Acreditar no Amor

Habituei-me a ser cínica… É a verdade…

Habituei-me a ser cínica, céptica… Sempre que acreditava ou almejava vinham as ondas da realidade e atiravam comigo para a areia outra vez… Fui-me sentido mais pequena, mais suja…

Ouvi durante muito tempo que era possível, que existia em algum lado e que na altura certa apareceria… Fui-me conformando, sorrindo e acenando, sabendo que para mim não, estava certa que a mim não calharia…

Experienciei outros tipos de sentimentos e convenci-me que o tal amor maior não aparecia na vida de uma só vez, ia-se manifestando sob formas diversas, personificado em diferentes pessoas… Fui-me arrastando nas ondas, nadando de lado, boiando na realidade, mas ainda que cheia de amores, incompleta…

Convenci-me que este sentimento era normal, a eterna insatisfação humana, dizem os sábios…  Fui-me cultivando, tentando preencher os espaços vazios e havia coisas a fazerem cada vez menos sentido…

E veio mais dor, mais ressentimentos, menos esperança, céus cinzentos sem esperança de sol… Mas sou nova, dizem, ainda há muito por vir e verás além…

Quis acreditar, mas ludibriei-me entre sorrisos que escondiam lágrimas, quereres que doíam, líquidos que me ensopavam a alma mas que depois de evaporarem deixavam o vazio ainda maior… ficava assim… Talvez fosse ser sempre assim e fosse normal…

Apareceu… mais um pensei… Mais do mesmo… Mais carne, mais suor…

Mas em algo era diferente… A fluidez do contacto, os sorrisos arrancados, a ânsia do/no olhar… Tudo era diferente e fez-me sentir como já não me sentia há muito, demasiado tempo… Fez-me acreditar de formas que já não conhecia…Chegou de mansinho nas entrelinhas, escreveu-me, gravou-me, escrevi-lhe, marquei-o… Sem me aperceber tornou-se meu, sem me dar conta sou dele… e aqui estou eu a acreditar… E para me fazer acreditar nas maiores loucuras, nos gigantes devaneios de quem acredita, tem que ser grande, tem que ser real… Mas aqui estou eu… Acredito…

#VickyM

#69letras

2 comentários a “Acreditar no Amor”

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