Capitulo #1 – Os gemidos do 4º Esq.

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Os gemidos dela eram abundantes, cadenciados, desalinhados, livres. Tão livres que percorriam toda a escadaria de mármore antigo e ecoavam de forma ensurdecedora na velha porta de madeira de iroko, do numero 36 da Rua das Flores.

Quando entrei, fiz-lo em surdina e com o cuidado habitual de forma a calar o ranger denunciador da velha porta de madeira. Percorri calmamente a longa escadaria, com os ouvidos bem atentos aqueles gemidos e suspiros de prazer que por essa altura faziam já ressonância em mim, na minha pele, no meu rosto, nos meus lábios, deixando a minha língua inquieta e a minha boca seca de desejo.
Eu era novo no prédio, na verdade não conhecia ainda os vizinhos, com a excepção da Dona Ester do 5º direito que me brindou naquela manhã com um doce e nada esperado: “Bom dia menino !”.
Estava intrigado, pois se por um lado aqueles gemidos estavam a ter um efeito catalisador nas minhas vontades, por outro não sendo esperado, nem tão pouco habitual, não sabia como reagir naquela situação. Lembro-me que pensei recuar e sair dali calmamente e esquecer o assunto, mas na verdade, a minha ânsia de saber que estava ali naquele frenesim de prazer, fazia-me subir degrau após degrau em busca daquele som que à medida que eu subia se tornava cada vez mais próximo.
Quando cheguei junto da porta do 4º esquerdo, esta estava somente encostada. Estranhei… Naquele momento houve uma pequena trégua nos gemidos, foi como que se me tivessem pressentido. Imaginava uma cavalgada desenfreada pelos abismos do prazer dada a entrega que cada suspiro e cada gemido carregavam, uma vez que voltaram de novo e em força, como com um novo fulgor.
Abri ligeiramente a porta, espreitei através do pequeno corredor para o quarto ao fundo, onde no longo espelho podia agora ver toda a razão daquele momento. Ela, deitada na cama numa pose de submissão aparente, segurava fortemente os lençóis, enquanto que mordia ferozmente o seu lábio soltando, agora, gemidos abafados de prazer. Ele deitado sobre a cama, com a cabeça no meio das suas pernas, era o motivo de ela estar louca de prazer.
Deixei-me quieto, em silêncio, confesso que excitado, muito excitado, com o membro já bem pronunciado, a observá-los. A admirar como ela se contorcia a cada toque da língua dele, a cada movimento, a cada aperto nos seus mamilos rijos, a cada penetração dos seus dedos, até que por fim jorrou todo o seu suco de prazer naquela boca gulosa que sentia ser sua.
Se eles deram pela minha presença, não sei… Na verdade, gosto de acreditar que sim sempre que me cruzo com ela nas escadas e lhe digo delicadamente “Bom dia !”, pois na minha memória ficará para sempre gravado o som majestoso do seus gemidos, associados ao seu rosto de prazer quando jorrou..

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