Dás-me o que eu te pedir?

E estavam os dois, finalmente, sentados frente a frente, na mesa de uma qualquer cozinha.
-Não vai haver próxima vez.
Disse ela retomando um diálogo interrompido…
Não a olhou, nunca a olhava, mas os seus gestos, a sua linguagem corporal denotavam inquietude, preocupação e até alguma tristeza.
-Algum de nós tinha que tomar uma atitude…
disse ele quase inaudivelmente…
Levantou-se e andou de um lado para o outro (característica que predominava nele, quando era apanhado).
Posso pedir-te uma coisa? Perguntou ela.
-Podes.
Dás-me o que eu te pedir?
-Dou.- Respondeu ele, virado de costas para ela.
-Dá-me um beijo.
-Queres um beijo?
-Quero. Retorquiu ela. (Tinha que saber, tinha que jogar, arriscar, ou tudo ou nada, podia até perder tudo, mas tinha que arriscar).
-Pode ser de pé? Perguntou-lhe ele.
-Pode. E levantou-se.
-Sem mãos.
-Sem mãos????
-Sim, sem mãos, apenas um beijo.
Olhou-a nos olhos (o que era raro) e procurou os lábios dela, não com a avidez habitual, mas com ternura, emoção, talvez amor, até.
Mordiscou-lhe os lábios devagar, sorveu-os, saboreou-os até por fim entrar na boca dela com avidez, fulgor, paixão, tesão…
-Assim não.
-????
-Sem mãos não pode ser.
-Ok, como queiras.
Encostou-a contra a parede, apagou a luz e descobriu-a completa e absolutamente.
Puxou-a para o quarto e deixaram-se levar pela emoção, pelo puro desejo, pela pura tesão, deixaram-se levar, como se não existisse mais nada além deles dois, além daquele quarto, além daquela casa…

 

PO  69Letras

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