Tela de mulher única

Hoje vou-te vestir de papel, como se fosses uma tela pintada a pincel. Devagar te pintarei nesse ar que tens de criança e olhos cor de mel, tu rainha e eu rei.

Sinto-me voando na ponta dos teus dedos, quais borboletas esvoaçantes na tua imaginação.
Sei que te encanto pois te sinto preso no meu olhar.

Sei que a vida também te vou pintar. Mil aguarelas com todas as cores do mar, peixes, sereias e passaros sobre as ondas a esvoaçar, corais de água tépida, com golfinhos a bailar. Os teus olhos são a calma da areia onde o meu corpo irá por fim descansar.

Corrompe a menina em mim. Vibra a tua magia em mim. Serve-te da minha fantasia para a mulher que se encontra perante ti!

Calcorreio a tua pele ao de leve com o pincel, todo o arrepio que se abate sobre ti, apodera-se da tua mente. O coração acelera e a cabeça já não sente. O teu corpo que varri, num vagar cauteloso, pensado, estudado, molhado, prazer guloso, não há alma que aguente, todo o prazer que em teu corpo presente com todo esse ardor. Menina imaginada, mulher devorada, sem calma e sem pudor.

Um rubor me assalta a face, morreu a menina em corpo de mulher. É agora deusa desse teu paladar requintado sem dó nem piedade numa sensual dança ao luar.

Pairas sobre mim, numa réstea de satisfação, sem dó, nem perdão, cai-me o pincel da mão. Cansado, vazio, tua cor perdurou e a minha murchou. Cor de alegria, sorriso mais uma vez multicolorido mas eu cinza em ti o meu corpo ficou. A alma não existe pois a cor a levou. Guardo o pincel no bolso que a vida me entregou. Batalha perdida, por um dia, uma noite, um instante talvez levado de vencida.
Um dia quem sabe essa batalha perdida seja até ao fim batalha discutida.

 

©Miss Steel vs Inquilino 69letras 2017 

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