meu anjo salvador, talvez tenhamos sido irmão que o incesto reuniu, talvez sejamos apenas dois loucos sem tabus…. Um toque de campainha, uma porta que se abriu…
Não me esqueço das tuas mãos…

De todas as possíveis definições, nenhuma nos caracteriza melhor que apenas dois loucos sem tabus!
E nessa loucura que nos faz tremer de prazer só de relembrar, a porta para o pecado abriu-se!
O desejo inebriante que naquele instante nos toldou o raciocínio e que uniu dois seres sedentos um do outro, poucas palavras ou nenhumas tem para ser descrito!
O teu corpo junto ao meu num vaivém de desejo cego, libido à flor da pele e desejos negros tornados realidade!
Não te esqueces das minhas mãos…
Que percorreram todo o teu corpo…
Dentro e fora de ti…
Não me esqueço de ti…
Não me esqueço de nós…
Nesta sã insanidade a que chamo desejo!

Marie 69 Letras®
7thSin✟ 69 Letras® 07.02.2017

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