Capitulo #2 – O elevador

??? TEXTO ERÓTICO M¦18A

Terça-feira e  estava muito frio. Lá fora, a chuva fustigava fortemente a fachada. Passavam trinta e oito minutos das vinte e duas horas, estou certo da hora, porque me lembro de ter olhado para o velho relógio, da já extinta “Reguladora Nacional”, que adornava com excelência a padieira do elevador do átrio central, mesmo de frente para a porta principal.

Quando cheguei, o elevador estava parado no 4º piso. Sinceramente, nem sei bem porque resolvi chamar o elevador, dada a minha aversão a esta tecnologia claustrofóbica. Na verdade, talvez tenha sido pela hora tardia, ou pelo cansaço acumulado, ou simplesmente pelo ócio. Não sei, confesso. Premi o botão e esperei calmamente pela sua chegada. Estranhamente, permaneceu imóvel, quieto. Repeti, e mais uma vez o elevador não se mexeu. Parecia demasiado empenhado em provar-me que todos os medos que deposito nestas máquinas, têm afinal fundamento. Ri-me, num misto de irritação e talvez de alivio, e resolvi subir, calmamente, pelas escadas até ao 6º direito, apartamento que habito desde o final do mês passado.

Não conheço ainda os meus vizinhos, apenas um ou outro, com quem me cruzo pela manhã, enquanto corro para trabalho, mas sem espaço para grandes conversas, para além das triviais. Como é diferente a vida na cidade… Então para mim, um filho do campo, que cresceu livre por entre os riachos e os prados verdejantes, sinto-me enclausurado nestes castelos de betão, inventados para nos enlouquecer em surdina, desconexos de tudo, demasiado impessoais. O prédio era antigo e portanto mal insonorizado, recordo-me de ouvir algumas conversas, enquanto que subia a longa escadaria e passava junto das portas de entrada de cada um dos apartamentos, que pareciam não ter fim, dado o meu cansaço na altura. De súbito, há um som, que embora abafado, imediatamente despertou o meu interesse. Estava eu no 3º piso, e à medida que subia, o som tornava-se mais próximo mais presente. Caminhei devagar… Aquele som… Aquele som…. – “Raios! Outra vez…?”, pensava eu. – “Mas que se passa com esta gente?”, repetia na minha cabeça, enquanto que a curiosidade tomava agora conta de mim. Naquele momento, cheguei a pensar que o som, que me prendia a atenção, chegava novamente do 4º Esq., o que me fez corar de vontade, e desejar assistir, uma vez mais, a um momento que ficará para sempre gravado na minha memória. Mas estava enganado. À medida que me aproximava, ficava claro o porquê de o elevador ter permanecido imóvel. O som da minha atenção era agora mais audível, mais presente. Aquela respiração ofegante, misturada com os gemidos abafados, trespassava as portas do elevador e cravava-se agora em mim. Aproximei-me. Encostei o ouvido na porta. Queria sentir-me perto, como que presente no banquete que era servido do lado de lá. As minhas mãos estavam suadas, a minha boca abria-se inconscientemente a cada gemido que era proferido, o meu sexo começava a ter vida própria forçando de forma bem evidente as minhas calças justas. Do outro lado, ouviam-se sussurros: “Vem…. isso, …dá-me tudo, ….toca-me bem fundo….não pares por favor…… isso….”, enquanto que um gemido mais profundo me fez estremecer de excitação, de tal forma que, também eu, soltei um pequeno suspiro. Não os incomodei. Estava febril, doido de tesão e com a vontade imensa de entrar por aquela porta e juntar-me a eles. De os olhar nos olhos, de ver os seus rostos de prazer. Como eu gosto de rostos de prazer….como me fascinam…. Naquele momento eu estava com eles, separados por uma porta, mas estava com eles, imaginava-me com eles…

Na minha cabeça o cenário de fantasia era tão evidente, tão real. Ela estava a olhar-me enquanto que o seu parceiro a penetrava. Ela fitava-me… Chamava por mim, piscava-me o olho. Aqueles lábios vermelhos, carnudos, desejavam o meu membro rijo. Os seus mamilos hirtos, bem pronunciados, pediam a minha boca e a minha língua desejosa de lhes tocar. Eu estava doido… Do lado de lá, percebia-se agora que tinham acelerado, como que numa cavalgada final, em busca de um orgasmo há muito prometido. Estavam famintos, mas não tanto quanto eu. A entrega deles era agora total, no limite das suas forças. Eu, já há muito que tinha descido a braguilha e acariciava o meu membro sem pudor, sem constrangimentos. Acompanhava-lhes agora o ritmo, e esfregava-o com a mesma intensidade que os gemidos invadiam os meus ouvidos. Sabia que não aguentaria muito mais… o meu sexo estava enorme, prestes a rebentar, tal qual os orgasmos que se esperavam abundantes do lado de lá da porta, dada a cadência e intensidade que fazia ressonância em mim. Tentei segurar-me, aguentar um pouco mais, mas chegavam agora gritos de prazer, nada abafados, que me fizeram jorrar todo o meu suco naquela velha porta do elevador, enquanto que do outro lados os fluidos se tocavam cumprindo o que há muito tinham prometido. Estava estonteado. Todo o meu corpo tremia, como se estivesse a receber uma descarga eléctrica desde a cabeça até aos meus pés. Arranjei-me à pressa. Limpei a porta como pude e corri escadaria acima até ao sexto andar. Cá em baixo, o velho elevador retomava agora a sua marcha.

 

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