E de repente… senti-te

Chove tanto.
Quase demasiado para estar em casa, mas sabes-me bem…como uma chávena de chá quente.
Mas sabes que sou louca ? Eu sei.
É esse o motivo do teu gosto insaciável por mim…
A juventude tem destas particularidades, e com toda a certeza adoras isso. Quem não?
Anda vamos…
Percorrer por ai, caminhos chuvosos.
Escorrer água pelos nossos corpos, paixão pela mente.
De que esperas?

Acordo no chão frio da sala…
Envolto numa manta quente com o som de lareira que ainda teima em deixar arder alguma lenha para me aquecer…
Não me mexo. Apenas abro os olhos. E contemplo aquele momento.
Um momento análogo a tantos outros que tive contigo…
O mesmo cenário…
Almofadas e mantas pelo chão…
O conforto dado pelos cobertores por cima de nós…
Os teus cabelos espalhados pelo meu peito…
O meu braço enroscava-te como a fazer-te sentir protegida de tudo…de todos…
A chuva caía lá fora e ríamos ao mesmo tempo que contávamos as gotas que iam caindo dentro do alguidar estrategicamente colocado por baixo da ombreira da porta da cozinha!
A casa não era nova, mas decidimos que seria o nosso “refúgio”! Uma casa construída em madeira, bem no meio da Serra! Ali éramos nós e nós! E era isso que queríamos!
A chuva cai lá fora!
As gotas continuam a cair na ombreira, mas não as conto desta vez. Não sozinho!
O meu gosto por ti é insaciável!
Sabes que sim! Lidas com isso da forma mais sensual que consegues! Sabes o poder que tens sobre mim!
E no entanto, estamos assim…
Afastados! De tudo e de todos…
Inclusive de nós próprios!
Sinto-te aqui comigo…mas não te vejo…não te toco…não te beijo…
Andarás por aí sozinha à chuva? Desprotegida? Sem mim?
Já não vou esperar mais!Levanto-me e visto-me apressadamente!
Apenas um guarda-chuva!
E saio porta fora, numa busca incessante de ti!

E de repente… senti-te.
Assustei-me pois a tua presença era algo que já há muito não sentia… mas soube-me pela vida. Como esta chuva a cair-me corpo abaixo.
Encontraste-me, entre árvores, perdida na natureza, longe da cidade.
Preciso dos meus pensamentos comigo. Preciso de ti com eles.
Sei que estás perto pois sinto a tua respiração ofegante de correr para me encontrares. “Estava a ver que nunca mais…”

Vejo-te sentada entre o arvoredo. Sinto-te longe embora estejas tão perto de mim.
Sei que depois de tudo o que se passou, precisas de tempo para os teus pensamentos. Mas lembra-te que sou parte deles. E tu dos meus!
Aproximo-me…
Envolvo o teu corpo nos meus braços…
Viro-te para mim…
Olho-te nos olhos e consigo ainda sentir o desejo de amor que nos une!
Beijo-te ao mesmo tempo que a chuva escorre pelas nossas faces misturada com lágrimas e afago-te os cabelos, enquanto encostas a tua face no meu peito.
-Desculpa – digo eu ao teu ouvido.
Olhas para mim e sorris….
-Hoje é dia dos namorados. Não o posso passar sem ti. Nem este, nem nenhum dia do ano. Fica comigo!

Assim é fácil de mais…
Promete que esse orgulho abranda. Preciso de ti na integra mas que me complete. Hoje é dia dos namorados e só tu me poderias dar a melhor prenda de anos. Entre o silêncio da natureza o meu ser encontra-se com o dele. As gotas transformam-se em suor e uma chama dentro de nós se acende. Diria que é algo…mágico num dia destes. Meu valentino…

Krishna 69 Letras®
7thSin✟ 69 Letras® 06.02.2017

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