Silhuetas mágicas

Eu detesto levar o lixo à rua! Odeio!
Deixo sempre o saco encher até mais não antes de arrastar os pés até ao contentor grande de frente ao nosso prédio.
Saio de casa, atravesso a estrada na noite fria que se faz sentir e enfio o mal cheiroso saco no seu destino final.
Mas ao atravessar a estrada de volta para o apartamento reparo numa silhueta feminina numa das janelas do prédio que me chama a atenção.
Parece insinuar-se de maneira hipnotizante para mim. E ali fico eu no meio da estrada a olhar…

Fim do dia, daqueles… Stressante, pesado…
Tudo o que queria era tomar um banho, ouvir música e relaxar… Foi o que fiz! O banho surtiu efeito e quando saí da banheira já dançava pela casa…
Como a minha playlist é variada, invariavelmente lá aparece uma música mais sexy… Que se lixe, ninguém está a ver… Deixo o ritmo entrar no meu corpo e danço, solta, nua, pela casa toda…

Ignorei tudo à minha volta e deixei a minha mente levar-se pelo ritmo desinibido daquela silhueta feminina a dançar.
Hipnotizante a sua liberdade de expressão! Era uma mulher como tantas outras mas com uma melodia rebelde no corpo a inquietar a paz da noite.
Quando dei por mim, já a minha cintura balançava ainda que envergonhada.
Quis acompanhá-la. Seguir de perto seus passos inebriantes de dança e fazer parte daquele ritual libertino.
Avancei em direção ao seu apartamento.

Estava perdida no ritmo e sentia os demónios do meu dia a serem libertos a cada pirueta despreocupada… Decidi, já quase a precisar de outro duche, repor líquidos… Fui até ao frigorífico e decidi abrir um Sauvignon Blanc, era mesmo o que precisava agora… Leve fresco e frutado!
Abanava as ancas ao som de Seu Jorge enquanto dava o primeiro gole e ouvi a minha campainha… Que raio?! Quem será a esta hora!?
Espreitei pelo óculo… Era a Steel… Nem me dei ao trabalho de me vestir… Afinal, o que é que ela tem que eu não tenho?
Abri a porta…

– Olá Steel !
– Vicky ? Eras tu que estavas a dançar?!?
– Ups, desculpa tinha o som alto? É que…
Antes que ela acabasse a frase lancei me para os seus braços. Feliz por achar alguém que se soltasse sem receios como eu faço tanta vez mas no escuro e segurança do meu lar.
– Que bom! Eu também adoro dançar!
– Oh minha querida então entra e põe-te à vontade! Já agora, vai um copo de vinho?

E dançamos até perdermos as forças. Mas de cada vez que bebíamos uma garrafita, lá ganhavamos genica novamente para mais um pé de dança.
As minhas roupas iam-se amontoando no chão à mesma velocidade que a reserva de vinho da Vicky desaparecia.
As gargalhadas davam lugar a olhares mais indiscretos…

O dia amanhece e presenteia-nos com um sol radioso que entra pelo quarto da Vicky adentro. Apercebo-me lentamente do toque agradável dos lençóis de seda no meu corpo nu …
AAHHHHHHH estou nua! Olho para a pessoa deitada ao meu lado e vejo a Vicky com um ar saciado e feliz.

– Bom dia Steel! Hummm querida outra vez?
– OUTRA VEZ? Outra vez o quê, Vicky?

O olhar da Vicky ficou sério de repente. E ficamos geladas por um segundo apesar de estarmos tapadas até ao pescoço com as mantas.

– Steel, mostra-me as tuas mãos!

Com receio, liberto as mãos de maneira a que ela as veja mas continuo sem saber o que se passa.

– Steel… se tu tens as tuas mãos de fora…de quem são as mãos entre as minhas pernas?!

Ambas olhámos para o fundo da cama e reparamos num par extra de pés.

– Vicky, queres que eu grite por socorro?

Sussurro-lhe como se a pessoa estranha não pudesse ouvir debaixo das mantas.

– Não, aaaiiiiii ainda não. Já agora deixa acabar…

©MissSteel & ©VickyM

#69letras

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